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Colunista

Como a gameficação potencializa o aprendizado sobre finanças

Voluntários da Multiplicando Sonhos contam como foi levar um jogo educativo para estudantes de escolas públicas

Por Evandro Mello

14/10/2023 | 7:00 Atualização: 13/10/2023 | 15:13

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Investir com qualidade requer educação financeira (Fonte: Shutterstock)
Investir com qualidade requer educação financeira (Fonte: Shutterstock)

Na semana passada, aconteceu a World Investor Week (Semana Mundial do Investidor) e a Multiplicando Sonhos participou levando nosso jogo educativo financeiro para mais adolescentes de escolas públicas de São Paulo.

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Esta não é a primeira vez que utilizamos esse projeto de gamificação, feito em parceria com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA), para alcançar ainda mais escolas – a MS já atende algumas com seu programa de oito aulas com voluntários.

Neste ano, já marcamos presença na Semana Nacional de Educação Financeira (Semana ENEF) e na Global Money Week com nosso jogo de tabuleiro. Expliquei como ele funciona neste outro artigo.

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Todas as vezes que aplicamos o jogo, é uma experiência incrível, em que podemos despertar ainda mais jovens para a importância e a possibilidade de se ter uma vida financeira saudável e consciente. E engana-se quem pensa que só os alunos são beneficiados pela ação: muitos dos nossos voluntários também voltam para casa transformados ao vivenciar de perto o poder da educação na vida das pessoas.

Para te mostrar o poder desta transformação, fiz algumas perguntas para nossos voluntários, que chamamos carinhosamente de multiplicadores, após o evento. Confira as respostas:

Como foi a experiência de levar o jogo para os adolescentes de escolas públicas?

“Foi uma experiência incrível. Pude aprender com as diversas realidades dos jovens de escolas públicas e ver como é possível gerar um grande impacto mesmo num ambiente de recursos mais restritos e em pouco tempo.” – Édipo Ferreira, administrador de empresas e voluntário na Multiplicando Sonhos.

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“A experiência foi reveladora. Pude conhecer jovens com imenso talento e potencial, mas com uma energia represada.” – Mauro Motta, publicitário e voluntário na Multiplicando Sonhos.

“Foi uma experiência impressionante ver eles começando sem saber o que fazer e, no final, saindo felizes, cantando vitórias – por ganhar o jogo, por ganhar um livro, mas, principalmente, por ganharem incentivos de que são capazes e de que é possível sair de qualquer lugar desse Brasil para construir seu sonho, alcançar objetivos altos e impensáveis.” – Natália Araújo, social media, empresária e voluntária na Multiplicando Sonhos.

Você acredita que esse tipo de abordagem, gamificada, ajudou a atrair mais os jovens para os ensinamentos sobre educação financeira?

“A abordagem gamificada ajuda a tornar os ensinamentos sobre educação financeira mais acessíveis e menos intimidantes para os jovens. Ela inverte a lógica tradicional de tentar estimular o aluno depois da introdução de conceitos iniciais, e utiliza uma forma que aguça um desafio individual, despertando curiosidade e competição. Somente depois, expõe aos alunos os conceitos de educação financeira” – Édipo.

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“Foi uma experiência única levar um game, até porque o jogo é um formato que anda lado a lado com os jovens. É uma ótima porta de entrada, que facilita esse primeiro contato do jovem com o tema educação financeira. Principalmente quando a personagem central representa ninguém mais, ninguém menos, que a aluna e o aluno das nossas escolas públicas.” – Freddy Gomes, profissional autônomo e voluntário na Multiplicando Sonhos.

“A abordagem gamificada foi de suma importância para nos conectar com esses jovens e engajá-los, com foco no objetivo e no resultado final. Quando iniciamos a dinâmica, todos focaram nas perguntas e nas fases do jogo até o seu final. Muitos grupos gabaritaram as perguntas e chegaram à pontuação máxima.” – Mauro.

O que você percebeu e aprendeu com essa experiência?

“Ficou claro que a postura da gestão da escola e dos professores influencia demais o comprometimento dos alunos. Em escolas que tinham um planejamento com objetivos educacionais claros e interação maior com as famílias, os alunos demonstraram um engajamento maior durante a aplicação do jogo” – Édipo.

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“Que, infelizmente, o tema educação financeira ainda é algo estranho para os nossos jovens – reflexo óbvio de que, em suas casas, as famílias também têm essa mesma falta de visão. Mas, apesar dessa falta de familiaridade, os grupos participantes deram seu máximo e garanto que essa semana foi uma sementinha plantada no aprendizado dessa garotada. Quanto a nós, multiplicadores e multiplicadoras, o que fica é a força de vontade para seguirmos firmes na missão de auxiliar na melhoria dessas vidas.” – Freddy.

“Percebi e aprendi que a atividade gamificada e nossa atitude de acreditar no potencial da turma fez com que todos se sentissem motivados a participar e aprender.” – Mauro.

Você já conhecia a realidade das escolas públicas brasileiras antes de participar do projeto? O que você não sabia antes e agora descobriu?

“Sim, (conhecia,) pois estudei em escola pública do Estado de São Paulo durante todo período do ensino fundamental e ensino médio. Mas, descobri que as escolas públicas possuem estruturas bem distintas umas das outras. Há quase nenhuma padronização na utilização de recursos, infraestrutura e gestão escolar” – Édipo.

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“Estudei em escolas estaduais, mas ainda não tinha vivenciado a atual geração de alunos na sala de aula. Descobri que a evasão escolar é imensa e que existem alguns alunos que exercem uma liderança negativa junto à classe, enquanto outros são extremamente dedicados em aprender e evoluir. Outra constatação foi a dificuldade dos professores de trazer o foco dos alunos utilizando metodologia de aulas que já não despertam neles o interesse e a motivação em aprender.” – Mauro.

O que mais te chamou a atenção na relação que os adolescentes demonstraram ter com o dinheiro?

“Que muitos não acreditam ser possível ascender socialmente, cursar um ensino superior e alcançar uma renda maior do que dois salários-mínimos. A realidade da maioria contribui para que o foco seja na sobrevivência e no hoje.” – Édipo.

“De início, notei uma certa incredulidade, estranheza, se é que posso assim dizer, pois esses adolescentes já vêm com o pensamento clássico do ‘dinheiro é feito pra gastar’ ou ‘guardar pra quê?’. Porém com a evolução do jogo, os grupos participantes notaram que o dinheiro é feito também para poupar e que pode sim ser gasto, porém com responsabilidade e consciência.” – Freddy.

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“(Percebi) uma relação de necessidade de ter o dinheiro, com inexperiência em saber lidar com ele, saber como poupar e como ajudar sua família.” – Natália.

E você o que acha da educação financeira nas escolas públicas? É um otimista que nem eu que acredita que com algum recurso podemos fazer grandes transformações nas realidades dos jovens brasileiros com relação às finanças?

*Colaboraram: Giovanna Castro e Andréa Tavares

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