Segundo levantamento da Travelex Confidence, a divisa avançou 17,28% em relação a 2024, mas ainda ficou abaixo do nível recorde de 2023, ano pós-pandemia marcado por pico histórico no turismo internacional. Jorge Arbex, diretor do Grupo Travelex, ressalta: “Com o dólar mais barato, viajar e gastar fora do país ficou mais acessível, e isso se refletiu diretamente no volume de operações de câmbio”.
Turismo e eventos esportivos impulsionam demanda
Além da desvalorização do dólar, fatores comportamentais e culturais também impulsionaram a procura por moeda. Os brasileiros que não se interessaram em tirar fotos com o Mickey ou em ver de perto os painéis luminosos de Nova York começaram a considerar assistir à seleção brasileira ao vivo. O Mundial de Clubes nos EUA, realizado entre junho e julho, levou mais de 25 mil torcedores brasileiros ao país e provocou picos pontuais de compra de dólares.
A expectativa para a Copa do Mundo de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, México e Canadá, já começou a influenciar o comportamento dos viajantes. Muitos aproveitaram momentos de baixa cotação para comprar dólares de forma gradual, planejando com antecedência os gastos da viagem, segundo a Travelex.
Mercado de câmbio se diversifica
Apesar do domínio do dólar, outras moedas ganharam espaço no mercado:
| Moeda |
Posição |
% do volume em 2025 |
Variação vs 2024 |
Variação vs 2023 |
| Dólar (USD) |
1º |
51,74% |
17,28% |
-13,59% |
| Euro (EUR) |
2º |
38,52% |
7,9% |
-11,57% |
| Libra Esterlina (GBP) |
3º |
3,26% |
-1,76% |
-23,66% |
| Dólar Canadense (CAD) |
4º |
2,97% |
4,3% |
-25,85% |
| Iene (JPY) |
5º |
1,13% |
-13,55% |
-4,2% |
| Dólar Australiano (AUD) |
6º |
0,88% |
-13,15% |
-30,35% |
| Franco Suíço (CHF) |
7º |
0,58% |
-3,35% |
-1,42% |
| Peso Chileno (CLP) |
8º |
0,5% |
-7,2% |
9,81% |
| Peso Colombiano (COP) |
9º |
0,23% |
5,51% |
7,79% |
| Peso Argentino (ARS) |
10º |
0,18% |
-4,47% |
-37,09% |
O iene japonês se manteve no top 5 pelo segundo ano consecutivo, refletindo o interesse crescente pelo Japão, impulsionado pela isenção de vistos desde 2023.
Transferências internacionais seguem padrão de planejamento
Em 2025, 36% do volume de operações de câmbio se referiu a transferências entre contas da mesma pessoa física ou jurídica, categoria também chamada de disponibilidade de recursos no exterior, com ticket médio de R$ 27,9 mil. Esse tipo de operação cresceu 32,2% em relação a 2024 e 12,3% frente a 2023, refletindo a maior propensão dos brasileiros a planejar e organizar recursos no exterior.
Nos corredores de envio, os Estados Unidos lideraram com 42,45% do volume, seguidos por Portugal, com 15,43%. No fluxo inverso, considerando a origem dos recebimentos no Brasil, os EUA também ficaram na primeira posição, com 64,01% das operações, à frente de Alemanha (10,67%) e Canadá (6,16%). Esses dados reforçam que o mercado de transferências internacionais segue altamente estruturado, com foco em planejamento financeiro e movimentação estratégica de recursos por pessoas físicas e jurídicas.
Comportamento do consumidor dita o ritmo do câmbio
O retrato de 2025 confirma que o câmbio de varejo brasileiro está cada vez mais ligado ao comportamento do consumidor e menos a movimentos puramente financeiros. Viagens, grandes eventos e planejamento de longo prazo continuam moldando o mercado. Quando o dólar fica mais barato, ele se torna proporcionalmente mais atraente e movimenta ainda mais o varejo cambial.