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Direto da Faria Lima

Dividendos da Taesa (TAEE11): dívida e investimentos colocam remuneração em xeque; CEO explica em entrevista exclusiva

Rinaldo Pecchio fala ainda sobre como a transmissora de energia tem investido para ampliar suas receitas sem depender do reajuste inflacionário das tarifas e sobre os riscos no sistema

Por Anderson Figo

20/03/2026 | 9:23 Atualização: 20/03/2026 | 9:45

Rinaldo Pecchio, CEO da TAESA (TAEE11), diz que manterá a prática de remuneração da companhia de transmissão elétrica, que hoje contempla o pagamento de 100% do lucro regulatório. (Foto: divulgação/Taesa)
Rinaldo Pecchio, CEO da TAESA (TAEE11), diz que manterá a prática de remuneração da companhia de transmissão elétrica, que hoje contempla o pagamento de 100% do lucro regulatório. (Foto: divulgação/Taesa)

A Taesa (TAEE11) divulgou um crescimento sólido em 2025, mas os altos investimentos que a empresa fez e fará neste ano preocupam uma parcela do mercado financeiro que a vê como boa pagadora de dividendos.

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Em entrevista exclusiva ao E-Investidor, o CEO Rinaldo Pecchio afirmou que, olhando o cenário atual e as projeções da companhia, não há motivo para mudanças na prática de remuneração, que hoje contempla o pagamento de 100% do lucro regulatório. “A Taesa já provou que é possível crescer e, ao mesmo tempo, manter o pagamento de dividendos”, disse Pecchio. “Não temos uma política formal, mas uma prática de dividendos baseada nas nossas projeções financeiras.”

No quarto trimestre de 2025 (4T25) – veja os resultados completos aqui –, a Taesa registrou lucro líquido de R$ 313 milhões, alta de 56% na comparação anual, com receita líquida de R$ 644 milhões e crescimento de 10,8%, enquanto o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) avançou 24,4%, para R$ 524 milhões. No acumulado do ano, o lucro chegou a R$ 1,1 bilhão, reforçando a consistência do modelo de negócios da transmissora de energia.

Embora parte desse avanço esteja associada à correção inflacionária da receita anual permitida (RAP), o CEO destacou que o resultado não se explica apenas por esse fator. Segundo ele, houve contribuição relevante da entrada de novos projetos, além de um desempenho operacional que reduziu significativamente a parcela variável, indicador que reflete descontos na receita por indisponibilidade da rede. Em 2025, esse índice ficou em 0,53%, um nível considerado bastante baixo e que indica maior eficiência na operação.

  • Leia também: “O preço atual da ação não reflete o valor que deveria”, diz CEO da Renner, que prevê investir R$ 1 bilhão em 2026

Essa eficiência também aparece na estrutura de custos. Pelo segundo ano consecutivo, a Taesa conseguiu manter o crescimento das despesas operacionais abaixo da inflação, resultado de revisões de processos, renegociação de contratos e adoção de tecnologias, como o uso de drones em inspeções. Esse movimento ajuda a preservar margens e reforça a capacidade de geração de caixa, ponto essencial para sustentar o pagamento de dividendos elevados.

Olho na dívida

Do ponto de vista financeiro, o principal foco de atenção segue sendo o nível de endividamento. A companhia encerrou o período com cerca de R$ 11 bilhões em dívida e alavancagem de 4,1 vezes dívida líquida sobre Ebitda. Em um cenário de juros ainda elevados e com expectativa de cortes mais lentos da Selic, a despesa financeira tende a permanecer relevante.

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Ainda assim, a empresa afirma que tem adotado uma gestão ativa da dívida, com emissões de debêntures em condições consideradas favoráveis e estratégias de refinanciamento para suavizar o impacto no curto prazo.

  • Saiba mais: Como a Eucatex driblou tarifaço e desaquecimento do mercado interno para entregar alta de 70% do lucro em 2025

Apesar disso, a perspectiva é de melhora gradual nesse indicador. Com o ciclo mais intenso de investimentos chegando ao fim, a Taesa entra em uma fase de menor necessidade de captação e maior entrada de ativos em operação, o que deve ampliar a geração de caixa e reduzir a alavancagem ao longo do tempo. Esse movimento, descrito pela companhia como uma “desalavancagem contratada”, tende a abrir espaço para novos investimentos no futuro sem comprometer a política de dividendos.

“É uma preocupação, obviamente, pelo nível de endividamento, mas com uma operação forte e geração de caixa robusta, a gente entende que está no caminho certo”, afirmou Pecchio. “Quem faz investimento de longo prazo precisa ter segurança na geração de caixa. Decisões não mudam por oscilações de curto prazo nos juros.”

Outro ponto relevante para o investidor é a capacidade de crescimento da receita além da inflação. Embora a correção inflacionária continue sendo um componente importante do modelo, a empresa vem ampliando sua base por meio de novos projetos, reforços e participação em leilões. Desde 2020, esse movimento adicionou cerca de R$ 1 bilhão à receita, reduzindo a dependência exclusiva dos índices de preços.

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Demanda por transmissão de energia

No cenário mais amplo do setor elétrico, a Taesa avalia que tendências como a expansão da geração distribuída (empresas e casas que geram sua própria energia por meio de painéis solares, por exemplo) e a transição energética não representam uma ameaça direta ao seu modelo de negócios.

Pelo contrário, a maior complexidade do sistema tende a demandar mais investimentos em transmissão de energia, reforçando o papel das empresas do segmento. A companhia também destaca que o sistema brasileiro é robusto e tem capacidade de suportar eventos adversos, embora reconheça que mudanças climáticas exigem monitoramento constante e novos investimentos em tecnologia e prevenção.

Veja na íntegra a entrevista exclusiva com o CEO da Taesa (TAEE11) sobre dividendos e outros temas no player acima, ou clique aqui.

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