Sinais suscetíveis de corte de juros ainda atrai o investidor estrangeiro para o Brasil. (Arte: Victoria Fuoco/Imagens: Adobe Stock)
O mercado brasileiro continuará atraente para o investidor estrangeiro, segundo o estrategista de ações da XP, Raphael Figueredo. Isso porque, ressalta ele, as premissas de queda de juros no Brasil ainda estão em pauta, mesmo com o recente movimento de aversão ao risco. Para Figueredo, o que se discute é a intensidade do afrouxamento monetário, e não se isso irá ocorrer.
“A necessidade do mundo de diversificar os seus recursos, com a saída do mercado americano, torna o Brasil um grande candidato a atrair esse capital”, diz Figueredo à Broadcast.
E por que é um candidato? Segundo Figueredo, é pelo fato de o País ainda ser considerado “barato” aos olhos do investidor.
Hoje, o valuation medido pelo preço/lucro (P/L) está rodando em sua média histórica, em 11,5 vezes, mas a métrica veio de uma base fraca nos últimos anos.
Para o estrategista, a atração recente de recursos externos, cuja entrada na B3 em 2026 já soma R$ 41,7 bilhões, decorreu de uma percepção de que os múltiplos locais estavam atraentes. Ou seja, a entrada de dinheiro estrangeiro não foi causada pelo que Figueredo chama de fluxo “oportunista”.
“O movimento começou por reprecificação estrutural associada à mudança de regime macroeconômico global e especialmente à expectativa de queda de juros domésticos. O fluxo veio depois, como acelerador”, afirma.
“A conclusão é simples, mas poderosa: o preço sinaliza a mudança de regime. O fluxo consolida e amplia. Ignorar essa sequência é confundir causa com consequência. O mercado mudou primeiro. O capital confirma depois.”
Figueredo ressalta que, relativamente aos pares, o Brasil ainda está barato, mesmo tendo o Ibovespa voltado a rodar em sua média histórica. “É o caro que continua atrativo, por razões de perspectivas positivas no futuro”, diz.
Entre os mercados que concorrem com a Bolsa brasileira estão a Colômbia, o México e a Coreia do Sul.
No caso da Colômbia, ele acrescenta que o mercado opera com um P/L de cerca de 12,5 vezes. Na Coreia do Sul, a predominância de ativos mais ligados à tecnologia e à Inteligência Artificial (IA) torna a bolsa mais cara.
Já o Brasil é um mercado mais “estático”, com as commodities e o setor bancário dando o tom das negociações. Além disso, é o maior mercado da América Latina, ressalta o estrategista de ações. Nem mesmo o fator eleição tem tirado o interesse do investidor do mercado brasileiro.
“Por enquanto, o trade eleitoral ainda não está na conta”, disse Figueredo.
Segundo ele, as perspectivas macroeconômicas, como queda dos juros, e a necessidade de alocar recursos em outros ativos além dos Estados Unidos dão o tom dos negócios neste momento.