Volatilidade do ouro supera a do Bitcoin e embaralha tese de reserva de valor, segundo MB
Relatório citado pelo Mercado Bitcoin com base no JPMorgan aponta que o ouro oscilou até 40%; metal foi de US$ 4.000 a US$ 5.600 e recuou a US$ 4.400 em apenas três dias
Volatilidade do ouro supera a do Bitcoin pela primeira vez desde 2008, segundo análise do JPMorgan citada pelo Mercado Bitcoin. Metal saltou de US$ 4.000 a US$ 5.600 e recuou a US$ 4.400 em apenas três dias. (Imagem: Adobe Stock)
Volatilidade. A palavra costuma ser associada ao bitcoin com mais frequência do que previsibilidade, segurança ou constância. No imaginário do investidor, esses adjetivos, em geral, costumam falar sobre o ouro. O metal precioso já atravessou crises, guerras e ciclos econômicos como sinônimo de proteção em tempos de incerteza. Mas, no mercado financeiro, quase tudo é passível de dúvida e os dados mais recentes sugerem que algumas certezas podem ser revisitadas.
Um levantamento do banco norte-americano JPMorgan indica que a volatilidade de 30 dias do ouro superou a do bitcoin e atingiu o maior nível desde a crise financeira de 2008. Desde a criação do bitcoin, há 17 anos, essa inversão ocorreu apenas duas vezes.
Fonte: Mercado Bitcoin
Segundo Rony Szuster, head de Research do Mercado Bitcoin, o comportamento recente do metal precioso destoou do padrão histórico. “O ouro saiu da região de US$ 4 mil para cerca de US$ 5.600, acumulando uma alta próxima de 40%, e depois recuou para US$ 4.400 em apenas três dias. São oscilações que chamam atenção em um ativo historicamente associado à estabilidade”, afirma. O movimento incluiu uma queda intradiária próxima de 10%, a maior em mais de uma década para o metal.
O movimento ocorre em paralelo a uma fase de amadurecimento do bitcoin. Embora o criptoativo ainda registre correções relevantes, sua volatilidade vem diminuindo ao longo dos ciclos, enquanto o ouro passou a exibir flutuações acima da média histórica. “No caso do bitcoin, o movimento recente parece mais uma correção concentrada do que um aumento estrutural de risco. É como se um estivesse amadurecendo devagar, enquanto o outro começasse a dar sinais de euforia tardia”, avalia Szuster.
Ainda assim, no acumulado de 12 meses, o ouro avança cerca de 66%, enquanto o bitcoin registra queda próxima de 21%. O dado mostra que, apesar do salto recente na volatilidade, o metal ainda preserva seu desempenho superior no período.
A reação dos investidores ajuda a ilustrar essa transição. Durante o período mais agudo da queda, dados do MB mostram que o volume de compradores de bitcoin no Brasil foi 5,6 vezes maior do que o de vendedores. O comportamento sugere estratégia orientada ao longo prazo, mesmo diante de um ambiente de forte correção.
O episódio, contudo, parece estar associado a um movimento concentrado, resultado de um rali acelerado seguido por uma correção igualmente abrupta, e não necessariamente a uma mudança estrutural definitiva na dinâmica entre os dois ativos.
O ouro, claro, ainda desempenha papel de instrumento de proteção patrimonial. O episódio recente indica que, apesar da estabilidade histórica, o ativo não está imune a ciclos de volatilidade e a incertezas relacionadas à oferta e ao fluxo global. Ao mesmo tempo, a redução gradual das oscilações do bitcoin reforça uma leitura mais estrutural do ativo. “A diferença entre os dois deixa de estar apenas no nível de risco e passa a envolver qual deles oferece, hoje, o melhor equilíbrio entre preço, fundamentos e potencial de longo prazo”, conclui o Head de Research do MB.