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Colunista

Em cima do muro: o que fazer em relação ao S&P 500

De janeiro a abril deste ano, o índice registrou o 3° pior retorno em toda sua história

Por Vitor Miziara

03/05/2022 | 7:47 Atualização: 03/05/2022 | 7:56

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Bolsa de valores de Nova York. Foto: Mark Lennihan/AP
Bolsa de valores de Nova York. Foto: Mark Lennihan/AP

Em 14 de dezembro do ano passado, iniciei minha coluna aqui no E-Investidor com um artigo intitulado “O Brasil será o melhor investimento para 2022”. Por sorte acertei a queda do dólar e a alta da bolsa, mas não imaginava que veríamos as ações americanas no cenário em que se encontram hoje.

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Em vez de atualizar minha visão para o cenário mundial no segundo semestre, tema para as próximas colunas, vou falar sobre o S&P 500 – índice das 500 maiores empresas dos EUA e o maior mercado de capitais do mundo.

Já adianto, consigo mentir pra você usando o dado que eu quiser? Posso justificar compra, venda e ficar de fora, dependendo do meu viés. E é por isso que hoje me considero em cima do muro sobre o que fazer em relação ao índice lá fora.

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Sobre o parágrafo acima, recomendo a leitura do livro “Mentindo com Estatística” que traz na capa o comentário feito pelo Bill Gates – “Mais relevante que nunca”.

Sabe aquele conflito de interesse de pessoas que trabalham no mercado? Que recomendam? Que dão cursos e outros? Estou aqui com a maior sinceridade do mundo para apresentar dados que justificam a compra ou a venda. A partir daí, como em qualquer investimento, a decisão está nas suas mãos.

De janeiro a abril deste ano, o índice registrou o 3° pior retorno em toda sua história: 13,3% de queda, atrás apenas do mesmo período em 1932 (28,2%) e do primeiro quadrimestre de 1939, com queda de 16,8%.

Ninguém esperava isso, pois se esperassem já estaria no preço, concorda? A guerra entre Rússia e Ucrânia mais longa que esperado, o preço das commodities em gangorra, inflação subindo no mundo inteiro sem previsão para terminar e a volta do lockdown na China fizeram com que todo mundo liquidasse posições para parar e reavaliar o cenário. Exatamente o que estamos fazendo aqui.

Do lado negativo…

Os títulos americanos de 10 anos bateram no maior patamar desde dezembro de 2018. Enquanto  escrevo esse artigo, eles estão subindo e encostando na taxa de 3%, pois o mercado especula que o Fed pode ser mais agressivo do que esperado ou trazer maiores preocupações em relação à inflação.

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Paralelamente, a liquidez no mercado de ações americanas também busca mínimas alcançadas em janeiro de 2020.

A preocupação com o aumento da inflação é mundial e isso traz atitudes de aperto monetário em todas as economias no mundo, com alta dos juros e trazendo maior interesse de investidores para mercados sem risco. E agora com taxas atrativas como o dólar e o titulo americano.

Juros altos se resumem a maior custo de capital para empresas que devem diminuir a expansão e também crescimento da base de clientes, já que o custo de aquisição deles será maior. Isso importa muito, pois as maiores empresas do S&P são empresas “techs” como Apple, Microsoft, Amazon e Google. Custo mais alto é igual à menor crescimento e ajuste no valor por ação.

Graficamente, e analisando o fluxo, o cenário não é o dos mais bonitos. Enquanto o DXY (cesta do dólar contra principais moedas) continua subindo, mostrando saída de capital do mundo inteiro e corrida para o dólar, o S&P 500 testa um suporte gráfico importante de 4.200 pontos que, se perdido, deve testar 3.800.

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A curva de juros de 2 anos com 10 anos nos EUA também preocupa! Geralmente temos como ideia que investimentos mais longos remuneram mais. Agora, se o titulo de curto prazo paga mais, quer dizer que o cenário no curto é desafiador, mais preocupante que no longo, que tende a se recuperar.

Quando esse movimento acontece (e estamos quase), a chance é quase certa de uma recessão para os próximos 12 a 18 meses.

Do lado positivo…

Já se fala em pico de inflação nos EUA. Seria ainda um valor alto e que demandaria de juros mais altos por um longo período (mais ou menos 5% até ano que vem) mas já estaríamos vendo uma luz no fim do túnel.

Recessão, por pior que seja, é um aliado na hora da queda da inflação, já que haverá menor consumo e provavelmente um equilíbrio entre oferta e demanda.

Podemos ter ainda como futuros pontos positivos o fim da guerra entre Ucrânia e Rússia, que devem trazer baixa para as commodities, e o lockdown na China, que deve ajudar na retomada da produção e logística no mundo todo.

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Comentei no começo que esse é o terceiro pior começo de ano da história dos EUA. O lado positivo é que, em 70% das vezes em que tivemos um começo de ano negativo, o período restante trouxe uma alta de 10%. Não quer dizer que daqui pra frente subirá 10%, mas podemos ver mais baixa e uma eventual recuperação.

O mercado já caiu forte e por conta disso podemos afirmar que parte dos pontos negativos já estão precificados.

Em relação às ações, o estrategista-chefe da XP Inc, Fernando Ferreira, chama a atenção para as ações da Nasdaq (bolsa de tecnologia dos EUA):

Quase 50% das ações caem +50%

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20% caem mais de 75%

Várias já caem mais de 90%

Outro ponto que podemos usar para justificar que parte está no preço é o fato do índice de Medo & Ganância da CNN mostrar que o mercado está com Medo, equivalente a 28 pontos em uma escala de 0 a 100 em que 0 é “extremamente com medo” e 100 é “exatamente ganancioso”.

E ai, você compra ou vende?

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Há muito mais para falar e por isso farei uma live, aberta a perguntas, para discutir e trazer mais dados referente ao Cenário Global! Convite e informações lá no meu Instagram @vmiziara.

Um abraço!

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