Por volta das 11h30 (horário de Brasília), o bitcoin subia 3,97%, negociada a US$ 102,6 mil. Desde a vitória de Donald Trump nas eleições dos EUA, o ativo vem renovando a cada dia seus recordes. Agora, o gatilho para uma nova guinada cripto foi o anúncio de Trump com a indicação de Paul Atkins para o comando da SEC, em um comunicado que endossou as expectativas do mercado em torno das promessas feitas pelo republicano em flexibilizar as regras para o setor.
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“Paul Atkins é conhecido por sua postura favorável à redução de regulações excessivas e sua nomeação reforça as expectativas de um ambiente mais favorável para as criptomoedas“, diz Israel Buzaym, diretor de comunicação e especialista cripto do Bitybank. O especialista explica que, em experiências anteriores na SEC, Atkins defendeu a simplificação regulatória e a criação de um ambiente de inovação para os mercados financeiros. Sua nomeação simboliza uma ruptura com o regime mais rígido liderado por Gary Gensler, atual presidente da instituição que já anunciou sua saída para janeiro.
Para Buzaym, a indicação de Atkins é mais um fator dentro de uma “tempestade perfeita” para o bitcoin. Ele elenca alguns pontos: Donald Trump é considerado pró-cripto, o que traria uma agenda mais amigável às criptomoedas no Executivo; há conversas em direção a uma regulação mais branda, especialmente no que diz respeito ao enquadramento das empresas de cripto nos EUA, uma agenda que pode ter apoio agora que o Congresso americano tem maioria republicana; e movimentos consistentes de algumas empresas, como a MicroStrategy (MSTR), que vem acumulando bitcoin, um sinal que pode atrair novos investidores institucionais.
“A máxima recente do bitcoin é mais do que um marco técnico; é um reflexo de uma narrativa poderosa em construção. Estamos diante de um momento único em que fatores políticos, institucionais e econômicos convergem, criando as condições ideais para uma nova onda de valorização no mercado cripto“, diz o especialista do Bitbank.
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No acumulado de 2024, o bitcoin tem alta de 126%. Em janeiro, a critpo valia cerca de US$ 44 mil. O rali elevou a capitalização de mercado do BTC para mais de US$ 2 trilhões pela primeira vez, consolidando-o como um dos ativos mais valiosos do mundo. “Apesar de impressionante, o crescimento de 2024 não é o mais emocionante da história. Em 2017, o bitcoin no Brasil registrou uma alta de 1.900% e, durante a pandemia de covid-19, valorizou-se mais de 650%”, destaca Luiz Calado, planejador financeiro CFP pela Planejar.
O currículo de Paul Atkins
Paul Atkins tem cerca de três décadas de experiência no mercado financeiro e já integrou a SEC em outras ocasiões. O executivo começou sua carreira como advogado em Nova York na década de 80 no escritório David Polk & Wardwell LLP, depois, foi sócio da consultoria PwC e de sua empresa antecessora, Coopers & Lybrand. Ele deixou o cargo em 2002 para assumir o cargo de Comissário da SEC, onde permaneceu até 2008.
Em seu perfil no Linkedin, Atkins diz que “defendeu a transparência, a consistência e o uso de análises de custo-benefício na agência”. Ele representou a SEC nas reuniões do Conselho Estados Unidos-União Europeia, Conselho Económico Transatlântico, o Grupo de Trabalho do Presidente sobre os Mercados Financeiros, o Fórum Económico Mundial e o Diálogo Empresarial Transatlântico. De 2009 a 2010, foi nomeado membro do Painel de Supervisão do Congresso para o Programa de Alívio de Ativos Problemáticos.
Ele deixou a SEC em 2012, quando assumiu como diretor independente e presidente não executivo do conselho da BATS Global Markets, Inc., uma operadora líder de mercados eletrônicos de valores mobiliários dos EUA e da Europa, negociando títulos de ações à vista listados e opções de ações (desde a aquisição pela CBOE).
Atualmente, Paul Atkins é CEO da Patomak Global Partners, empresa que fundou em 2009.