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Bolsa brasileira virou o paraíso das ‘penny stocks’?

Entre 2019 e 2025, o número de ações com valor abaixo dos US$ 5 disparou: meia década atrás, eram 218 papéis nessa categoria; hoje são 349

Por Einar Rivero

20/03/2025 | 13:26 Atualização: 20/03/2025 | 13:30

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Espaço da B3, a Bolsa de Valores brasileira. Foto: Divulgação/B3
Espaço da B3, a Bolsa de Valores brasileira. Foto: Divulgação/B3

Nos últimos anos, a B3 tem assistido a um aumento expressivo no número de ações negociadas a preços extremamente baixos – penny stocks, no jargão financeiro.

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Entre 2019 e 2025, o número de ações com valor abaixo dos US$ 5 disparou. Meia década atrás, eram 218 papéis nessa categoria; hoje são 349. Os números são de uma análise exclusiva da Elos Ayta.

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Quando olhamos para papéis mais baratos, cotados a menos de US$ 1, encontramos uma curva de crescimento ainda mais acentuada. Em 2019, só 38 ações eram negociadas abaixo desse valor. Em 2024 esse número saltou para 148, recuando levemente para 138 neste ano. Outros 13 ativos foram cotados neste ano a menos de R$ 1.

Para o investidor estrangeiro, que pensa sempre em dólares, a B3 já se assemelha a um grande mercado de penny stocks. Afinal, 80% de todas as ações negociadas ao menos uma vez no ano de 2025 até 12 de março – ou 349 ações num universo de 425 – se encaixam na definição técnica de penny stock da Securities and Exchange Commission (SEC), a saber, ações mais baratas que cinco dólares.

O Ibovespa não escapa

A desvalorização dos ativos não se restringe a ações secundárias. O próprio Ibovespa, principal índice do mercado brasileiro, tem 63 de suas 87 ações negociadas abaixo de US$ 5. Dessas, 31 estão na faixa entre US$ 2 e US$ 5; 19 entre US$ 1 e US$ 2; e 13 abaixo de US$ 1.

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Distorção cambial e risco

Parte desse fenômeno tem a ver com a desvalorização da moeda brasileira. Empresas que mantiveram seus preços em reais podem perderam consideravelmente seu valor em dólar, tornando o mercado mais arriscado sob a ótica do investidor estrangeiro.

O problema é que a percepção de risco impacta diretamente o apetite dos grandes fundos institucionais, que tendem a evitar ativos com baixa liquidez e alta volatilidade.

Além disso, as regras da B3 obrigam companhias cujas ações caem abaixo de R$ 1 a realizarem grupamentos, mascarando o real volume de penny stocks. Ou seja: para o investidor brasileiro, o fenômeno pode parecer menor do que realmente é.

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Impacto no mercado

A ascensão das penny stocks na B3 preocupa. Empresas de pequeno porte ou em dificuldades têm menos acesso a financiamento e veem sua base de acionistas reduzida. Para os investidores, menor liquidez e maior volatilidade elevam o risco de perdas e aumentam a vulnerabilidade do mercado às ondas de manipulação especulativa.

O que fazer?

Se essa tendência perdurar, investidores institucionais irão se afastar, o que prejudica a imagem da Bolsa brasileira no exterior. A B3, que já enfrenta concorrência de mercados mais desenvolvidos, precisa agir para impedir que esse cenário se consolide.

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A grande questão, ainda sem resposta unânime, é se esse movimento reflete um ambiente mais especulativo ou se há fatores estruturais por trás dessa transformação.

De toda maneira, a realidade está posta: sob a ótica do investidor estrangeiro, a B3 caminha para se tornar um mercado de penny stocks. O desafio agora é reverter essa percepção.

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