Ibovespa hoje iniciou março atento ao Boletim Focus e a PMIs no Brasil. Na sexta, índice caiu 1,16% após IPCA 15 acima do esperado. (Imagem: Adobe Stock)
O Ibovespa hoje inverteu o sinal e passou a operar em alta durante a tarde, fechando em valorização de 0,28% aos 189.307,02 pontos, com o mercado atento aos desdobramentos dos ataques de EUA e Israel contra o Irã. Os bombardeios vistos a partir do sábado (28) fizeram o preço do petróleo disparar no mercado futuro e o tema ganhou destaque entre as Bolsas, já que impulsionou ações de petroleiras.
No mercado de juros no Brasil, os contratos futuros fecharam em alta em todos os vencimentos, em um comportamento alinhado à valorização firme do dólar e dos retornos dos títulos públicos norte-americanos.
A escalada das tensões geopolíticas após os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, que mataram o líder supremo iraniano Ali Khamenei, dominou o foco dos mercados financeiros lá fora neste início de março. Com o conflito, o dólar se fortaleceu, levando o Índice DXY – que mede a força da moeda americana contra outras principais moedas do mundo – à máxima em cinco semanas, enquanto os rendimentos dos Treasuries (títulos de renda fixa emitidos pelo Tesouro norte-americano) também avançaram.
Além dos impactos das incursões militares no Oriente Médio, os investidores concentraram atenção nesta segunda-feira (2) no Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central (BC). As projeções reúnem a visão do mercado financeiro sobre a inflação, Produto Interno Bruto (PIB) e taxa Selic, a taxa básica de juros.
Ainda na agenda doméstica, destaque para o PMI industrial, índice de gerentes de compras que funciona como termômetro da atividade no setor manufatureiro. O índice subiu de 47 pontos em janeiro para 47,3 em fevereiro, informou a S&P Global. Foi o décimo mês consecutivo em que o indicador ficou abaixo dos 50,0 pontos, o que indica retração na atividade. Pollyanna de Lima, diretora associada de Economia da S&P Global, alerta:
Com a aceleração da queda nos novos pedidos, a redução no volume de negócios pendentes e a tendência das empresas de manter estoques mínimos, é provável que a produção continue em trajetória descendente nos próximos meses
Na sexta-feira (27), último pregão de fevereiro, o Ibovespa havia recuado 1,16%, aos 188.786,98 pontos, após a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA 15), considerado uma prévia da inflação oficial. O indicador subiu 0,84% em fevereiro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), bem acima da mediana das projeções de 0,56%. Em 12 meses, a alta ficou em 4,10%.
O resultado reforçou a percepção de que o ciclo de cortes da Selic pode avançar com mais cautela. Também entrou no radar uma pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas mostrando empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no primeiro e no segundo turnos de 2026.
Ibovespa hoje: veja o que influenciou os mercados nesta segunda-feira (2)
Tensões no Oriente Médio impactam mercados mundiais
O presidente dos EUA, Donald Trump, estima a duração da operação no Irã em quatro semanas e o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, sinalizou intensificação dos ataques. O principal oficial de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, afirmou que não negociará com Washington, enquanto o chanceler Abbas Aragchi indicou definição de novo líder supremo em até dois dias.
Com dólar forte e petróleo disparando, as bolsas americanas fecharam sem direção única. Nesta tarde, o Dow Jones caiu 0,15%, o S&P 500 avançou 0,04% e o Nasdaq teve ganho de 0,36%.
China e União Europeia pediram diplomacia, enquanto as bolsas europeias fecharam em baixa. A bolsa de Londres caiu 1,28%, a de Paris recuou 2,14% e a de Frankfurt perdeu 2,62%. A de Milão teve queda de 2,02%.
As bolsas asiáticas também fecharam majoritariamente em queda nesta segunda-feira, embora ganhos de ações de petrolíferas e de defesa tenham limitado as perdas na região.
O índice japonês Nikkei caiu 1,35% em Tóquio, mas papéis ligados ao setor de defesa como os de Mitsubishi Heavy Industries (+3,61%) e IHI Corp. (+2,97%) avançaram. Em outras partes da Ásia, o Hang Seng recuou 2,14% em Hong Kong, o sul-coreano Kospi cedeu 1% em Seul, e o Taiex perdeu 0,90% em Taiwan, na volta de um feriado.
Na China continental, o Xangai Composto driblou o mau humor regional e subiu 0,47%, graças a ações de petrolíferas como as de Sinopec e PetroChina, que saltaram cerca de 10% diante da forte reação de alta do petróleo às tensões no Oriente Médio, mas o menos abrangente Shenzhen Composto caiu 0,68%.
Na Oceania, a bolsa australiana ficou praticamente estável hoje: o S&P/ASX 200 teve alta marginal de 0,03% em Sydney, a 9.200,90 pontos.
Petróleo como protagonista nesta segunda-feira
Os contratos futuros do petróleo avançaram mais de 6% nesta segunda-feira, enquanto investidores aguardam desdobramentos do conflito no Oriente Médio deflagrado por ataques dos EUA e de Israel ao Irã no fim de semana.
O maior temor é de fechamento prolongado do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial. Traders apostam que o fornecimento de petróleo do Irã e de outros países do Oriente Médio vai desacelerar ou até parar por completo. Ataques na região – entre eles, os disparados contra dois navios que cruzavam o Estreito de Ormuz – têm reduzido as exportações de petróleo para o resto do mundo.
“Cerca de um quinto do fluxo global de petróleo e GNL (gás natural liquefeito) passa pelo Estreito de Ormuz. Não se trata de um canal obscuro. É a aorta do sistema energético global”, disse Stephen Innes, da SPI Asset Management, em comentário.
O barril do petróleo WTI para abril subiu 6,28% na Nymex, a US$ 71,23, enquanto o do Brent para maio aumentou 6,68% na ICE, a US$ 77,74.
Assim como no resto do mundo, as ações de petroleiras no Brasil impactaram os resultados do Ibovespa hoje, como a Petrobras (PETR3; PETR4), que chegou a disparar mais de 5% no início de pregão. No fechamento, os papéis ordinários da petroleira tiveram alta de 4,63% e os preferenciais, de 4,58%
Os preços do ouro não ficaram de fora da volatilidade ocasionada pelo conflito no Oriente Médio e operaram em forte alta nesta tarde, ultrapassando o patamar de US$ 5.300 por onça-troy. Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para abril encerrou em alta de 1,21%, a US$ 5.311,6 por onça-troy. Já a prata para maio teve queda de 4,76%, a US$ 88,85 por onça-troy.
O contrato mais negociado do minério de ferro no mercado futuro da Dalian Commodity Exchange, para maio de 2026, fechou em alta de 0,87%, cotado a 754,5 yuans por tonelada, o equivalente a US$ 110,01.O segundo contrato mais negociado, para setembro de 2026, terminou o pregão em alta de 0,55%, a 733,5 yuans, o equivalente a US$ 106,95 por tonelada.
O EWZ, principal fundo de índice (ETF) brasileiro negociado em Nova York, caiu 0,23% no mercado norte-americano nesta tarde, em reflexo às tensões mundiais.
Boletim Focus indica manutenção no IPCA e queda no dólar para 2026
A mediana do boletim Focus para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo de 2026 (IPCA), a medição oficial da inflação no Brasil, permaneceu em 3,91%. A taxa está 0,91 ponto percentual acima do centro da meta, de 3%. Há um mês, era de 3,99%. No acumulado de fevereiro a abril deste ano, as medianas apontaram alta de 1,18%. Já a projeção para o IPCA de 2027 caiu de 3,80% para 3,79%, após 16 semanas de estabilidade.
Conforme trajetória divulgada no comunicado da reunião de janeiro do Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central prevê que o IPCA vai encerrar 2026 com alta de 3,4% e espera que a inflação em 12 meses chegue a 3,2% no horizonte relevante, o terceiro trimestre de 2027.
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) de 2026, por sua vez, caiu pela quarta semana seguida, de 3,71% para 3,18%. Um mês antes, era de 3,92%. A estimativa para o IGP-M de 2027 se manteve em 4,0% pela segunda semana seguida. Um mês antes, também era de 4,0%.
A cotação do dólarno fim de 2026 caiu pela segunda semana seguida, de R$ 5,45 para R$ 5,42. Há um mês, era de R$ 5,50. A projeção para a moeda no fim de 2027 se manteve em R$ 5,50 pela quarta semana consecutiva.
Em relação ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, as medianas apontam que, em 2026 permaneceu em 1,82%. Um mês antes, era de 1,80%. Considerando apenas as 29 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa oscilou de 1,82% para 1,85%.
O Banco Central e o Ministério da Fazenda esperam crescimento de 2,3% para a economia brasileira este ano, segundo os números mais recentes divulgados pelas instituições.
As estimativas publicadas no Focus desta segunda-feira (2), foram enviadas pelo mercado ao Banco Central até a última sexta-feira (27). Assim, as informações não incorporam a forte alta dos preços do petróleo dos últimos dias, motivada pelo ataque de Estados Unidos e Israel contra o Irã visto no sábado.
Juros futuros sobem em toda a curva
As taxas de juros negociadas no mercado futuro fecharam em alta em toda a curva, em um comportamento alinhado à valorização firme do dólar e dos retornos dos Treasuries. O conflito entre Estados Unidos e Irã esteve no centro das atenções e o temor é de que as restrições na oferta de petróleo se prolongue, com risco de maior pressão inflacionária em todo o globo.
Nesta segunda-feira, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 teve taxa de 13,305%, contra 13,28% do ajuste de sexta-feira (27). O DI para janeiro de 2029 projetou 12,745%, contra 12,645%. Na ponta longa, o DI para janeiro de 2031 estave em 13,115%, contra 13,035%.
Esses e outros indicadores moldaram os humores do mercado e influenciaram os resultados do Ibovespa hoje.
*Com informações de Cícero Cotrim, Cecília Mayrink, Sérgio Caldas, Luciana Xavier e Silvana Rocha, da Broadcast