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O olhar do mercado internacional

Thiago de Aragão é diretor de estratégia da Arko Advice e assessora diretamente dezenas de fundos estrangeiros sobre investimentos no Brasil e Argentina. Sociólogo, mestre em Relações Internacionais pela SAIS Johns Hopkins University e Pesquisador Sênior do Center Strategic and International Studies de Washington DC, Thiago vive entre Washington DC, Nova York e Brasilia.
Twitter: @ThiagoGdeAragao

Escreve às sextas-feiras, a cada 15 dias

Thiago de Aragão

Eleição na Câmara e o investidor gringo

O mercado financeiro (principalmente o americano) que investe no Brasil, se expressa pelo câmbio, pelos juros futuros. Vai cobrar com mais ênfase as promessas feitas pelo mundo político de entregar as reformas administrativa e tributária

Câmara dos Deputados (Wilson Dias/Agência Brasil)
  • O que preocupa o mercado em relação à política e, consequentemente, em relação à eleição no Congresso, não é o quê (reformas etc.), mas o como (capacidade do governo de buscar convergência e não se agarrar de corpo e alma a divergências)

Desde 2016 o Brasil vive um ciclo de reformas que contrasta com o pífio desempenho econômico apresentado pelo governo de Dilma Rousseff. A recessão do governo Dilma veio sendo combatida a cada ano, mesmo com resultados muito aquém do esperado. O mercado financeiro, principalmente o de Nova York, acompanha a eleição na Câmara dos Deputados com bastante atenção. Obviamente, a atenção e o interesse se restringem ao grupo de investidores mais habitués ao Brasil.

Nessas últimas semanas, as conversas, apresentações e explicações sobre as movimentações dos principais candidatos à Presidência na Câmara vêm sendo diárias e cada vez mais técnicas. As impressões que ouvimos vindas dos investidores acabam nos dando pistas sobre como percebem um momento político tão específico e que raramente ganha as manchetes internacionais como as eleições no Congresso brasileiro.

Primeiramente, o foco principal é na Câmara e não no Senado. Os dois principais candidatos à Presidência da Câmara, Arthur Lira (PP) e Baleia Rossi (PMDB) são, em um grau ou outro, pró-reformas. Enquanto Baleia é pró-reformas por convicção, Lira tem uma postura mais consensual em relação às lideranças e a colegas específicos, o que acaba por lhe fazer reformista.

Apesar de Lira ser apoiado pelo Presidente Bolsonaro, ele não é um aliado incondicional do governo. Esse é um erro de avaliação que foi corrigido e posteriormente assimilado por muitos desses investidores. Como bem colocado pelo analista político, Lucas de Aragão, o Presidente da Câmara funcionaria mais como um Presidente de sindicato — manejando inúmeros interesses –, do que como líder de um bloco uníssono de pensamento.

A maioria que Bolsonaro tem/terá na Câmara, é uma maioria ocasional, temática e com uma fluidez que talvez o próprio governo não a entenda. Essa maioria não está necessariamente ligada a um tema ou a outro. O fato de um número x de candidatos votarem em Lira, não quer dizer que as pautas por ele apresentadas terão o mesmo número de apoiadores. Ao mesmo tempo, aqueles que não votarem em Lira não se colocarão necessariamente contra. O voto secreto auxilia a “mentira” de quem votou em um ou em outro.

Caso Baleia puxe um coelho da cartola nesses últimos dias, sua postura pró-reformas também estaria evidente desde o começo. Nesse caso, a Câmara ganharia em autonomia e independência, mas teria que contar com uma pressão crescente da oposição apelando para a colocação de pedidos de impeachment para votação. Baleia estaria aberto ao diálogo com o Palácio, mas o Palácio poderia se deixar contaminar (novamente) pelo peso e influência das redes sociais, tentando se distanciar da criação de uma nova versão de Bolsonaro x Maia.

O mercado financeiro (principalmente o americano) que investe no Brasil, se expressa pelo câmbio, pelos juros futuros. Vai cobrar com mais ênfase as promessas feitas pelo mundo político de entregar as reformas administrativa e tributária. O governo vai precisar compreender que ter seu candidato preferido vencendo não representa nada ainda nessa equação se a convergência não for trabalhada incessantemente.

As reformas são temas relevantes para o retorno de uma confiança estrutural que compense as oscilações conjunturais. Na relação Executivo-Legislativo, simplesmente ser a favor de uma reforma é muito pouco. A construção é o que conta. Rodrigo Maia foi muito importante para a construção da narrativa interna para aprovação da reforma da Previdência e, tanto ele quanto Baleia ou Lira, seguirão atuando a favor das reformas, desde que o Palácio aja como uma parceria na construção do resultado final e não como um impositor de algo semipronto vindo do Executivo.

O que preocupa o mercado em relação à política e, consequentemente, em relação à eleição no Congresso, não é o quê (reformas etc.), mas o como (capacidade do governo de buscar convergência e não se agarrar de corpo e alma a divergências). O governo não tem um bom histórico de controle emocional em adversidades. Apesar de Lira ser nominalmente um aliado do governo, o mercado já sabe que tanto ele quanto Baleia teriam dificuldades em não irritar um Executivo altamente emotivo.

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