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Criptomoedas

Bitcoin Pizza Day: como duas pizzas mudaram a história das criptomoedas

Há 14 anos, foi realizada a primeira transação comercial com o bitcoin, que transformou o universo cripto

Por Beatriz Rocha

22/05/2024 | 16:25 Atualização: 22/05/2024 | 16:25

Bitcoin. Imagem: Adobe Stock
Bitcoin. Imagem: Adobe Stock

Quem lê pela primeira vez a expressão Bitcoin Pizza Day pode se questionar sobre qual é a relação entre um prato tradicional da gastronomia italiana e o universo cripto. A data, no entanto, representa um marco para o mercado financeiro: foi nela em que ocorreu a primeira transação comercial com bitcoin (BTC) na história.

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Há 14 anos, em 22 de maio de 2010, o programador americano Laszlo Hanyecz trocou 10 mil bitcoins por duas pizzas. Quatro dias antes, ele havia feito o anúncio em um fórum na internet sobre criptos, o Bitcointalk.org, perguntando se alguém estava disposto a realizar a troca curiosa.

Apesar da quantia hoje parecer exorbitante para comprar uma pizza, o bitcoin era negociado a US$ 0,004 na época. Ou seja, os 10 mil bitcoins custavam aproximadamente US$ 40. Havia, no entanto, um problema: a criptomoeda, criada um ano antes, ainda não possuía um valor de lastro correspondente ao dólar e parecia ousado propor qualquer troca comercial com ela, por menor que fosse.

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Um jovem de dezenove anos, contudo, topou o desafio. Jeremy Sturdivant, estudante que também participava do fórum, enviou para a casa de Hanyecz duas pizzas da conhecida rede Papa John’s, ganhando em troca as criptomoedas. E assim se deu a primeira transação com bitcoin.

De acordo com Ana de Mattos, analista técnica e trader parceira da Ripio, hoje os 10 mil BTCs valem em torno de US$ 700.600.000, o que equivale a R$ 3.586.432.000, considerando o câmbio atual. Desde a data da transação das pizzas até o dia 14 de março deste ano – quando a cripto alcançou seu topo histórico – o bitcoin valorizou incríveis 1.844.424.900%.

Se Sturdivant tivesse guardado os seus 10 mil bitcoins, poderia ter uma fortuna em mãos atualmente. Em entrevista concedida do New York Post em maio de 2021, o jovem admitiu que gastou suas criptomoedas em viagens e jogos ao longo dos anos, já que não poderia imaginar que o bitcoin passaria por uma valorização tão forte. Mesmo perdendo as chances de riqueza, Sturdivant disse também estar “orgulhoso de ter desempenhado um papel” no “fenômeno global”.

O que mudou de lá para cá

Os anos e o trabalho de toda a comunidade cripto surtiram efeitos. Antes visto com cautela por boa parte dos agentes do mercado, o bitcoin ganhou reconhecimento institucional. Mattos, da Ripio, destaca que grandes empresas como Tesla, Square, Microsoft, PayPal e MicroStrategy fizeram negócios com a moeda nos últimos anos, envolvendo grandes aportes e investimentos em fundos.

Até a BlackRock, uma das maiores gestoras de fundos do mundo, tem mudado a sua visão sobre as criptomoedas. Segundo reportagem do Wall Street Journal, o diretor executivo da empresa, Larry Fink, que chamava o bitcoin de “um índice de lavagem de dinheiro” em 2017, hoje diz ser um “grande crente” da cripto.

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O ponto alto que demonstrou a mudança de visão da BlackRock em relação às criptomoedas ocorreu em junho de 2023. Na data, a empresa solicitou autorização à Securities and Exchange Commission (SEC) – a Comissão de Valores Mobiliários (CVM dos Estados Unidos – para ofertar um fundo de índice (ETF) de bitcoin.

O pedido foi aceito pela SEC em janeiro de 2024. Na ocasião, o órgão regulador aprovou solicitações de outras dez gestoras, incluindo o requerimento do fundo Grayscale Bitcoin Trust, da Grayscale, empresa americana de gerenciamento de ativos em moeda digital.

Esse marco ocorreu no mesmo ano em que surgiu um novo halving da moeda, evento que, historicamente, impulsiona um aumento em seu preço nos meses seguintes. O processo, na prática, representa o corte pela metade da recompensa de bitcoins que os mineradores recebem em cada bloco minerado, o que desacelera a emissão da moeda e contribui para a sua valorização pela escassez.

Além dos fatores recentes, Mattos, da Ripio, explica que as diversas atualizações e melhorias pelas quais o protocolo do bitcoin passou desde 2010 contribuíram para a sua melhoria. “A camada base do bitcoin foi aprimorada ao longo do tempo, aumentando a segurança, a escalabilidade e a privacidade da rede. Um protocolo de segunda camada – a Lightning Network – também surgiu para viabilizar transações mais rápidas e baratas, expandindo os casos de uso do bitcoin para pagamentos cotidianos e micropagamentos”, afirma.

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Depois de 14 anos desde a primeira transação com a moeda, o criptoativo conseguiu ganhar maior reconhecimento no mercado financeiro. E o Bitcoin Pizza Day, dia que mudou para sempre a história do setor, não pode passar em branco. Pensando nisso, diferentes empresas de destaque no segmento lançaram iniciativas para a data.

A Binance, maior exchange cripto do mundo, distribuirá mais de 5 mil pizzas ao longo de seis dias em um esforço para alcançar consumidores em diversos países e avançar na sua missão de educar e engajar os investidores. As ativações acontecerão em 20 países em cinco continentes, alcançando Ásia, África, América do Sul, Europa e Austrália.

Aqui no Brasil, o Mercado Bitcoin (MB) realiza, junto com a Rappi, a entrega de pizzas a clientes selecionados da plataforma de exchange nesta quarta-feira (22). A ação tem como objetivo agradecer os consumidores e reforçar a trajetória desse investimento.

Além da entrega de pizzas, o MB promove ainda uma campanha de recompensas de R$ 50 em bitcoin para os usuários que transacionarem a partir de R$ 200 por dia, na plataforma, durante quatro dias. A promoção vai até 4 de junho e os interessados devem se cadastrar neste link.

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