A manutenção dos juros americanos era esperada pelo mercado. Foi a segunda reunião consecutiva em que o Fed deixou as taxas estáveis, após três reduções seguidas no ano passado – em setembro, outubro e dezembro. A escolha desta quarta-feira, no entanto, não foi unânime: o diretor Stephen Miran votou por uma redução de 25 pontos-base.
Também ficaram no radar dados de inflação dos Estados Unidos. O índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) americano subiu 0,7% em fevereiro ante janeiro, informou o Departamento do Trabalho do país nesta quarta-feira. Na comparação anual, o PPI avançou 3,4% em fevereiro. Analistas consultados pela FactSet esperavam altas de 0,3% e 2,9%, respectivamente.
O Ibovespa operou em meio à volatilidade do petróleo, que afeta também as ações da Petrobras (PETR4). O risco de greve de caminhoneiros entrou no radar e o governo intensificou a fiscalização de combustíveis, com inquérito da Polícia Federal sobre preços abusivos e mobilização dos Procons.
A espera da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) e a percepção de um ciclo de flexibilização mais conservador em meio às incertezas da guerra no Oriente Médio inibiu o desempenho dos ativos locais. A maioria do mercado aposta em corte de 0,25 ponto percentual da Selic, a 14,75% ao ano.
Após o fechamento do pregão, as atenções se concentraram em balanços corporativos, com os resultados da Micron (MUTC34), MBRF (MBRF3), Vivara (VIVA3) e PetroRecôncavo (RECV3).
E lá fora?
O petróleo fechou sem direção única, após alta de mais de 3% na terça-feira (17). O Iraque chegou a um acordo para exportar seu petróleo através da região do Curdistão até o porto de Ceyhan, na Turquia.
A notícia trouxe algum alívio para o mercado, embora os fluxos de petróleo através do Estreito de Ormuz sigam amplamente restritos e o Irã continue a atacar a infraestrutura energética em meio à guerra com EUA e Israel. O conflito se intensifica com a morte de Ali Larijani, atribuída a Israel, elevando o risco de retaliação, enquanto a Rússia amplia apoio ao Irã.
Os EUA avaliam aliviar sanções à Venezuela e pressionam a China por cooperação na segurança de Ormuz, ao mesmo tempo em que lidam com limitações operacionais após o porta-aviões Gerald R. Ford ser retirado de combate para manutenção.
Com as tensões no radar, os índices acionários na Europa fecharam majoritariamente em queda e os de Nova York recuaram, os rendimentos dos Treasuries subiram e o dólar avançou contra os pares fortes, após a manutenção dos juros americanos na faixa atual de 3,50% a 3,75% ao ano.
Mercados em detalhe
Os contratos do petróleo terminaram sem direção única, após caírem mais cedo em meio a dúvidas sobre a navegabilidade no Estreito de Ormuz com a continuidade da guerra no Oriente Médio. “O Irã continua atacando a infraestrutura de energia em todo o Oriente Médio, enquanto Israel alega ter matado graduadas autoridades iranianas”, dizem analistas da ANZ Research, em nota.
Além disso, um campo de petróleo iraquiano foi alvo de drones e mísseis após um ataque ao campo de gás Shah, nos Emirados Árabes Unidos, acrescentam eles. Operadores também acompanharam a pesquisa semanal do Departamento de Energia (DoE) sobre estoques de petróleo, que subiram 6,156 milhões de barris, a 449,259 milhões de barris na semana encerrada em 6 de março, informou o Departamento de Energia (DoE). Analistas consultados pelo The Wall Street Journal projetavam estabilidade na semana.
Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para maio fechou em queda de 0,07% a US$ 95,46 o barril. Já o Brent para maio avançou 3,83% a US$ 107,38 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).
Os índices das bolsas de Nova York fecharam em queda nesta quarta-feira, freando os ganhos de Wall Street na semana. O Dow Jones caiu 1,63%, o S&P 500 registrou baixa de 1,36% e o Nasdaq teve perda de 1,46%.
As principais bolsas europeias fecharam majoritariamente em queda nesta quarta-feira (18). Em Londres, o FTSE 100 encerrou em baixa de 0,94%, a 10.305,29 pontos. Em Frankfurt, o DAX caiu 0,86%, a 23.527,63 pontos. Em Paris, o CAC 40 perdeu 0,06%, a 7.969,88 pontos. Em Milão, o FTSE MIB recuou 0,33%, a 44.741,34 pontos. Em Madri, o Ibex 35 computou alta de 0,29%, a 17.299,10 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 cedeu 0,44%, a 9.134,62 pontos.
Os rendimentos dos Treasuries encerraram em alta, com investidores reagindo à decisão do Fed. O juro da T-note de 2 anos subiu a 3,775%, o da T-note de 10 anos avançou a 4,264% e o do T-bond de 30 anos valorizou a 4,882%.
Como operaram as moedas?
O dólar subiu ante outras moedas de economias desenvolvidas. O euro recuou a US$ 1,1475, a libra cedeu a US$ 1,3283 e o dólar marcou 159,79 ienes. Já o índice DXY do dólar, que acompanha as flutuações da moeda americana em relação a outras seis divisas relevantes, teve alta de 0,51%, a 100,086 pontos.
Bolsas asiáticas
As bolsas asiáticas fecharam em alta nesta quarta-feira (18), após o desempenho positivo de Wall Street ontem (17) e à medida que o petróleo voltou a cair, apesar da continuidade da guerra no Oriente Médio. O Nikkei subiu 2,87% em Tóquio, e o sul-coreano Kospi saltou 5,04% em Seul. Na China continental, o Xangai Composto subiu 0,32%, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 0,97%. O Hang Seng teve alta de 0,61% em Hong Kong, e o Taiex registrou ganho de 1,51% em Taiwan. Na Oceania, o S&P/ASX 200 avançou 0,31% em Sydney. Destaque para a BHP, que subiu 0,72% após a maior mineradora do mundo anunciar um novo CEO.
*Com informações do Broadcast, Dow Jones Newswires e FactSet