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Criptomoedas

Gêmeos do Facebook: a jornada de lucro e perdas bilionárias com criptos

Como o bitcoin se tornou a principal fonte da fortuna bilionária dos irmãos Cameron e Tyler Winklevoss

Gêmeos do Facebook: a jornada de lucro e perdas bilionárias com criptos
Os irmãos Tyler e Cameron Winklevoss (Foto: Reuters/Lucas Jackson)
  • Os gêmeos Winklevoss, envolvidos na polêmica criação do Facebook, começaram seus negócios com Bitcoin nos primeiros anos da criptomoeda
  • Além do investimento em Bitcoin, a aposta na criação de uma corretora de criptomoedas, a Gemini, rendeu bons frutos
  • Porém, a lua de mel do Bitcoin ficou em 2021. O preço do ativo começou a despencar, afetando todo o mercado de corretoras

Os gêmeos Cameron e Tyler Winklevoss, os irmãos envolvidos na polêmica criação do Facebook, começaram seus negócios com bitcoin (BTC) logo nos primeiros anos de vida da criptomoeda mais famosa do mundo.

Os empresários e remadores profissionais, que chegaram a competir na Olimpíada de 2012, fundaram a Gemini em 2014, depois de um ano de planejamento. Naquela época, quando a moeda começou a se popularizar globalmente, a dupla já tinha US$ 11 milhões de BTC, em 2013.

Quatro anos mais tarde, em 2017, os Winklevoss disseram que nunca venderam um bitcoin. Com o preço da criptomoeda a US$ 20 mil pela primeira vez na história naquele ano, os gêmeos somavam uma fortuna de US$ 1 bilhão. Com isso, se tornaram os primeiros bilionários do bitcoin. De lá para cá, o preço do ativo chegou a mais do que triplicar, com um pico de US$ 65 mil em julho de 2021.

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“O bitcoin ultrapassou o Facebook em capitalização de mercado”, escreveu Cameron Winklevoss, durante a ascensão do preço da cripto. “Faz sentido que uma rede de dinheiro seja mais valiosa do que uma rede social,” disse, em um comentário que alfineta a empresa de Mark Zuckerberg, que teria roubado sua ideia para o Facebook, como retratado no filme A Rede Social, de 2010.

O investimento inicial em bitcoin foi feito pelos irmãos com o dinheiro recebido no acordo com Zuckerberg sobre a criação do Facebook. Ou seja, de uma forma ou de outra, o dinheiro dos irmãos estava predestinado a se multiplicar.

Efeito Gemini

Além do investimento em bitcoin, a aposta na criação de uma corretora de criptomoedas rendeu bons frutos. Em maio de 2016, o então governador do estado de Nova York, Andrew Cuomo, anunciou a aprovação da Gemini como a primeira exchange ethereum licenciada com sede nos Estados Unidos.

Em 2018, veio a aprovação dos órgãos reguladores dos Estados Unidos para criar um novo produto: o dólar Gemini. Diferentemente do bitcoin, que não tem lastro algum, o dólar Gemini tem valor de 1 para 1 com o dólar americano. Ou seja, ele é uma stablecoin de dólar – e uma fonte de receita para a empresa.

No fim de 2021, em novembro, os gêmeos finalmente decidiram arrecadar capital externo e receberam um aporte de US$ 400 milhões, em uma rodada liderada pelo fundo hedge Morgan Creek Digital, que pertence à consultoria de investimentos Morgan Creek Capital. Também contribuíram Marcy Venture Partners (do rapper Jay Z), Commonwealth Bank of Australia, 10T, Newflow Partners e ParaFi. O investimento fez a Gemini ser avaliada em nada menos do que US$ 7,1 bilhões.

Em abril deste ano, a revista americana Forbes divulgou um ranking de bilionários do segmento de criptomoedas, no qual os gêmeos Cameron e Tyler Winklevoss ocupavam a sexta colocação. Segundo a publicação, o patrimônio líquido de cada irmão era de US$ 4 bilhões, sendo o bitcoin a principal fonte dessa riqueza.

Outros negócios

Fora a exchange Gemini, a dupla também é dona da Nifty Gateway, um marketplace de arte digital. O empreendimento é mais uma aposta no universo cripto, uma vez que trata-se de uma plataforma de leilão de NFTs, os tokens não-fungíveis.

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No começo deste ano, a Nifty Gateway ganhou espaço no mercado de televisores em um movimento pouco comum que levou as obras de arte em NFTs para Smart TVs da Samsung de 2022. Com isso, é possível ver as obras na tela grande da televisão, e não só no computador ou na telinha do celular.

Para não ser limitada a uma oferta própria de obras digitais, a Nifty Gateway liberou a compra e venda de NFTs externos, como Bored Ape Yacht Club, o que amplia as possibilidades de negócios.

Os grandes investidores que fizeram fortuna no mercado financeiro convencional ainda têm desconfiança sobre o mercado cripto. Esse é o caso de Warren Buffett. “Se você me dissesse que possui todos os bitcoins do mundo e me oferecesse por US$ 25, eu não aceitaria. O que eu faria com isso? Eu teria que vendê-los de volta para você de uma forma ou de outra. Ele não vai fazer nada”, disse Buffett, em abril. Entretanto, George Soros mostrou ter uma visão diferente.

No começo de 2022, Soros se uniu aos Winklevoss em um aporte de quase US$ 360 milhões na startup de jogos em blockchain e NFTs Animoca Brands, que passou a ser avaliada em mais de US$ 5 bilhões. Sediada em Hong Kong, a startup tem clubes de futebol e franquias de entretenimento como parceiros para a criação e distribuição de NFTs.

Porém, a lua de mel do bitcoin ficou em 2021. O preço do ativo começou a despencar, afetando todo o mercado de corretoras e fundos de criptoativos.

Dificuldades e declínio

Em junho de 2022, veio o declínio no preço do bitcoin. Com a alta na taxa de juros nos Estados Unidos para conter a inflação provocada pela crise econômica da covid-19, a Gemini precisou apertar os cintos. A empresa fez sua primeira grande demissão e cortou 10% do seu quadro de funcionários. Os cortes, segundo a empresa, foram devido “às turbulentas condições do mercado, que poderão persistir por algum tempo”.

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Com 60% de redução no preço do bitcoin neste ano, não só a Gemini foi impactada, como também as corretoras Coinbase, Crypto.com, Mercado Bitcoin, Bitso e BitMEX.

Avaliada em mais de US$ 25 bilhões, a FTX teve um caso particular. Após não conseguir fechar negócio de aquisição pela Binance, a empresa teve uma crise de insolvência e pediu falência, prejudicando seus investidores, como Tom Brady e Gisele Bündchen. O baque atingiu especialmente Sam Bankman-Fried, CEO da FTX, que viu sua fortuna bilionária derreter da noite para o dia.

Na Nifty Gateway, a falta de novidades nos últimos meses e a ausência de vagas anunciadas no LinkedIn indicam uma desaceleração nos negócios. As vendas de NFTs caíram globalmente em 2022. Foram aproximadamente US$ 647,23 milhões em negociações de NTFs em julho, de acordo com a Be[In]Crypto Research. O número mostra uma retração superior a US$ 4 bilhões ante a comercialização de janeiro, de US$ 4,78 bilhões.

Diante das dificuldades, em outubro deste ano, Cameron Winklevoss decidiu renunciar ao cargo de diretoria da Gemini Europe, subsidiária da corretora cripto Gemini, que tem sede em Nova York, e opera em 29 países europeus. No total, a exchange atua em 60 países, incluindo o Brasil.

A Gemini está longe de atravessar uma crise como a da FTX. Até porque, em 2018, a empresa criou um mecanismo de negociação que gera liquidez ao permitir negócios de alto volume que não aparecem no livro de pedidos até que sejam completados. Mas, com todo o mercado de criptomoedas sob escrutínio mundial, a empresa dos Winklevoss também está longe dos dias de ouro.

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Será que a canoa dos gêmeos do Facebook furou? A única certeza é que eles vão continuar a remar, mas agora o oceano azul do passado virou um oceano vermelho.

Os irmãos Tyler e Cameron Winklevoss (Foto:Landon Nordeman/The New York Times)

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