Nos últimos anos, maratonas, corridas de rua e a prática esportiva, de modo geral, ganharam tração nas redes sociais e no discurso de parte do mercado financeiro, especialmente nos círculos da Faria Lima.
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Nos últimos anos, maratonas, corridas de rua e a prática esportiva, de modo geral, ganharam tração nas redes sociais e no discurso de parte do mercado financeiro, especialmente nos círculos da Faria Lima.
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À luz dos dados da pesquisa “O Corre do Brasileiro”, da Creditas, em parceria com a Opinion Box, essa estética da performance vai de encontro ao comportamento.
Para 71% dos brasileiros ouvidos pelo instituto, há uma ligação direta entre saúde física e sucesso financeiro.
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Outros 51% afirmam que a atividade física melhora objetivamente a tomada de decisões relacionadas ao dinheiro, sugerindo que o equilíbrio do corpo pode influenciar a forma como se lida com risco, consumo e planejamento.
Nesse contexto, a disciplina aparece como ponto de contato entre os dois universos.
O exercício regular está associado a maior foco em objetivos de longo prazo, citado por 34% dos entrevistados, além de menor impulsividade, apontada por 28%, e mais consistência na execução de planos, mencionada por 27%.
Em outras palavras, atributos cultivados no treino passam a operar também na gestão do orçamento, como se o hábito físico ajudasse a organizar não apenas o corpo, mas a lógica de decisão.
A corrida, em particular, sintetiza esse paralelo. Entre os praticantes, 64% afirmam que a disciplina do esporte impacta diretamente a organização financeira, enquanto 63% dizem ter melhorado sua relação com o dinheiro desde que passaram a se exercitar.
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Não por acaso, a modalidade aparece entre as mais associadas a esse processo de ajuste de hábitos, atrás apenas de musculação e caminhada em adesão. A lógica é de repetição e constância, elementos que, no limite, aproximam o treino de uma forma aplicada de planejamento.
Esse movimento, contudo, não é homogêneo e carrega um recorte social relevante.
Nos grandes centros e polos financeiros, a corrida ganhou status de extensão da performance profissional, com grupos organizados, presença crescente em competições e influência visível na moda corporativa, cada vez mais permeada por vestuário esportivo.
Nesse ambiente, correr se associa à ideia de produtividade e alta performance. Fora dele, a expressão assume outro peso.
Para uma parcela significativa da população, correr funciona como metáfora de urgência, uma tentativa de equilibrar contas em um cenário de renda pressionada e baixa previsibilidade, em que mais da metade dos brasileiros não possui sequer reserva financeira.
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Segundo Guilherme Casagrande, o elo entre esses mundos está no comportamento exigido pela prática:
“O brasileiro até tenta se planejar, mas o problema é que o cenário muda o tempo todo. Sem previsibilidade, o planejamento deixa de ser execução e passa a ser reação, e isso gera uma sensação constante de instabilidade”, afirma.
Nesse contexto, rotinas que reforçam disciplina e constância tendem a funcionar como âncoras, ainda que não eliminem as restrições estruturais.
O dado de que 54% relatam maior desgaste mental do que físico no trabalho ajuda a fechar o quadro. O corpo passa a operar como tentativa de compensação de um cansaço que ultrapassa a recuperação muscular.
É a exaustão psicológica que condiciona decisões, inclusive financeiras, deslocando o papel do exercício para além da saúde e aproximando-o de uma estratégia de organização da vida financeira.
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