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Direto da Faria Lima

Como a Eucatex (EUCA4) driblou o tarifaço e o desaquecimento do mercado interno para entregar avanço de 70% do lucro em 2025

Em entrevista exclusiva ao E-Investidor, o CFO Sergio Ribeiro também falou sobre as principais vias de crescimento para 2026 e programas habitacionais

Por Anderson Figo

17/03/2026 | 7:30 Atualização: 17/03/2026 | 7:31

A Eucatex (EUCA4) encerrou 2025 com avanço na geração de caixa, lucro e receitas, mesmo em um ambiente marcado por juros elevados, desaquecimento dos investimentos e tensões comerciais internacionais.

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No quarto trimestre, a companhia registrou lucro líquido de R$ 57 milhões, alta de 70% na comparação anual. A receita líquida somou R$ 777 milhões, crescimento de 3,1%, enquanto o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado avançou 14,7%, para R$ 174,4 milhões.

No acumulado do ano, os números foram ainda mais expressivos: lucro de R$ 319 milhões (+61,2%), receita de R$ 3,1 bilhões (+8,6%) e Ebitda ajustado de R$ 722 milhões (+31,7%).

Em entrevista exclusiva ao E-Investidor, o CFO da companhia, Sergio Ribeiro, disse que o desempenho foi resultado de uma estratégia focada em diferenciação de produtos, ganho de eficiência e expansão internacional.

“A empresa traçou uma estratégia coerente com os últimos anos, com lançamento de novos produtos e atuação em nichos. Em 2025, focamos bastante no mercado externo, que era a principal mola de crescimento”, afirmou.

Exportações: a chave para o crescimento

A expansão internacional teve papel central no desempenho da empresa. Em 2025, a Eucatex conseguiu crescer cerca de 20% em volume nas exportações, especialmente no primeiro semestre.

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Mesmo com o impacto do “tarifaço” dos Estados Unidos, que elevou as tarifas sobre painéis de madeira brasileiros para 50% no segundo semestre, a companhia conseguiu mitigar parte dos efeitos.

Segundo Ribeiro, o nível elevado de estoques nos EUA no momento do anúncio ajudou a amortecer o impacto inicial. “Boa parte do nosso estoque não foi afetada pela tarifa. Isso permitiu enfrentar esse período sem mudar a estratégia”, disse.

A empresa também reagiu redirecionando parte das vendas para outros mercados internacionais, como América Latina, América Central e alguns países da Europa.

Mesmo com o cenário adverso, a companhia ainda conseguiu crescer cerca de 15% em volume nas exportações no quarto trimestre.

Mix de produtos e eficiência impulsionaram margens

Além das exportações, outro fator relevante foi a melhora no mix de produtos vendidos no mercado interno. Com a demanda doméstica pressionada por juros elevados, a empresa reduziu oferta em alguns segmentos e priorizou produtos com maior valor agregado.

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“Conseguimos melhorar bastante o mix de vendas. Isso aparece na lucratividade da empresa”, explicou o CFO. A companhia também avançou em gestão de custos e eficiência operacional, além de ter se beneficiado parcialmente do câmbio.

Mesmo com o aumento das exportações, a exposição cambial da empresa permanece relativamente baixa. Segundo Ribeiro, a companhia não costuma realizar hedge cambial financeiro, pois parte relevante das operações já funciona como uma proteção natural contra oscilações do dólar.

Isso ocorre porque cerca de metade das exportações da Eucatex vem das chapas de fibra, um produto cuja estrutura de custos tem pouca dependência de insumos dolarizados. “A própria lignina da madeira funciona como agente de aglutinação no processo industrial, e os outros custos são principalmente energia e mão de obra”, explicou.

Na prática, isso significa que boa parte dos custos da empresa é denominada em reais, enquanto parte das receitas vem em dólar — criando um hedge natural que reduz a exposição cambial líquida. Segundo o executivo, o resultado é uma exposição relativamente equilibrada entre entradas e saídas em moeda estrangeira.

Construção civil lidera expansão

Olhando para frente, a Eucatex vê na construção civil sua principal avenida de crescimento, especialmente com produtos como portas, pisos laminados e tintas. Segundo Ribeiro, a empresa vem ampliando investimentos nesse segmento e fortalecendo parcerias com construtoras.

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Programas habitacionais também seguem no radar, e o executivo não vê com preocupação a eleição para presidente em 2026. “O Minha Casa, Minha Vida virou uma política de Estado. É um canal importante para produtos como pisos, portas e tintas”, afirmou.

A empresa planeja quase R$ 500 milhões em investimentos neste ano, focados em novos produtos, aumento de capacidade e redução de custos. Entre os projetos estão a expansão da produção de portas, uma nova prensa para revestimentos, projetos de geração de energia com biomassa e melhorias de eficiência industrial.

Segundo o CFO, a estratégia vai além do curto prazo. “A empresa está olhando muito mais para 2027. Estamos investindo para continuar crescendo mesmo em um cenário econômico mais difícil.”

Proventos da Eucatex

A Eucatex pretende manter uma postura conservadora na remuneração aos acionistas. De acordo com Ribeiro, a companhia seguirá a política societária mínima de distribuição de 25% do lucro ajustado em proventos, priorizando a reinversão em novos projetos.

“A empresa tem muitos projetos e oportunidades de crescimento. Por isso vamos manter a política atual e continuar investindo para ampliar resultados.”

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O diretor financeiro da Eucatex comentou ainda sobre as operações de emissão de recebíveis do agronegócio (CRAs) que foram feitas pela empresa no ano passado e que ajudaram a companhia a reduzir seu nível de alavancagem. Veja a entrevista na íntegra no player acima, ou clique aqui.

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