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Comportamento

O que o pôquer tem em comum com os negócios

Empreendedores e investidores também devem ter em mente o cálculo de risco

Mesa de pôquer (Foto: Joe Giron/Divulgação)
  • A sorte, obviamente, cumpre seu papel no pôquer, mas não é exagero afirmar que, aqui, ela exerce um papel minoritário
  • Uma das principais características do pôquer é o cálculo de riscos. Algo que empreendedores e investidores também devem ter

(Murilo Basso/Especial para o E-Investidor) – O pôquer, com torneios que chegam a distribuir mais de US$ 1 milhão em prêmios, é conhecido como um jogo de cartas que exige muita disciplina, pesquisa e resiliência por parte do praticante. A sorte, obviamente, também cumpre seu papel, mas não é exagero afirmar que, aqui, ela exerce um papel minoritário. Não é à toa se fala tanto em cálculos matemáticos aplicados ao pôquer – e matemática é estudo e prática, nada de sorte.

É possível, nesse sentido, traçar um paralelo interessante entre jogar pôquer (de maneira séria, óbvio) e investir num negócio. Embora muitos acreditam que empreendedores de sucesso possam, simplesmente, ter dado sorte com uma ideia que se transformou em empresa, a verdade é que investir envolve muitas variáveis.

Confira em que medida esse jogo de cartas se assemelha a mergulhar num novo negócio:

1. Cálculo de riscos e estratégia

Uma das principais características do pôquer é o cálculo de riscos. Cada jogada no pôquer é calculada, cada carta distribuída pelo crupiê é analisada com cautela por quem a recebe, para que se possa fazer a melhor jogada possível. Numa empresa também é assim. Empreender envolve, invariavelmente, riscos. Não existe investimento sem riscos e sem nenhum tipo de erro. É ilusório acreditar que, numa companhia, tudo sairá exatamente como foi planejado. É possível, entretanto, lançar mão de estratégias a fim de minimizar tais riscos.

Aqui, não existe segredo: planejamento e preparo são essenciais. O empreendedor precisa estudar o mercado no qual ele vai atuar, identificar as oportunidades que estão colocadas, identificar quem é o público-alvo, a quem ele deseja atender e também observar e entender o comportamento dos potenciais concorrentes.

“No pôquer é a mesma coisa: o jogador busca a todo momento ler os seus adversários e identificar objetivos e estratégias deles. É fundamental, nesse sentido construir uma imagem mental do cliente – no pôquer, seria da mesa, das cartas que estão colocadas e de quais são os possíveis jogos que surgem a partir daquelas cartas. Isso tudo é o planejamento que vai trazer. Lembrando que o pôquer é um jogo de soma zero, então maximizar os ganhos esperados significa também minimizar as perdas”, explica o economista Alexandre Gaino, da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-SP), que desenvolve pesquisa sobre a Teoria dos Jogos a partir do pôquer.

Nos negócios, a estratégia nada mais é do que uma organização dos recursos, sejam humanos ou econômicos, que precisam ser aplicados para se alcançar um resultado. Por isso, esse planejamento deve começar com uma definição de qual é o objetivo principal desse negócio.

2. Estudo, estudo e estudo

Grandes jogadores de pôquer dizem que nunca param de estudar e de praticar. No pôquer, afinal, até o olhar e as expressões faciais precisam ser treinadas, pois podem entregar muito sobre o jogo. O mesmo vale para um empreendedor. Um empresário que se acomoda e não se interessa por pontos como pesquisar tendências atuais de mercado, adequar-se a novas plataformas, entender se a necessidade do consumidor mudou desde que a companhia foi lançada, entre outros, está fadado a fracassar.

“O empreendedor não pode parar nunca de estudar e de buscar entender o meio onde ele está inserido, pois esse meio muda. O consumo, a concorrência e as tecnologias mudam. Antes de mais nada, o empreendedor precisa estar atento ao que ocorre ao seu redor. Talvez ele até consiga sobreviver sem essa capacidade de observação, mas quando isso acontece, eu colocaria a responsabilidade no acaso”, afirma o administrador Filipe Campelo, professor da Escola de Gestão e Negócios da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).

O professor diz que há vários cursos e iniciativas acessíveis voltadas a capacitar o empreendedor, como as oferecidas pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Em tempos de pandemia e isolamento social, ainda, vale ficar de olho em lives abertas de empreendedores. Segundo Campelo, o empresário pára de estudar, não no sentido formal, mas no de querer sempre aprender, está fadado a desaparecer.

3. Muitas vezes, os recursos são limitados

Ainda que cálculo de risco, montar uma boa estratégia e nunca parar de estudar sejam fundamentais para que se faça um bom jogo de pôquer, não há como escapar 100% do fator sorte. Muitas vezes, as cartas recebidas não são aquelas com as quais o jogador contava. É preciso, aqui, fazer “do limão uma limonada” e montar o melhor jogo possível com os naipes que se tem em mão. Numa empresa, não é incomum que os recursos sejam limitados e o empreendedor precise aplicá-los da melhor forma possível.

“No pôquer, não escolhemos as cartas que recebemos. A criatividade, então, é saber usar aquilo que lhe foi dado da melhor forma possível e de uma maneira nova, inovadora. Isso é bastante importante, mas envolve riscos. Quando o mercado se torna volátil, graças às inconstâncias do ambiente econômico e político, essa incerteza e ausência de informação para a tomada de decisão cria o que a gente chama de ‘ambiente de pressão’, de incerteza e com informações incompletas. A experiência traz um ensinamento importante: passar por situações várias vezes vai nos preparando para identificar oportunidades e ameaças no futuro”, pontua Alexandre Gaino, da ESPM.

Para tanto, é preciso que se faça um bom planejamento e que as decisões sejam tomadas de forma tranquila, sem afobação. Investimentos feitos no “calor do momento” podem muito bem dar errado – assim como uma jogada mal calculada na mesa de pôquer.

4. Rápida adaptação

Uma característica marcante do pôquer diz respeito à adaptação que o jogador precisa fazer em relação a quem está com ele na mesa e às diferentes opções de jogos que se apresentam. Adversários possuem perfis e características diferentes, então é importante “lê-los” bem.

Sobreviver no mercado também exige adaptação. Não raro o empreendedor precisa lidar com situações que mesmo com todo o planejamento do mundo não eram possíveis de prever – é só observar a o cenário causado pandemia do coronavírus. Crises abruptas fazem o comportamento do consumidor mudar e exigem que a empresa seja capaz de dar conta dessa mudança. A resiliência, seja nos negócios ou no pôquer, é fundamental.

“A adaptação é muito necessária numa mesa de pôquer. A gente se adapta a diferentes situações, às cartas que nos vêm à mão, nos adaptamos a diferentes jogadores, a diferentes estilos de jogos. A ruína de um jogador é tomar sempre a mesma decisão na mesma circunstância. Quando você é lido pelo seus oponentes, as chances de vencer o jogo são muito menores”, diz Gaino.

Assim como no pôquer, o economista diz que também é interessante que o empreendedor procure aprender com seus pares. Quando você é iniciante no jogo, trocar ideias com praticantes veteranos pode ser de grande ajuda. Nos negócios, o empresário pode considerar ter um mentor. “Conseguir achar uma pessoa que tenha experiência com empreendedorismo pode ser uma ideia bastante interessante. Os mentores podem ajuda o empresário a tomar decisões e auxiliá-lo no trato de situações delicadas. Eu diria que a mentoria é uma alternativa bastante viável”, complementa.

5. Pressão constante

Pessoas muito ansiosas – e que não conseguem controlar a sua ansiedade – nunca vão conseguir ser boas no pôquer. O jogo envolve uma pressão constante e o jogador precisa estar atento ao que acontece ao seu redor absolutamente o tempo todo. Uma distração, um deslize por desatenção pode colocar tudo a perder. O mercado também é uma “selva” e as pressões vêm de todos os lados: sócios, colaboradores, fornecedores, investidores externos, consumidores… É preciso parar, respirar e reagir com a maior calma possível, por mais que a sensação que o empresário tenha é de que está sendo bombardeado.

“O empreendedor precisa saber qual é o momento de parar para respirar e compreender o que está acontecendo. A tranquilidade é uma chave para um boa tomada de decisão. Deve-se avaliar os riscos associados e tentar prever os cenários. Não à toa conceitos de meditação têm sido trazidos para o contexto organizacional”, conta Filipe Campelo, da Unisinos.

6. Blefar ou não blefar?

O blefe talvez seja a maior polêmica do pôquer. Segundo o site The Social Poker, dedicado ao jogo, “blefar é fazer uma aposta ou aumento em posse de uma mão fraca ou nula, na esperança de que os jogadores ativos remanescentes correrão”. Embora muitos torçam o nariz para a prática, ela não é proibida – e há quem afirme que um bom blefe é a chave para ganhar o jogo. E nos negócios? É permitido blefar?

“A questão do blefe é controversa. Eu não considero, particularmente, que o blefe seja mal visto no pôquer. É uma das ferramentas do jogador, uma das armas que ele tem durante o jogo. É óbvio que quando a gente fala de blefe é preciso ter bastante clareza, qual é a analogia que estamos fazendo. O blefe não é uma ação ilegal e nem mesmo imoral dentro da lógica no jogo. No mundo dos negócios, eu não acho que a gente deva blefar com os nossos clientes, parceiros, fornecedores, pois o que queremos é estabelecer uma relação de longo prazo com eles”, opina Gaino.

No mesmo sentido, Campelo lembra que estamos vivendo em um contexto no qual os próprios consumidores começam a valorizar cada vez mais quem são seus fornecedores, marcas preferidas e como elas se comportam em determinadas situações. Neste momento de pandemia do coronavírus, empresas que têm sido mais transparentes estão colhendo melhores frutos. Talvez o blefe no mundo empresarial já tenha sido aceito no passado, mas hoje, melhor não.

7. A vitória nem sempre é garantida

Ninguém gosta de perder, mas um jogador de pôquer deve ter em mente que nem todo dia é dia de vitória. Perder no jogo faz parte. Um empreendedor também precisa saber que um negócio não está imune a falhas. O importante é que se consiga aprender com os erros. Observar os erros do passado para que eles não se repitam no futuro é crucial para a sobrevivência de uma empresa.

Nesse sentido, Campelo afirma que um bom empreendedor precisa compreender que os erros trazem um grande potencial de aprendizagem. Nos negócios, ele diz que o melhor exemplo desse ponto está ligado a processos de inovação. Inovar exige rapidez, mas essa rapidez muitas vezes traz erros. Errar não vai acabar com a empresa: o importante é aprender com o erro e dar conta de corrigi-lo rapidamente.

“A gente aprende com o erro. Devemos entender que podemos errar, nem não errar sempre. Não é todo dia que chegaremos ao resultado esperado. Por um bom tempo, errar foi visto como algo negativo e associado à culpa. Hoje, a gente começa a perceber que precisa errar. Se a gente acerta sempre, muitas vezes sequer sabemos por que estamos acertando. O erro escancara propriamente quais são os pontos que não foram bem tratados de alguma forma”, finaliza.

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