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Colunista

O tamanho do estrago que a alta do dólar fez no lucro das empresas no 2º trimestre

Análise de 293 companhias da Bolsa mostra dados conflituosos

Por Einar Rivero

21/08/2024 | 8:45 Atualização: 21/08/2024 | 10:10

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Foto: Adobe Stock
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As empresas não financeiras listadas na B3 tiveram bons desempenhos em várias métricas-chave no segundo trimestre de 2024. A partir de 293 balanços financeiros recentemente divulgados, nota-se que as vendas cresceram 9,34% em relação ao segundo trimestre do ano passado, totalizando R$ 824 bilhões, um crescimento que superou a inflação do período (4,23%).

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As empresas da Bolsa de Valores conseguiram ainda expandir suas operações para além da alta nos preços. O custo de produtos vendidos subiu 7,94%, enquanto o lucro bruto teve aumento de 14,22%, totalizando R$ 191,5 bilhões. Esse resultado sugere melhoria na eficiência operacional das companhias, que gastaram proporcionalmente menos para produzir e vender mais.

O lucro antes dos juros e impostos (Ebit), que reflete o ganho operacional das companhias, também cresceu: 19,74% de alta no segundo trimestre, alcançando R$ 93,6 bilhões – sinal de uma gestão operacional eficaz.

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O impacto do dólar no balanço das empresas da Bolsa

O cenário muda quando consideramos o impacto das despesas financeiras sobre o resultado, sobretudo daquelas influenciadas pela variação cambial.

O dólar Ptax – cotação de referência para as operações de câmbio no mercado financeiro calculada durante o dia pelo Banco Central – havia caído 5,40% no segundo trimestre de 2023, mas registrou alta de 11,26% no mesmo período em 2024. Isso elevou as despesas financeiras em 31,63%, ou R$ 99,2 bilhões, impactando negativamente os resultados gerais: as companhias ficaram com um saldo negativo de R$ 60,9 bilhões, 43,82% maior do que o registrado no segundo trimestre do ano passado.

A valorização do dólar teve efeito direto no endividamento. A dívida bruta das empresas listadas na B3 subiu 15,39%, enquanto a dívida líquida cresceu 10,09%. O caixa, por outro lado, aumentou 27,29%, o que pode indicar que essas companhias tentaram mitigar os efeitos da alta do dólar por meio da acumulação de reservas.

Há reflexos também na distribuição de dividendos, que avançou significativamente: 31,62% de alta em comparação ao segundo trimestre de 2023, totalizando R$ 42,4 bilhões. Sinal de esforço para manter a confiança dos investidores mesmo em um cenário financeiro adverso.

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É importante salientar que a amostra de 293 empresas desconsidera os resultados de quatro gigantes: Petrobras (PETR3; PETR4), Vale (VALE3), Oi (OIBR3) e Suzano (SUZB3). A razão é simples: dado o peso desproporcional dessas companhias, sua inclusão distorce os resultados gerais.

Caso sejam incluídas na análise, o lucro líquido das 297 empresas não financeiras da B3 marca R$ 45,2 bilhões no segundo trimestre de 2024, o que representa queda de 30% em comparação aos R$ 64,64 bilhões registrados no mesmo período de 2023. Isso prova que a exclusão dessas quatro companhias é necessária para garantir que nossa análise reflita o desempenho médio real da Bolsa brasileira.

Benefícios e desafios das empresas com o câmbio

A variação cambial, muito além de ser um mero efeito contábil, tem implicações reais nos resultados das empresas. A alta do dólar pode beneficiar empresas exportadoras, que veem suas receitas aumentarem em reais e, por outro lado, prejudica quem tem grandes passivos em moeda estrangeira, que vê aumento súbito de despesas financeiras e corrosão de lucros operacionais – entenda mais nesta reportagem.

Recomenda-se, portanto, não subestimar o impacto da variação cambial. As empresas brasileiras se mostraram resilientes no segundo trimestre de 2024, mas também vulneráveis à variação cambial. Logo, uma gestão eficaz do hedge (proteção) cambial deverá ser fator decisivo para o sucesso contínuo dessas companhias nos próximos balanços.

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