Kelly Gusmão, cofundadora da Warren, à direita, e suas sócias, Ana Toledo e Liana Selles. (Imagem: Ella Wealth/divulgação).
Kelly Gusmão, uma das sócias-fundadoras da corretora Warren, criou o Ella Wealth, um multifamilyoffice direcionado para mulheres. A Warren foi uma das primeiras plataformas digitais no Brasil a adotar e popularizar o modelo “fee based” (cobrança de taxa fixa sobre o patrimônio, sem comissão por produto), que está no centro do modelo de consultoria de investimento e da nova casa.
A Ella Wealth trabalhará com carteiras administradas, modelo de investimento em que o cliente contrata um gestor profissional para administrar seus recursos de forma individualizada, com decisões tomadas em seu nome e seguindo uma estratégia previamente definida.
Ao focar no público feminino, a Ella Wealth mira a “grande transferência de riqueza”, que aponta que mulheres e gerações mais jovens vão herdar grande parte da riqueza nas próximas décadas. Também surfa a tendência de crescimento do modelo de consultoria de investimentos em detrimento do modelo de assessoria, em que predomina o modelo commission based, no qual o assessor ganha comissão pela venda ou distribuição de produtos financeiros e que ficou ligado a casos de conflitos de interesses.
A Ella Wealth oferecerá gestão patrimonial e consultoria financeira. Na gestão patrimonial, o foco são clientes com mais de R$ 500 mil investidos. A remuneração é feita por taxa fixa sobre a carteira de investimentos. Já na consultoria financeira, cobra um valor fixo pelo programa de seis sessões.
Também fazem parte da estrutura societária da gestora de patrimônio, Ana Toledo, fundadora e CEO da gestora Hyperion, especializada em FIDCs e investimentos alternativos com mais de R$ 30 bilhões sob gestão, e Liana Selles, formada pela Harvard Business School e com passagens por empresas como Stone Co., Loggi e Falconi.
O novo family office se apresenta como “totalmente independente”. Diz apenas possuir cadastro na XP e na Warren de forma a “facilitar a gestão direta do patrimônio quando o cliente optar por essas plataformas”. Na prática, a empresa faz parte da estrutura da Hyperion, que está autorizada e é supervisionada pela CVM para administrar carteiras.
“Trabalhamos com consolidadores de patrimônio, o que nos permite acompanhar e gerir investimentos de forma integrada. Nosso papel é proteger interesses e fazer a gestão estratégica do patrimônio do cliente, com total transparência. Não vendemos produtos financeiros nem recebemos comissão”, anuncia o multifamily office, em seu site.
Clube feminino
Em um cenário povoado de conflito de interesses, na visão das executivas as mulheres são as que mais perdem. E isso não significa falta de capacidade, mas que o sistema não foi desenhado para elas. “Historicamente, fomos afastadas da conversa sobre dinheiro.”
Ao ser orientado ao público feminino, o negócio busca “devolver às mulheres o lugar que sempre foi delas, o centro das decisões sobre seu patrimônio, seu futuro e sua liberdade”.
Para isso, também irá criar um clube de mulheres investidoras que tem como objetivo compartilhar experiências, dar acesso a conteúdos e eventos exclusivos, networking e educação financeira. “Acreditamos que riqueza não se constrói sozinha: nasce da troca”.