

Oito em cada dez brasileiros precisaram fazer cortes no orçamento para fechar as contas em 2021, aponta uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, em parceria com a Offer Wise Pesquisas, divulgada na última semana.
Desse grupo, 59% redirecionaram o dinheiro para pagamento de contas do dia a dia, enquanto 35% para contas em atraso.
O impacto da pandemia da covid-19 no orçamento familiar, com o aumento do desemprego e inflação, levou 51% dos brasileiros a acreditar que as condições econômicas pioraram em relação a 2020, antes do início da crise sanitária.
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A CNDL entrevistou 600 brasileiros com idade maior ou igual a 18 anos, em diferentes regiões do país. A pesquisa aponta ainda que quatro em cada dez brasileiros avaliam que a própria condição financeira piorou em 2021.
Nesse grupo, 60% consideram que o salário não aumentou na mesma proporção dos preços dos produtos e serviços – o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado chegou a 10,06% em 2021, o maior valor de inflação desde 2015.
Outros 44% tiveram redução da renda familiar e 35% ficaram desempregados ou tiveram alguém da família que perdeu o emprego nesse período.
José César da Costa, presidente da CNDL, destaca que apesar de a vacinação contra a covid-19 estar avançando, as consequências econômicas e sociais da pandemia ainda impactam na renda da população. “O desemprego elevado é, sem sombra de dúvidas, um dos grandes desafios a serem enfrentados pelo País e isso está ligado diretamente ao retorno do crescimento econômico, que ainda não alavancou. A renda da população foi fortemente afetada nos últimos dois anos e isso, somado aos preços elevados, traz insegurança para as famílias”, afirma em nota.
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Com o aperto financeiro, 40% dos entrevistados renunciaram a produtos ou serviços que costumavam comprar, enquanto 32% tiveram que fazer uso de alguma reserva de dinheiro que possuem.
Temor com o futuro
A pesquisa da CNDL/SPC Brasil mostra como a situação econômica impactou nos planos e projetos das famílias: 92% dos consumidores deixaram de realizar algum projeto que tinham para 2021, principalmente juntar uma reserva de dinheiro (29%), comprar ou reformar a casa (25%), fazer uma grande viagem (25%), pagar dívidas em atraso (20%) e comprar um carro/moto (18%).
Entre as principais justificativas estão o aumento dos preços, a redução da renda ou a insegurança com o futuro.
As incertezas com a recuperação da economia do País afetam nove em cada dez brasileiros, que afirmaram na pesquisa possuir algum temor quanto a sua vida financeira em 2022.
Já 52% teme não conseguir pagar as contas e 39% não ser possível guardar dinheiro; 24% receia precisar abrir mão de consumir o que gosta e 24% teme não conseguir um emprego.
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A maior parte dos entrevistados espera, ainda, que a economia se recupere com o avanço da vacinação. Entre os pessimistas, porém, há um temor de que o governo não realize as reformas necessárias para desenvolver a economia do País – o que respingaria no futuro das finanças pessoais.