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Como a última entrevista do presidente do Fed ameaça a Bolsa brasileira

Política monetária do banco central dos EUA influencia os mercados financeiros em todo o mundo

Por Vitor Miziara

06/02/2024 | 10:04 Atualização: 07/02/2024 | 7:39

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Edifício do Federal Reserve nos EUA, em Washington DC (Foto: Envato Elements)
Edifício do Federal Reserve nos EUA, em Washington DC (Foto: Envato Elements)

A tão esperada entrevista do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, para o programa “60 Minutes” que não o poupou das perguntas certas e que todo mundo queria saber foi ao ar no último domingo (4). O dirigente da autoridade monetária falou de dólar, inflação, China, mercado imobiliário, quebra de bancos menores e muito mais.

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A política monetária do Fed tem um impacto global significativo, molda o rumo da economia dos Estados Unidos e influencia mercados financeiros em todo o mundo. À medida que o mundo enfrenta o espectro de uma recessão global, as palavras e ações vindas do Fed têm um peso ainda maior.

Por que o conservadorismo? A economia dos EUA, como dito por Powell, está super forte, conforme demonstram a alta geração de empregos, o Produto Interno Bruto (PIB) crescente e a inflação caindo, mas “precisamos de mais dados para confirmar a queda da inflação”.

  • Leia também: Empresa de energia pode deixar o País após 28 anos e dar lucro a acionistas

Enquanto o mercado já vê com bons olhos o recuo da inflação que começa a caminhar para a meta estipulada de 2%, o Fed diz querer aguardar mais dados e um período maior do que o atual, de apenas 6 meses de queda da inflação.

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O grande desafio do banco central americano consiste em acertar o momento para as tomadas de decisão. Se baixar rápido os juros antes da inflação estar totalmente controlada pode ser que ela volte a assombrar o mercado. Por outro lado, se atrasar demais para relaxar a política monetária, podemos ver um impacto negativo muito forte e, consequentemente, uma recessão.

Nesse segundo ponto, fica visível – e isso foi comentado por Powell na entrevista – as preocupações com os americanos que já não conseguem pagar as hipotecas ou o financiamento e os prejuízos que bancos regionais estão tendo por conta de perdas e inadimplência no mercado – a respeito deste assunto, deixa um convite para participação no meu grupo do Whatsapp, onde vou compartilhar dados sobre bancos menores em breve. Clique aqui para entrar.

Por que a decisão sobre juros nos EUA impacta o mercado brasileiro?

O “gringo” hoje tem diversos motivos para ir embora do nosso País. O primeiro deles é o diferencial dos juros americanos e brasileiros que está no menor patamar há um bom tempo – enquanto aqui a Selic chegou a 11,25% ao ano, nos EUA ela estacionou em 5,50% ao ano, o que dá uma diferença de menos de 6% para o investidor estrangeiro pensar em vir comprar a nossa renda fixa.

Além disso, enquanto a economia local parece perder força e a questão fiscal brasileira preocupa, a economia dos EUA continua super forte, com criação de empregos e inflação controlada. O resultado desse crescimento pode ser visto pelo índice de ações S&P500, que continua entregando retornos positivos aos investidores.

Quanto mais tempo o juros demorar para cair nos EUA mais interessante fica para o investidor gringo manter seu dinheiro lá, seja em renda fixa seja em ações que continua performando bem.

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Somado à isso temos a expectativa de uma recessão e sabemos que, para o mundo, o dólar continua sendo o porto seguro dos investidores. Não à toa já estamos com a maior retirada de dinheiro da Bolsa pelo estrangeiro desde 2010 e o dólar testando novamente os R$ 5,00. Quanto mais o Fed se mantém conservador – ou “cauteloso” como alguns preferem – mais veremos motivos para o gringo voltar para casa e retirar dinheiro do Brasil.

E deixo a reflexão para você investidor: se o gringo, que corresponde a mais de 50% do volume operado em nosso mercado, for embora, quem vai comprar nossas ações, já que a renda fixa ainda entrega o tão sonhado 1% ao mês para o investidor brasileiro?

Um abraço

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