Comportamento

O que investidores podem aprender com agosto para lucrar em setembro?

Na pressa por bons resultados, investidores acabaram apostando suas fichas em cenários que ainda não se concretizaram

O que investidores podem aprender com agosto para lucrar em setembro?
Foto: Envato Elements
  • Agosto não foi nada fácil. Diferente do que o mercado esperava no final de julho, o primeiro corte da Selic em três anos não impulsionou o Ibovespa, que registrou 13 quedas consecutivas já no início do mês
  • Os motivos vêm de fora, com EUA e China em baixa, e de dentro, com incertezas fiscais e uma temporada de balanços decepcionante
  • É das dificuldades, porém, que surgem os maiores ensinamentos. Por isso, junto com especialistas, o E-Investidor destacou as principais lições desse mês para os investidores

Agosto não foi nada fácil para o mercado financeiro. Diferente do que o mercado esperava no final de julho, o primeiro corte da Selic em três anos não impulsionou o Ibovespa, que registrou 13 quedas consecutivas já no início do mês.

Trata-se do pior agosto para o principal índice da B3 desde 2015, segundo levantamento feito por Einar Rivero, head comercial do TradeMap. Os motivos vêm de fora, com EUA e China em baixa, e de dentro, com incertezas fiscais e uma temporada de balanços decepcionante.

É das dificuldades, porém, que surgem os maiores ensinamentos. Ao analisar agosto junto com especialistas, o E-Investidor destacou as principais lições do mês pensando nos investidores.

1. Cuidado com a animação antes do tempo

Na pressa por bons resultados, muitos investidores acabam apostando suas fichas em cenários que ainda não se concretizaram. Foi o que aconteceu em agosto. Como o corte de juros é historicamente positivo para os ativos de risco, como as ações, os investidores apostaram num cenário de alta do Ibovespa, o que não aconteceu.

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“Espere um pouco antes de se posicionar. São nesses momentos de euforia que as pessoas perdem muito dinheiro”, comenta Lucca Ramos, sócio da One Investimentos.

Nesse sentido, Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, explica que as movimentações da renda variável não são lineares. “A volatilidade faz parte do processo. Por isso, investimento de risco é apenas para quem tem mais propensão a risco”.

2. Fique esperto durante a temporada de balanços

Além dos eventos macroeconômicos, agosto foi marcado pela divulgação dos resultados do 2° trimestre de diversas empresas listadas na bolsa. Segundo Ramos, é importante tomar cuidado com os meses de balanços, porque eles mexem muito com o preço do mercado.

Nesse caso, o período de balanços convergiu ainda com o corte de juros, o que levou muitos investidores a esperarem melhores resultados corporativos de forma precipitada. “Corte de juros não é um remédio de curto prazo. Vai demorar para as empresas pegarem tração e seus dados melhorarem, especialmente as varejistas”, diz o especialista.

3. O cenário externo importa

O principal gatilho para as quedas do Ibovespa em agosto veio de fora, segundo especialistas. A crise no setor imobiliário da China, um dos principais motores do país, o aumento de juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) no final de julho, entre outros fatores, provocaram a saída de capital estrangeiro do Brasil e desânimo na bolsa brasileira.

“Somos totalmente dependentes do mercado internacional, em especial do americano”, pontua Fabrizio Gueratto, especialista em investimentos, além de colunista do E-Investidor.

Segundo Gueratto, a perspectiva atual de que haverá mais aumento nos juros da maior economia do mundo fez com que muitos investidores migrassem da B3 para lá, o que afetou o cenário interno. Por isso, menosprezar a influência do cenário externo é um erro.

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O impacto da China também foi forte. O baixo apetite da maior consumidora de commodities do mundo reverberou em diversas empresas da B3, com destaque para a Vale (VALE3), gigante do setor de mineração com grande influência no Ibovespa. “Sem um cenário positivo para as commodities, o mercado brasileiro não tem força”, pontua Gabriel Mota, operador de renda variável da Manchester Investimentos.

Não dá pra investir no Brasil só pensando no Brasil, completa Rachel de Sá, chefe de economia do Rico, sobre o assunto. “O Brasil é só 3% do PIB global, 2% do mercado de renda fixa e 1% do de ações. Muito do que acontece aqui é reflexo de fora”.

4. Diversificação é segurança

Apostar em uma só resposta é muito mais arriscado, já que quando ela não vai bem, você fica de mãos abanando. Por isso, um dos mandamentos no universo dos investimentos é a diversificação de ativos na carteira.

Segundo de Sá, o investidor que tinha na sua carteira apenas ações da B3, com certeza sofreu mais esse mês. “Caso ele tenha diversificado seus investimentos em outras categorias como renda fixa, fundos de investimento, fundos multimercado e investimentos internacionais, por exemplo, ele com certeza sentiu menos impacto no bolso”.

Em relação à renda fixa, Gueratto insiste que essa categoria deve estar sempre presente na carteira do investidor, seja em cenários de baixa ou alta do Ibovespa. “Se você só tem renda variável na carteira, fica mais difícil fazer rebalanceamento, isto é, reorganizar os ativos quando o cenário pede”, explica.

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