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Comportamento

Por que os brasileiros estão sacando mais dinheiro da poupança?

Os brasileiros retiraram quase R$ 4 trilhões da caderneta de poupança no acumulado dos últimos 12 meses

Por Daniel Rocha

19/03/2024 | 3:00 Atualização: 19/03/2024 | 14:44

(Foto: Envato Elements)
(Foto: Envato Elements)

A caderneta de poupança ainda permanece como o investimento mais popular entre os brasileiros, mas tem sofrido com os altos volumes de saques em um intervalo de um ano. Segundo dados da Elos Ayta Consultoria, quase R$ 4 trilhões foram resgatados pelos investidores em 12 meses terminados em fevereiro de 2024. O volume das retiradas é cerca de R$ 67 bilhões a mais que a soma de todos os depósitos durante o mesmo período. A situação pressiona as taxas do financiamento imobiliário.

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O uso da reserva financeira para o pagamento de dívidas em atraso corresponde o principal motivo para esse comportamento. Mas há aqueles também que retiraram os recursos da poupança em busca de investimentos com retornos mais atrativos.

  • Leia também: Nova regra para renda fixa livre de IR cria alternativa para bater o CDI

Segundo levantamento da Elos Ayta Consultoria, o acumulado do volume de saques entre os meses de fevereiro de 2023 a fevereiro de 2024 superou a cifra dos R$ 3,9 trilhões. Já a soma dos depósitos alcançou o patamar de R$ 3,8 trilhões durante o mesmo intervalo de tempo. Na perspectiva dos resultados mensais, o último mês de janeiro foi o período em que os brasileiros mais resgataram os seus aportes da poupança. Foram mais de R$ 352 resgatados no primeiro mês de 2024, enquanto os novos depósitos somaram R$ 332 bilhões – diferença que resultou em captação líquida com saldo negativo de R$ 20,15 bilhões.

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Em fevereiro os resgates também prevaleceram, mas em menor peso. Segundo dados da Elos Ayta Consultoria, os brasileiros retiraram R$ 316 bilhões no mês, enquanto os novos depósitos somaram R$ 312 bilhões. Independentemente da variação dos números, os educadores financeiros apontam que a prevalência dos saques da poupança reflete, principalmente, a necessidade dos brasileiros em utilizar as suas reservas financeiras para o pagamento de dívidas.

A análise está fundamentada no tamanho da população endividada no País. Assim como os saques da poupança, o número de brasileiros inadimplentes cresceu nos últimos dois anos.  Segundo os dados da Serasa, em fevereiro de 2023 um total de 70,53 milhões de brasileiros não conseguiram honrar com as suas obrigações financeiras. Cada dívida possuía um valor médio de R$ 1.279,13. Já em janeiro de 2024, o número de brasileiros nesta situação pulou para 72 milhões, assim como  o valor médio de cada dívida, que chegou a R$ 1.410,73.

“A retirada do dinheiro da poupança tem como principal motivo situações de emergências e a pandemia (da covid-19) no Brasil agravou ainda mais esse cenário”, diz William Eid, coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV). O olhar de curto prazo do brasileiro também ajudou a empurrá-lo ainda mais para a inadimplência, já que não possui o hábito de manter um planejamento financeiro capaz de evitar novas dívidas. “Essa realidade mostra com clareza que não há educação financeira no Brasil”, acrescenta Eid.

Busca por rentabilidade afasta investidor da Poupança

A retirada dos saques para atender necessidades de emergência ainda prevalece, mas há aqueles que buscam alocar as suas reservas financeiras em investimentos mais rentáveis. Desde 2012, após decisão do Banco Central (BC), a rentabilidade da poupança varia conforme o patamar da taxa Selic. Ou seja, quando a Selic estiver igual ou abaixo de 8,5% ao ano (a.a.), o rendimento corresponde a 70% da taxa de juros mais a taxa referencial (TR). No entanto, quando a Selic estiver acima de 8,5% a.a, a rentabilidade muda e passa para 0,5% ao mês mais o pagamento da taxa referencial.

Com essas regras, os retornos da caderneta de poupança costumam perder para outros ativos de renda fixa que são indexados à taxa de juros ou à inflação e também para os ativos de renda variável. No entanto, a troca deve ser feita com cautela devido aos riscos envolvidos em cada investimento. Por essa razão, Renan Diego, especialista em investimentos e finanças pessoais, sugere como primeiro passo buscar ativos que ofereçam a mesma segurança da poupança, mas com uma rentabilidade maior.

  • Veja ainda: Quanto rende R$ 1 milhão na poupança?

“O Tesouro Selic é um investimento que classifico como uma poupança melhorada por ser um ativo seguro, mas com uma rentabilidade maior ao da caderneta mesmo com a cobrança do Imposto de Renda (IR) sobre o lucro”, diz o especialista. Os Certificados de Depósito Bancário (CBDs) com liquidez diária também entram na lista de boas opções de investimentos para quem pretende sair pela primeira vez da poupança.

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Além de ser indicado para a construção de reserva de emergência, esses títulos possuem cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que protege o dinheiro do investidor em casos de calote. “Caso a instituição financeira emissora do CDB quebre, o investidor recebe pelo fundo o montante investido, limitado à R$ 250mil”, acrescenta Diego.

* A reportagem foi atualizada com correções. Na versão anterior, os dados referentes a volume de saque, depósito e captação líquida dos últimos 12 meses estavam incorretos, inclusive na tabela. Os números não correspondiam ao resultado mensal da poupança e, sim, ao acumulado dos últimos 12 meses em cada período do ano. O texto e a tabela foram corrigidos.

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