Criptomoedas

Bitcoin vence renda fixa e Bolsa no semestre. Veja a estratégia de duas carteiras

Segundo a Economatica, o bitcoin ganhou o título de investimento mais rentável do semestre

Bitcoin vence renda fixa e Bolsa no semestre. Veja a estratégia de duas carteiras
Nos EUA, os ETFs aprovados estão impulsionando o bitcoin. (Foto: Shutterstock/Reprodução)
  • A valorização expressiva do maior ativo digital trouxe oportunidades para o investidor realizar lucros nos últimos meses
  • Segundo dados do Mercado Bitcoin, os brasileiros investem mais em criptoativos do que em ações da Bolsa de valores
  • Além disso, os brasileiros são apontados como os investidores que mais alocam parte dos seus recursos em criptoativos

Após enfrentar várias crises em 2022, quando encerrou o ano com uma queda de 60%, o bitcoin conseguiu dar a volta por cima e conquistar o título de investimento mais rentável do primeiro semestre de 2023, com valorização de 68,5%. O desempenho é mais do que o dobro da rentabilidade do mercado tradicional, como mostramos nesta reportagem. O índice de Nasdaq, por exemplo, teve uma rentabilidade de 31,7% no mesmo período. Já o Tesouro IPCA conseguiu entregar apenas um retorno de 10,5%, enquanto o Ibovespa 7,61%.

A boa fase é motivo de comemoração entre os investidores em criptomoedas, que enxergam oportunidades de realizar lucro com a alta. De acordo com as informações da Glassnode, provedora global de dados de blockchain, cerca de 77% das carteiras em criptomoedas registraram lucro de 34% para cada investidor nos primeiros seis meses do ano.

O porcentual corresponde a rentabilidade média de 44 milhões de carteiras posicionadas em bitcoin desde janeiro. No entanto, há investidores que conseguiram retornos ainda mais expressivos durante o mesmo período. Foi o caso de Felipe Martorano, analista da VG Research.

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Desde 2017, Martorano acompanha de perto os movimentos do mercado devido à sua profissão e também por manter 100% do seu portfólio em criptos. Mesmo se tratando de investimentos de alto risco, os retornos no primeiro semestre da sua carteira têm sido de 124%.

“Antes, eu investia cerca de 10% do meu portfólio em criptomoedas. Desde o ano passado faço uma alocação de 100% do meu capital no segmento”, afirma Martorano. A decisão de mudar a exposição do patrimônio aconteceu no período da guerra da Rússia e Ucrânia, no início de 2022, quando os investidores posicionados na bolsa russa ficaram com o capital preso por mais de um mês sem a possibilidade de realizar saques.

“O mercado cripto nunca fecha e é descentralizado. Ou seja, não é dependente de nenhum órgão”, diz o analista. A maior posição segue em bitcoin, algo em torno de 30%, que foi o ativo responsável por puxar a rentabilidade para cima. Os 70% da composição do portfólio estão posicionados em altcoins temáticos, como os de metaverso, finanças descentralizadas e de infraestrutura. Segundo o analista, os fundamentos estão pautados no potencial tecnológico que esses ativos podem oferecer para sociedade e que podem se valorizar com o tempo.

“Há bons projetos de metaverso com preços descontados no mercado. As finanças descentralizadas, na minha avaliação, vão absorver uma parte significativa dos grandes bancos e possuem uma eficiência de capital maior”, diz Martorano. Além disso, as altcoins costumam entregar uma retorno ainda mais expressivo em relação ao bitcoin, o que ajuda a elevar a rentabilidade da carteira.

No entanto, mesmo com o movimento de recuperação do bitcoin e de outras criptomoedas, como o ether, os analistas não recomendam estar 100% posicionados em criptos. A orientação é que os investidores diversifiquem os investimentos para não estar vulnerável apenas a um ativo ou classe de ativos.

O publicitário Renan Bonfim entende dos riscos e não expõe todo o capital em criptoativos. Mesmo com essa cautela e por ter uma posição menor, não deixou de ter lucros ao longo deste ano. “A minha carteira de criptomoedas rendeu cerca de 60%. Invisto com foco no longo prazo por entender os fundamentos do bitcoin e de outros ativos digitais bem estruturados”, afirma Bonfim. O ethereum (ETH), chainlink (LINK) e polkadot (DOT) são alguns dos ativos classificados como “estruturados” pela avaliação do publicitário.

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Segundo ele, esses ativos possuem propostas interessantes, entregam as inovações que prometem e seguem inovando. “Por falta de experiência, apostei em projetos super atraentes sem ver o time envolvido ou se seria capazes de entregar todas as promessas. Perdi dinheiro, mas tirei algumas lições”, destaca.

As recentes altas do BTC e de outras criptomoedas, como o ether, que subiu 54,3% no acumulado do ano, devem chamar a atenção dos investidores que buscam altas rentabilidades. Para quem ainda não conseguiu aproveitar o movimento de recuperação, Valter Rebelo, analista de criptoativos da Empiricus Research, avalia que ainda há espaço para se posicionar e conseguir usufruir do período de bonança. Segundo as suas estimativas, o BTC pode chegar a US$ 40 mil até o fim de 2023.

“A gente estima esse preço devido aos ciclos anteriores ao evento do halving (redução planejada nas recompensas que os mineradores recebem), quando há uma redução da oferta de bitcoin. Então, quando houver redução da oferta, a tendência é que haja uma alta dos preços”, afirma Rebelo.

O perfil dos investidores brasileiros

Os recentes ganhos devem tornar as criptomoedas ainda mais populares entre os brasileiros. Até o momento, segundo uma pesquisa feita pelo Mercado Bitcoin, enviada com exclusividade ao E-Investidor, os ativos digitais estão entre as principais aplicações buscadas pelos investidores locais. A classe de ativo, conhecida pelo seu alto risco, fica atrás apenas da poupança e possui a mesma parcela de investidores posicionados em títulos de renda fixa. As ações das companhias listadas na Bolsa de valores ficam em quarto lugar no ranking.

O estudou entrevistou 1.020 investidores brasileiros, residentes das cinco regiões do País, e que possuíam uma faixa etária entre 18 anos a 55 anos.

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Os dados mostram ainda que os investidores, assim como Martorano e Bonfim, acreditam no retorno de longo prazo dos criptoativos e, por esse motivo, realizam aportes periódicos.

Do total de investidores posicionados em criptos, cerca de 49% realizam aportes mensais, independentemente da performance do ativo. Os valores dos investimentos costumam ser de até R$ 5 mil, de acordo com o estudo. Vale ressaltar que não há casos que ultrapassam a marca dos R$ 100 mil.

Na avaliação de Felipe Medeiros, analista de criptomoedas e sócio da Quantzed Criptos, o comportamento considerado mais responsável – quando há aportes mensais com foco no longo prazo – dos investidores tem relação ao fraco desempenho em 2022. O início da alta de juros nos mercados globais, o colapso do ecossistema Terra Luna mais a falência da FTX, terceira maior exchange do mercado, trouxeram uma maré de intensas perdas para o bitcoin e para o mercado cripto em geral.

Sem previsão de melhora, os investidores que decidiram se manter posicionados mesmo com sequência de quedas são aqueles que enxergam no investimento potencial de retorno no longo prazo. “São os investidores mais conscientes, entendem os fundamentos e riscos das criptomoedas e realizam os investimentos de forma mais planejada”, avalia Medeiros.

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Para os próximos anos, a perspectiva é que haja um aumento na procura. No entanto, o motivo deve ser pautado apenas pela rentabilidade, mas também pelo o amadurecimento do mercado com a presença de regulação e de empresas institucionais, lançando fundos ou índices de criptomoedas.

O novo contexto que a economia de criptoativos está passando traz mais segurança para os investidores pessoa física. “Em um momento de bull market, as pessoas que não querem abrir uma conta em uma corretora, por exemplo, decidem investir nos produtos, como fundos ou ETFs, de empresas, como a BlackRock”, diz Robson Harada, diretor de marketing do MB.

O crescimento deve ser maior no Brasil do que em outros países. Isso porque, ao olhar para outros mercados da América Latina, os brasileiros são os que mais acreditam no potencial dos ativos digitais em comparação ao México e Argentina, por exemplo.

Segundo uma pesquisa realizada pela corretora de criptomoedas Bitget, e enviada com exclusividade ao E-Investidor, de todos os usuários que investem até 15% da sua renda em criptos, 37% são brasileiros. O porcentual é três vezes maior ao que foi identificado na Argentina e no México, onde a corretora também atua. Nestes dois países, a parcela chegou a 12% e 10%, respectivamente.

“Os brasileiros têm, historicamente, uma adesão muito grande e rápida às novidades tecnológicas, o que facilita sua participação no mercado de criptomoedas”, diz Fernando Pereira, gerente de conteúdo na Bitget. A pesquisa ouviu 1.783 investidores do Brasil, México e Argentina nos dias 3 e 5 de junho por meio de um questionário online. A amostra corresponde aos usuários da corretora Bitget.

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Ainda de acordo com o estudo, 52,9% dos brasileiros participantes informaram que consideram como “brilhante” o futuro das criptomoedas e que os ativos irão substituir as moedas fiduciárias.

 

 

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