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Colunista

A “festa” dos 100 mil pontos voltou. Há oportunidade na bolsa agora?

Cenário é oportunidade para investidores, mas é preciso que política econômica no país seja bem executada

Por Marco Saravalle

17/04/2023 | 8:16 Atualização: 17/04/2023 | 8:16

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Bolsa brasileira tende a melhorar resultados até fim do ano. (Foto: Werther Santana/Estadão)
Bolsa brasileira tende a melhorar resultados até fim do ano. (Foto: Werther Santana/Estadão)

O mês de março não foi fácil para os investidores, principalmente para quem tem ações na carteira. Os problemas bancários nos EUA e na Europa, juntamente com as incertezas no ambiente doméstico, penalizaram o Ibovespa no mês.

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As incertezas continuam em relação à execução da política fiscal. Embora o governo tenha apresentado um novo arcabouço fiscal, limitando a elevação da despesa ao aumento de 70% da arrecadação, parte do mercado vê com desconfiança a viabilidade da nova regra para reverter o déficit primário em 2024.

Em parte, a desconfiança decorre do piso de 0,6% acrescido da inflação colocado em relação ao aumento da despesa. Na prática, isso significa que o incremento da despesa em 70% da arrecadação está limitado à faixa de 0,6% a 2,5% acrescido da inflação.

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Enquanto a regra anterior limitava o aumento do gasto até a inflação acumulada no ano anterior, a nova permite um crescimento da despesa acima da inflação.

Outro ponto criticado pelo mercado foi o foco na arrecadação em vez no gasto. Para que haja o aumento da arrecadação, é necessário crescimento econômico do país ou maior eficiência na tributação. Como não é possível o governo controlar o crescimento econômico, o mercado teme que o aumento da arrecadação poderá vir na elevação de tributos.

Apesar de todas essas incertezas, o novo arcabouço não foi recebido como uma catástrofe fiscal. Embora não seja tão austero como o Teto de Gastos, há um controle da despesa. Além disso, é melhor ter alguma regra do que nenhuma. A dúvida agora é como o arcabouço sairá do Congresso Nacional.

Enquanto o mercado espera a definição da regra fiscal definitiva, o Banco Central continua seu trabalho no controle da inflação. Provavelmente, a taxa selic deverá permanecer em 13,75% até o início do 2º semestre.

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Apesar da desaceleração da inflação corrente, corroborada pelos bons indicadores do IPCA apresentados na semana passada, as expectativas inflacionárias seguem desancoradas. O boletim Focus tem mostrado uma piora nas projeções de inflação para 2023 e 2024, dificultando uma redução mais forte e antecipada dos juros.

Por outro lado, a desaceleração do IPCA de março é um sinal de que a política monetária começou a fazer efeito sobre a inflação. A desaceleração da inflação corrente aliada ao surgimento de uma regra fiscal, mesmo não sendo a ideal, explicou o fechamento da curva pré-recentemente.

Entretanto, os efeitos colaterais da medicação (juros) para combater a doença inflacionária são amargos, implicando em redução da atividade econômica. Prova disso é que a taxa de desemprego, que vinha em trajetória descendente, voltou a subir, atingindo 8,5% em fevereiro.

Além do efeito dos juros altos, a atividade econômica também é penalizada pela retração do crédito bancário (efeito Americanas) e incertezas relativas ao cenário externo e aos rumos da política econômica do governo Lula.

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Inflação e taxa de juros elevadas nos EUA, quebra de bancos americanos e problemas financeiros no Credit Suisse na Europa elevaram a aversão ao risco global, resultando em volatilidade para os ativos de renda variável no Brasil.

Todo este cenário levou a bolsa brasileira a apresentar múltiplos excessivamente baixos. É uma oportunidade de compra? Acreditamos que sim, no entanto, cenário ainda muito dependente da condução da política econômica do país.

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