Guilherme Gomes é CEO da OranjeBTC (Foto: Divulgação/OranjeBT)
Na véspera da estreia da OranjeBTC (OBTC3) na B3, o bitcoin renovou a sua máxima histórica e rompeu, pela primeira vez, a marca dos US$ 126 mil, em outubro de 2025. O recorde era visto como um bom presságio para a companhia, que chegava à bolsa de valores em um momento favorável para a indústria cripto. Nas semanas seguintes, porém, o ambiente mudou por completo. O otimismo visto nos últimos meses se exauriu com a aversão a risco dos investidores e as ações da OranjeBTC afundaram em sintonia com o bitcoin.
Dados do TradeMap, enviados ao E-Investidor, mostram que, desde o seu IPO reverso, processo em que uma companhia de capital fechado adquire o controle de outra já listada na B3, a OranjeBTC perdeu quase R$ 3 bilhões em valor de mercado, após sofrer uma queda de 73% das ações. A depreciação ocorreu em compasso com o bitcoin que, no mesmo período, caiu quase 50%.
O ciclo de baixa da criptomoeda reflete a aversão a risco dos investidores diante das incertezas para o início do ciclo de queda de juros nos Estados Unidos e da escalada das tensões geopolíticas. O ambiente ficou ainda mais desafiador com a crescente preocupação dos investidores com as ações ligadas à Inteligência Artificial (IA). O mercado tem acompanhado de perto se os elevados gastos das big techspara o desenvolvimento de tecnologias de IA estão, de fato, gerando retorno.
Ainda assim, Guilherme Gomes, CEO da OranjeBTC, descarta qualquer possibilidade de a empresa abandonar a sua estratégia 100% focada em bitcoin em função das condições de mercado. Segundo o executivo, a volatilidade do BTC já era esperada pela empresa e, por isso, a companhia adotou uma série de medidas para enfrentar períodos de estresse elevado com “tranquilidade”.
“Cerca de 60% do custo da companhia são atrelados ao bitcoin. Ou seja, quando o bitcoin cai de preço, os nossos custos operacionais também caem na mesma proporção”, diz Gomes. “Construímos essa empresa sabendo que o BTC é volátil e que correções de 45% são comuns e esperadas”, acrescenta.
O baixo nível de alavancagem, hoje em torno de 9%, também ajuda a OranjeBTC a suportar os períodos de inverno cripto. Além disso, Gomes destaca que a companhia reforçou o seu caixa para viabilizar o pagamento das despesas operacionais por vários anos, sem a necessidade de vender os BTCs mantidos em reserva. “Não precisamos vender BTC para pagar uma conta de luz, por exemplo. Preparamos uma estrutura de capital para que tenhamos uma reserva financeira em moeda fiduciária suficiente para cobrir os nossos custos operacionais”, destaca Gomes.
Atualmente, a OranjeBTC mantém 3.722 bitcoins em reserva, com um custo médio de cada ativo por R$ 591,5 mil – o que representa uma queda de 41% em comparação à cotação da cripto nesta quarta-feira (11).
Queda do bitcoin também pesa sobre outras ações
As ações da OranjeBTC (OBTC3) não são as únicas a sofrer com o atual período de baixa do bitcoin. Como mostramos nesta reportagem, a Strategy (MSTR) – a primeira companhia do mundo a incluir o BTC em sua estratégia de tesouraria – perdeu R$ 271,4 bilhões em valor de mercado desde outubro de 2025 até fevereiro deste ano.
O volume expressivo reflete o seu elevado nível de exposição à criptomoeda. Segundo o seu último balanço, a Strategy detém 713.502 bitcoins em posse, com um custo total de US$ 54,26 bilhões. O preço médio de cada ativo é de US$ 76.052, cerca de 8,5% menor em comparação à cotação atual.
Já a Méliuz (CASH3) perdeu cerca de R$ 80 milhões em valor de mercado durante o mesmo período. Vale lembrar que a empresa de cashback foi a primeira a adotar o bitcoin como ativo de reserva em seu balanço. A decisão foi anunciada ao mercado em março do ano passado.
Na época, o BTC operava em alta, em meio ao otimismo do mercado com as promessas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de flexibilizar o ambiente regulatório para viabilizar o desenvolvimento do setor no território americano. As ações da Méliuz se beneficiaram desse ambiente e acumularam uma valorização de 179%, alcançando a sua máxima de R$ 10,55, no período entre março e maio de 2025.