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Colunista

“A Selic vai cair no próximo Copom”, diz Marília Fontes

Fatores permitem que o Banco Central inicie o tão sonhado ciclo de queda nas taxas

Por Marilia Fontes

04/07/2023 | 12:55 Atualização: 04/07/2023 | 12:55

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(Foto: Shutterstock)
(Foto: Shutterstock)

A taxa Selic está atualmente em um dos maiores patamares da última década e o Banco Central vem sendo muito criticado pela gestão da política monetária.

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Os juros altos desaquecem a atividade econômica, desestimulando empréstimos e financiamentos, o que reduz o consumo.

Mas o que pouca gente sabe é que os juros que impactam a atividade são os de longo prazo, ou seja, as taxas dos vencimentos mais longos. E essas taxas o Banco Central não controla.

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O Banco Central decide a taxa de juro de 1 dia, que é a taxa Selic. A cada 45 dias, tem-se uma nova reunião, na qual essa taxa pode ser alterada.

Baseado nessa taxa de juros de 1 dia e nas demais variáveis econômicas, o mercado constrói uma estimativa de trajetória para a Selic ao longo dos próximos meses e anos.

Essa taxa é negociada diariamente pelo mercado, é um dos ativos mais líquidos do país e um dos mercados mais líquidos da America Latina.

O governo emite sua dívida baseada nessa taxa do mercado. Ele não escolhe a taxa que ele emite.

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Dentre as variáveis que entram na formação dos preços dos juros futuros temos a trajetória dos gastos públicos. Se um governo gasta muito hoje, o mercado começa a estimar que ele vai precisar aumentar sua dívida amanhã, aumentando o risco de não pagamento.

Isso faz com que as taxas futuras de longo prazo subam e o governo imediatamente começa a se financiar a um custo maior.

Mas, recentemente, tivemos o movimento contrário. Em março o governo anunciou o novo arcabouço fiscal, estabelecendo um limite de crescimento dos gastos. Isso fez com que o mercado reduzisse os prêmios de risco de longo prazo e as taxas longas caíram.

Na semana passada, uma nova variável importante confirmou o cenário positivo para os mercados. A meta de inflação de 3% foi reafirmada pelo Conselho Monetário Nacional.

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No início do novo governo alguns membros chegaram a ventilar que a meta de inflação poderia ser alterada para 4 ou 4,5%. Isso fez com que o mercado aumentasse as expectativas de inflação para os próximos anos no Relatório Focus.

Essa desancoragem preocupou o Banco Central, inviabilizando o ciclo de queda da Selic, que não poderia começar com o mercado duvidando das metas.

Agora que a meta foi reafirmada, em uma ação conjunta de membros do governo (Haddad e Tebet) e de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, o mercado já está reduzindo novamente as expectativas de inflação para os anos seguintes, voltando-as para próximo de 3%.

Esses dois acontecimentos, arcabouço e meta de inflação, melhoraram bastante a credibilidade da responsabilidade fiscal e monetária do novo governo. O resultado foi que as taxas de juros longas caíram de 14% para 10,39%.

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Além disso os últimos dados de inflação também vêm mostrando uma queda importante, com itens mais sensíveis à política monetária, como serviços, também em trajetória de baixa, assim como o índice de difusão, que mostra o percentual de subitens em alta no índice total.

Tudo isso está permitindo que o Banco Central inicie o tão sonhado ciclo de queda nas taxas. Na ata da última reunião do Copom, foi pontuado que a maioria dos membros acreditam que temos um espaço para a queda, apesar da necessidade de parcimônia.

O mercado já precifica nos juros futuros essa trajetória de Selic em queda nas próximas reuniões. Outros ativos sensíveis aos juros, como bolsa e fundos imobiliários, também já vem mostrando excelente recuperação nos seus preços.

A atividade econômica segue respondendo bem, mesmo com restrição monetária, o que pode significar que estamos diante de um aumento geral de produtividade no País, advindo das diversas reformas estruturantes que estão sendo feitas desde 2016.

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A revolução institucional, a meu ver, está sendo enorme. O Brasil mostrou que mesmo depois de  governos bem diferentes uns dos outros, conseguimos avançar na agenda de reformas estruturantes.

Isso me deixa bem otimista com o futuro do crescimento e investimento no país.

Podemos entrar em um período mais sólido de juros mais baixos, crescimento mais alto e estabilidade macroeconômica, o que é sempre muito bom para a Bolsa.

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