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Colunista

BlackRock: Como promover inclusão no mundo dos investimentos?

Veja porque a educação financeira é fundamental para a democratização de investimentos e sua importância

Por Karina Saade

12/09/2023 | 15:11 Atualização: 12/09/2023 | 15:11

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(Foto: Envato Elements)
(Foto: Envato Elements)

Não há um único funcionário da BlackRock que não saiba de cor o propósito da gestora, que é ajudar milhões de pessoas a construir patrimônios para suas vidas. Mas como podemos promover essa “democratização dos investimentos“, que é exatamente o tema central da nossa missão? Tal processo se refere a tornar o acesso a oportunidades de investimento mais amplo e acessível para um número maior de pessoas, independentemente de sua renda, educação ou status social.

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Historicamente, os investimentos se concentravam em investidores de alta renda e instituições financeiras. No entanto, nos últimos anos, houve um esforço para torná-los mais inclusivos e disponíveis para a população geral. Foi a partir das décadas de 1980 a 1990 que a revolução digital e os avanços tecnológicos começaram a desempenhar um papel importante nessa democratização. A popularização dos computadores pessoais e a expansão da internet abriram caminhos para o surgimento de corretoras on-line e plataformas de negociação, permitindo que as pessoas comprassem e vendessem ativos com mais facilidade a custos mais baixos.

Do ano de 2000 em diante, o crescimento das mídias sociais, juntamente com a educação financeira um pouco mais acessível, contribuiu para um aumento no interesse das pessoas por investimentos. Além disso, uma maior e mais variada oferta de produtos permitiu o investimento por pessoas com orçamentos menores, viabilizando alocações menores e a baixo custo.

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Segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), em 2022, mais brasileiros estão fazendo investimentos. O percentual passou de 31% da população, em 2021, para 36% no ano passado, representando a inclusão de 8 milhões de pessoas no atual montante de aproximadamente 60 milhões de investidores no País. A ampliação ultrapassou a projeção feita para o período, que era um acréscimo de 3% e chegou a 5%. A expectativa é de que em 2023 ocorra um novo crescimento de mais 5%.

Com o estudo da entidade, foi possível entender também que esse impulso para tal crescimento veio da classe C, na qual a proporção subiu de 29% para 36% nesse contexto, com o aumento de cerca de 5 milhões de pessoas.

Voltando para o propósito da BlackRock, enxergamos a educação financeira como um dos principais fatores para a democratização de investimentos, pois a partir dela, pessoas de diversas faixas de renda recebem o conhecimento necessário para entender os conceitos básicos de como investir. Além disso, ela ajuda a dissipar os medos infundados sobre finanças pessoais, viabilizando tomadas de decisões mais assertivas e confiantes, com mais controle sobre seu futuro financeiro.

Algumas iniciativas têm sido grandes aliadas para mudar esse cenário. Trago como exemplo o Inspiring Girls, programa social que apoiamos juntamente com a B3 (Bolsa de valores brasileira) e a edtech Barkus Educacional. Trata-se de um projeto que oferece educação financeira para meninas e mulheres em situação de vulnerabilidade social, com o objetivo de transformar sua relação com investimentos e, consequentemente, minimizar o ciclo da pobreza no País. Isso é particularmente importante para grupos que sempre tiveram menos acesso a oportunidades financeiras, pois ao aprenderem sobre planejamento, orçamento, poupança e investimento, as pessoas se tornam mais independentes em relação às suas finanças.

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Gosto de destacar a B3 como uma aliada importante e exemplar nesse processo de democratização. Nos últimos anos, a Bolsa implementou sistemas eletrônicos de negociação que permitem que investidores individuais acessem e negociem ativos diretamente. Além disso, desempenha um papel ativo na promoção da educação financeira, fornecendo informações e recursos didáticos para investidores iniciantes.

Nesse contexto, as plataformas digitais também são ferramentas imprescindíveis para que a inclusão no mundo dos investimentos ocorra. A tecnologia trouxe redução de custos significativa nas operações de investimento, tornando-as ainda mais intuitivas, seja por meio de aplicativos, inteligência artificial, gerenciadores de carteiras e demais recursos.

E qual é o papel da indústria nessa democratização? Ela desempenha um papel fundamental nesse processo, onde existem várias maneiras pelas quais ela pode se preparar e facilitar o acesso aos investimentos à educação financeira com ofertas de opções mais acessíveis. Os ETFs (sigla em inglês para Exchange Traded Funds), por exemplo, são ótimos exemplos dessa frente, ajudando investidores a diversificar seus portfólios com custo bem mais acessível e com montantes pequenos. Para que todo esse cenário seja ainda mais viável, é necessário haver um ambiente regulatório que favoreça a inovação e a competição saudável, que pode contribuir para a inclusão de cada vez mais investidores no mercado de maneira acessível e segura.

Dentro dessa visão, é importante pontuar ainda que, apesar de toda essa revolução tecnológica a favor do acesso a investimentos no Brasil, também é extremamente necessário que haja o comprometimento e preparação por parte da indústria, de forma que ela esteja pronta para os desafios que a democratização pode gerar, principalmente no que se refere ao comportamento especulativo, já que, quando mais pessoas assumem riscos, há maior probabilidade de volatilidade do mercado.

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Quando trago essa pauta para debate, reforço que estamos vivendo cada vez mais em um universo mais amplo no setor de investimentos, onde vejo muitas vantagens para todos os players, principalmente para um público mais amplo que poderá participar do mercado financeiro de maneira acessível, segura e inclusiva.

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