As duas empresas adquiridas têm como características assessores de investimentos experientes e atendimento a clientes dos segmentos de alta renda e private, nos quais a Manchester mais cresce. Atualmente o escritório tem 20 mil contas, entre elas 2,5 mil ligadas a empresas, o que faz com que seu tíquete médio fique acima de R$ 1 milhão.
No segundo semestre do ano passado, a Manchester já havia anunciado a incorporação da Ficus Capital, com atuação em Belo Horizonte (MG) e Ribeirão Preto (SP), adicionando à sua estrutura 30 novos profissionais e cerca de R$ 2,5 bilhões em ativos sob gestão.
Eduardo Cubas, sócio e chefe de alocação na Manchester, aponta que a taxa de juros elevada torna mais difícil que os negócios no segmento ganhem escala. “Assessoria é escala, não margem. Escritórios maiores acabam conseguindo atuar de forma mais completa, porque os pequenos não absorvem todas as demandas dos clientes, como aplicações no exterior”.
Neste cenário, a Manchester deve continuar a crescer de forma inorgânica, via aquisições. Mas ressalta que o crescimento orgânico também é um caminho forte de crescimento e significou R$ 1 bilhão a mais sob custódia em 2025. Pretende criar um braço de consultoria de investimentos, que cobre uma taxa fixa (fee based) sobre o patrimônio. Hoje, R$ 3,3 bilhões sob custódia do escritório já estão enquadrados no fee based, mas são adicionados ao modelo cerca de R$ 200 milhões por mês.
Cubas aponta que existem tanto escritórios e empreendedores que buscam uma forma de plugar o negócio a escritórios maiores como empresários que buscam vender um negócio que não está mais atrativo. A preferência da Manchester é pela primeira opção. “Queremos nos associar a quem busque ganhar dinheiro com o cliente, e não do cliente; tenha visão de longo prazo, ajude a criar novas linhas negócios e consolidar regiões onde já estamos, bem como desenvolver aquelas onde ainda não atuamos”.
O plano estratégico da assessoria, que começou como uma corretora há 59 anos e a unidade de negócio foi vendida pela XP em 2007, é alcançar R$ 100 bilhões sob gestão nos próximos sete anos. Desde 2024, a XP tem uma participação minoritária relevante no negócio, e o escritório atua exclusivamente com a plataforma do banco de investimentos: 65% a 75% do seu faturamento é gerado no sistema da XP. São 15 filiais, na região Sul e em São Paulo.