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Comportamento

Evite decisões ruins em momentos de Bolsa volátil com estas dicas

Com o ciclo de aperto monetário, os mercados globais deixam os investidores em alerta

Por Daniel Rocha

18/06/2022 | 4:01 Atualização: 18/06/2022 | 10:05

(Foto: Envato Elements)
(Foto: Envato Elements)

O ciclo de aperto monetário não deve dar trégua no curto prazo, o que deve exigir do investidor paciência na hora de alocar o seu capital. Na quarta-feira (15), o Banco Central (BC) elevou a taxa Selic para o patamar de 13,25% ao ano. A nova alta tem forte impacto para os investimentos em renda variável e estimula a transferência do capital para os ativos de renda fixa.

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Nos Estados Unidos, a situação é semelhante. Também na quarta (15), o Federal Reserve (Fed), autoridade monetária norte-americana, elevou para 0,75 ponto porcentual a taxa de juros para conter o aumento da inflação no país. O Banco Central Europeu também deve iniciar o seu ciclo de aperto monetário nos próximos meses.

O resultado desse movimento é o baixo desempenho dos principais índices acionários do mundo. Segundo dados de Einar Rivero, gerente de relacionamento da plataforma TC/Economatica, o índice do IBOV acumula uma queda de 2,6%, enquanto o índice Nasdaq, que representa o setor de tecnologia no mercado norte-americano, registra uma desvalorização de 30,7%. Já o S&P 500 caiu 21,6% durante o mesmo período.

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Diante desse cenário, o investidor precisa conter os ânimos para não adotar decisões impulsivas que possam prejudicar os rendimentos das aplicações financeiras. Para te ajudar nesta missão, o E-Investidor consultou alguns analistas do mercado financeiro e selecionou algumas dicas que podem ser essenciais neste momento de incertezas. Confira:

Não haja por impulso

Em momentos de intensa queda da Bolsa, a primeira ideia que pode passar na cabeça de qualquer investidor é desfazer a posição em um determinado ativo em baixa. No primeiro momento, a possibilidade pode até fazer sentido quando o medo de perder mais dinheiro predomina. No entanto, essa sensação pode levar o investidor a agir por impulso, comprometendo a estratégia de investimento.

“O investidor vê a bolsa caindo e pensa: ‘está todo mundo vendendo’. Então, inconscientemente, adota o mesmo comportamento influenciado pelas outras pessoas. É o que a gente chama de efeito manada”, ressalta Fernando Bueno, especialista em investimentos da Ágora Investimentos.

O efeito manada, na avaliação de Luiz Fernando Araújo, CEO da Finacap Investimentos, também é causado pelo bombardeio de informações que o investidor tem acesso. Devido ao grande volume de eventos e de notícias negativas, cria-se uma narrativa pessimista para os investimentos. No entanto, de acordo com ele, essas perspectivas têm efeitos de curto prazo.  “Então, se você tomar decisões com base nessas narrativas pessimistas, provavelmente você irá cometer equívocos graves”, avalia Araújo.

Tenha bons fundamentos de investimentos

As notícias negativas para os investimentos devem ser acompanhadas por todos os investidores, exatamente para avaliar se aquele evento tem impacto de curto prazo ou se podem afetar o fundamento das suas aplicações. Segundo Ana Paula Hornos, psicóloga, educadora financeira e colunista do E-Investidor, são nesses momentos que o investidor precisa se voltar para as premissas que o levaram a investir em uma determinada ação ou produto financeiro.

“Uma vez montada uma estratégia clara de investimento, a partir de um bom estudo dos fundamentos dos ativos, o investidor pode usar ordens limitadas (instrução de compra e venda de ativos no Home Broker) para afastar-se do calor da ‘tela’ e manter a coerência da sua estratégia inicial”, afirma Hornos.

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Por esse motivo, a sugestão de Marcel Scalcko, CEO e fundador do grupo Scalco, empresa de consultoria em geração para alta performance, é que a análise do investidor esteja baseadas em boas fontes de informação para conseguir projetar o impacto de um cenário pessimista para os seus investimentos.

“As ações estão caindo hoje, há dois dias ou há uma semana, mas qual é a verdade (sobre o investimento)? Um bom investidor não se baseia em boatos ou em efeitos manadas. Ele baseia as suas verdades por meio de leituras, pesquisas e análises. Ele consulta outros mentores e investidores”, destaca.

Bolsa de valores não é crença

Apesar dos analistas ressaltarem que o segredo de um bom investimento vem de boas análises e fundamentos, alguns investidores insistem em acreditar em ‘crenças’ na hora de investir e buscam até afirmações (nem sempre verídicas) para sustentar o próprio pensamento. Como as recentes quedas do Ibovespa, Evandro Bertho, sócio da Nau Capital, afirma que alguns investidores acreditam que a Bolsa pode subir na mesma proporção em curto período de tempo sem ter um fundamento para explicar a afirmação.

“Como diz Howard Marks (sócio fundador e vice-presidente da Oaktree Capital Management, maior empresa de private equity do mundo),  subprecificado está longe de ser sinônimo de valorização em breve. Esse tipo de miopia faz com que pessoas vendam ativos de uso cotidiano (carros, apartamentos etc.) para comprarem maiores posições”, afirma Bertho.

Por isso, Bueno recomenda ao investidor sempre analisar se há informações suficientes para sustentar essas projeções. “É importante que o investidor consiga informações de diversas fontes, mesmo de fontes que vão no sentido contrário ao que a pessoa está acreditando naquele momento”, recomenda.

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