Fernanda Moura, diretora de planejamento patrimonial da Lifetime Management (Foto: Lifetime/Divulgação)
A assessoria e consultoria de investimentos Lifetime, sétimo maior escritório do país, verificou que assessoras de investimentos jovens tinham dificuldade para falar com clientes do sexo feminino com mais de 45 anos. Então surgiu a ideia de fazer com que uma profissional por filial fizesse uma imersão durante um ano para aprimorar essa conexão. Nasceu daí a ideia de ter uma divisão exclusiva para atender mulheres, a Lifetime W, em 2024. Após dois anos, esse braço do negócio já tem R$ 3 bilhões em ativos sob custódia, o que representa 10% do total.
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Fernanda Moura, diretora de gestão patrimonial da Lifetime W, aponta que existe hoje uma dificuldade da mulher tomar controle de sua vida financeira, que acaba deixando nas mãos do marido, de um parente do sexo masculino ou gerente do banco. Até que um evento chacoalha essa relação, seja divórcio ou falecimento do marido ou parentes. “Ao se deparar com essa dor, ela precisa aprender a cuidar desse patrimônio. Por isso, oferecemos educação, e não apenas atendimento”.
É nesta idade também que a mulher se depara com eventos que exigem planejamento financeiro, como o desejo de realizar uma transição de carreira e começar a empreender. Apenas o fato de que a mulher tende a viver mais tempo do que os homens existe um plano de aposentadoria mais robusto.
“Não queremos colocar mais uma carga para quem geralmente já tem uma sobrecarga de tarefas, mas dar conhecimento para que ela conscientemente delegue a gestão do seu patrimônio para quem saiba de fato fazê-lo crescer”, diz Moura.
Para ampliar o acesso das mulheres, que ganham historicamente menos do que os homens, ao serviço de gestão de patrimônio, a Lifetime W optou por exigir um tíquete mínimo de R$ 500 mil, equivalente à metade do valor que exige para os clientes do sexo masculino. “Nossa missão é auxiliar para que seu patrimônio cresça e atinja R$ 1 milhão”.
A Lifetime W espera expandir o serviço para outras fases da vida das mulheres, diz a diretora de marketing Mayara Carbone. “A mulher tende a olhar para o seu patrimônio através da dor. Mas por que esperar um divórcio ou viuvez acontecerem para pensar no assunto? É melhor se preparar para caso isso aconteça”. A expectativa é que a divisão cresça 30% até o final do ano.
Na base da divisão, além de uma grade extensa de conteúdo, inclusive multimídia, estão eventos. “A mulher gosta de histórias. Essa conexão gera recomendações, cria credibilidade e faz com que a cliente se mantenha fiel ao escritório”, conta Moura. Agora, a ideia é preparar um curso para herdeiros. “A mulher se preocupa mais do que os homens sobre como os filhos vão se virar na falta dela e deseja prepará-los para que aprendam a fazer a gestão do patrimônio quando chegar esse momento”.