Tributação de dividendos
Em contrapartida aos dividendos, existiria uma diminuição dos tributos das empresas, que atualmente são de 34% considerando todos os impostos. Esses tributos passariam para 29%. Contudo, a exclusão do JCP ocasiona o fim da compensação fiscal que as companhias realizam.
Assim, se fosse apenas a tributação acima dos dividendos e a diminuição pelo lado das empresas, seria possível que as instituições entregassem um lucro maior, visto que estariam retendo menos impostos. Seguindo essa lógica, ambos os custos ficariam empatados. Mas com a retirada do JCP a instituição não consegue compensar a despesa para pagar menos impostos.
No início do governo, um dos objetivos do ministro era não aumentar a carga tributária. Mas essa tributação gera suposições sobre a elevação da carga tributária. Principalmente com a pressão sobre o teto fiscal com gastos públicos e a corrida eleitoral de 2022. Em momentos similares, a tendência de governantes é justamente aumentar gastos públicos para utilizar a máquina a seu favor, o que não gera surpresas.
Klabin (KLBN4), Itaú (ITUB4) e Alpargatas S.A. (ALPA4)
Historicamente, os governos têm realizado interferências nas instituições, mas o País tem se mostrado resistente ao pensar nas empresas brasileiras. Mesmo com os impostos e tarifas instituídos pelo governo, muitas empresas centenárias conseguem gerar lucros enquanto mostram resiliência.
A exemplo de Klabin (KLBN4), Itaú (ITUB4) e Alpargatas S.A (ALPA4). Valendo inclusive a comparação com companhias estrangeiras, já que as empresas nacionais têm sobrevivido em um ambiente inóspito por anos.
Tributação afugenta o investidor?
Existem grandes chances de que essa tributação dos dividendos aconteça seguindo a lógica do governo, que segue tentando manter sua popularidade às custas do auxílio emergencial, já prorrogado por Guedes. Mas o valor da conta deve sair de algum lugar, muito provavelmente entrando nos dividendos, local onde os investidores já lucram.
O Brasil, junto com a Estônia, é um dos poucos países que ainda não tributa dividendos. A decisão dificilmente fará com que pessoas deixem de investir na bolsa por conta da medida, que por sua vez não trará mais investidores à B3.
A tributação de dividendos também não determina o fim da carteira previdenciária ou das empresas de dividendos. O brasileiro já está acostumado a pagar uma carga tributária mais alta e pode se adequar a mudanças.
Já por parte das empresas, caso elas não distribuam seus dividendos, têm como opção comprar as próprias ações, o que geraria um aumento no valor do papel em si. Com menos ações à venda no mercado, numa possível distribuição de dividendos a empresa não precisa repartir o lucro.
Nos EUA, a tributação de dividendos é de 30%. E, em vez de distribuir esses dividendos, elas utilizam esse caixa para recomprar suas ações, investir em sua produção, expansão, tecnologia e outras inovações. Assim, de certa forma a tributação de dividendos pode funcionar como um incentivo para a expansão econômica do país. A ideia é interessante, mas é preciso analisar o aumento da carga tributária.
Leia mais sobre a prorrogação do auxílio emergencial anunciado por Paulo Guedes aqui
Assista ao vídeo exclusivo sobre a tributação de dividendos proposta por Paulo Guedes: