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Colunista

Qual é o momento certo para formalizar um negócio?

Com a alta do desemprego, muitas pessoas passaram a recorrer ao empreendedorismo

Por Evandro Mello

14/05/2022 | 6:00 Atualização: 13/05/2022 | 19:55

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Seu empreendimento estará pronto para ser formalizado quando você sentir a necessidade de se profissionalizar - Foto: Envato Elements
Seu empreendimento estará pronto para ser formalizado quando você sentir a necessidade de se profissionalizar - Foto: Envato Elements

Ter o seu próprio negócio ficou mais fácil nos últimos anos com a expansão dos marketplaces em sites e redes sociais. Com a alta do desemprego, que cresceu com a pandemia e atualmente é de 11,2% no país segundo o IBGE, muitas pessoas passaram a recorrer ao empreendedorismo para sobreviver.

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A formalização de empresas também cresceu, principalmente graças a iniciativas do governo como a criação do MEI, a formalização para o Microempreendedor Individual, e campanhas do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE).

Uma pesquisa global de empreendedorismo chamada Global Entrepreneurship Monitor (GEM) mostrou que, em 2021, o Brasil ocupou o 7º lugar no ranking de países com maior número de empreendedores, com mais de 43 milhões de CNPJs ativos. Em 2020, ocupamos o 13º lugar.

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Mas o que define, de fato, uma empresa? Em que momento o bico, aquela venda de doces no bairro ou oferta de serviços domésticos, se torna uma empresa? Quando se deve buscar pela formalização?

Segundo Vanessa Soares Camargo, sócia da Phi.618, consultoria financeira para pequenas e médias empresas, a virada de chave se dá pela constância. Ou seja, quando as pessoas começam a demandar mais pelos seus produtos e você sente a necessidade de profissionalizar o negócio para dar conta da demanda.

Em resumo, quando as pessoas começam a te divulgar, é porque você já está oficializado pela própria clientela. Então, é só colocar o plano de negócio no papel, seguindo algumas fases importantes:

1. Faça uma pesquisa de campo

Não importa o tamanho do seu negócio e o quão bom você seja naquilo que faz: se você não conhecer bem a sua clientela, tudo pode ir por água abaixo. Por isso, antes de tudo, é importante que você escute seus potenciais consumidores.

Faça uma pesquisa e entenda o que eles desejam, quanto eles ganham e quanto estão dispostos a pagar pelo produto ou serviço que você tem a oferecer. Sabendo quem é o seu consumidor final, fica mais fácil saber como acessá-lo, se no Instagram, Google ou em algum outro tipo de canal.

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Além disso, qual a melhor forma de entregar esse produto? Com o que o consumidor está mais preocupado? Com qualidade? Preço? Experiência do consumidor?

Coloque tudo na balança. Isso é importante porque, às vezes, apesar de uma coisa fazer muito sentido para você, para outras pessoas ela pode não fazer. É preciso saber o que o seu consumidor de fato quer. E não o que você acha que ele quer.

Procure as pessoas para quem você já vendeu e peça feedbacks. “Às vezes, as soluções para os nossos negócios estão bem na nossa frente e quem enxerga são os nossos clientes. Tanto aqueles que compram o nosso produto quanto aqueles que deixam de comprá-lo por algum motivo específico”, explica Vanessa.

Enfim, defina o seu core business, termo bonito para o “coração da sua empresa”, e tenha muito claro o que você está vendendo, por que e para quem. Saiba qual o seu objetivo e qual o retorno financeiro esperado.

2. Escute e aprenda

Escutar aqueles que já têm alguma experiência com o empreendedorismo também é uma ótima forma de evitar erros simples. Afinal, ninguém é mais sábio do que aquele que aprende com os erros e acertos dos outros.

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Divida o seu sonho de ser empreendedor e deixe espaço para sugestões e críticas. Ouça a experiência dos outros e faça uma seleção qualificada de quais conselhos são úteis e quais não são.

É importante que você não se deixe abater por pessimistas e pessoas que dão opiniões sem propriedade.

3. Faça um planejamento financeiro

Finalmente, chega a hora de criar um plano financeiro para a empresa. Levante os custos de compra de material, mão de obra e infraestrutura. Considere também um valor extra para funcionar como margem de segurança caso ocorra algum problema.

Sabendo quanto você gasta para produzir o seu produto ou oferecer o seu serviço e qual é a média de preço que o seu público está disposto a pagar, fica mais fácil definir os preços.

Lembre-se: um produto ou serviço caro é aquele que está além do que o seu público pode pagar. Já se o preço não cobre as suas despesas, ele está muito barato. É preciso trabalhar com equilíbrio entre esses dois polos.

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Ah, e não se esqueça de manter um controle financeiro de entrada e saída, nem de separar a contabilidade da empresa da sua contabilidade pessoal.

4. Formalize-se e tenha o seu CNPJ

Para se tornar uma empresa formal, é preciso ter um Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). Em São Paulo, no próprio Poupatempo é possível abrir um CNPJ com o suporte do Estado, sem necessariamente precisar pagar.

Existem também contabilidades on-line que não cobram para abrir empresa. E, dependendo do seu faturamento, se ele não for muito alto, você pode ser MEI.

“O MEI tem muitas vantagens. Uma delas é o recolhimento do INSS, o que, em um cenário econômico de muita instabilidade, te dá a segurança de ter a previdência social, seja por auxílio maternidade, aposentadoria por idade ou acidente de trabalho”, diz Vanessa.

Outro benefício do MEI é que ele garante que você possa oferecer os seus produtos e serviços para outras empresas, já que ele te permite emitir nota fiscal. Além disso, ele faz declaração de imposto de renda, o que pode servir como comprovante de renda, permitindo que você tenha acesso a crédito.

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Se tiver dúvidas, vale a pena conversar com um contador ou alguém que tenha experiência com abertura e formalização de empresas. Pela lei, contadores não podem cobrar para tirar dúvidas sobre contabilidade, apenas por serviço prestado.

5. Saiba a hora de investir em profissionalização

Para Vanessa, uma das maiores sabedorias que um empreendedor pode ter é saber identificar quando vale a pena contratar um especialista. “Procure ajuda naquilo que você não é muito bom. Se você não é muito bom com finanças, procure alguém que seja e que possa assumir essa frente. O mesmo vale se você não for muito bom com mídias sociais e divulgação”, recomenda.

Agir dessa forma impede que você deixe que o seu real talento seja desperdiçado porque você não sabe gerenciar corretamente outras frentes do seu negócio.

“Existem muitos empreendedores que são bons no produto e no serviço que oferecem, mas não são bons na gestão do financeiro e do marketing do negócio, por exemplo, o que pode colocar tudo a perder”, reforça Vanessa.

Resumindo: comece pequeno, mas sonhe grande. Conforme o seu negócio for crescendo, saiba reconhecer o momento de investir mais em cada área.

6. Tenha paciência e não desista fácil

Entenda o momento da empresa, tenha calma e perseverança. “É comum desenhar um plano e achar que no segundo mês o negócio estará a 120km por hora. Porém, quando vamos para a prática, ele pode estar a 60km por hora. E isso não é motivo para desistir”, diz Vanessa.

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Consolidar uma marca e fidelizar uma clientela é algo que leva tempo e dedicação. Por isso, não pare de estudar e aprimorar o seu negócio. Só é válido desistir depois que você esgotar todas as possibilidades de crescimento da empresa.

Olhe para fora da caixa, aprenda com os outros e, quando estiver cansado, descanse em vez de desistir. Empreender envolve muita persistência, dedicação e principalmente ter noções de educação financeira, pois isso garantirá mais chances de o negócio prosperar.

No programa de Educação Financeira da Multiplicando Sonhos, a última aula é focada em empreendedorismo e sustentabilidade, por acreditarmos que os temas se complementam e são fundamentais não só para quem está iniciando ou já tem um negócio, mas para a vida profissional e financeira de qualquer pessoa que busca sonhar grande.

Reflita sobre as características dos empreendedores de sucesso e traga isso também para a sua carteira de investimentos.

Sucesso e bons investimentos!

Colaboração: Giovanna Castro e Andréa Tavares

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