Segundo o estudo, as pesquisas também ficaram mais longas. Os usuários passaram a fazer buscas comparativas, com termos como “quanto rende R$ X em uma caixinha versus R$ X em um cofrinho de outro banco”, sinalizando maior interesse em entender rentabilidade e alternativas disponíveis.
Outras consultas frequentes na mesma linha incluem buscas como “preciso de um empréstimo urgente hoje” e “como saber se tenho direito ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) retido”.
O Google também identificou um aumento no número de palavras utilizadas em pesquisas na categoria de investimentos. Na comparação entre novembro e dezembro de 2025, houve crescimento de 2,2%, 4,7% e 5,7% nas buscas com seis, sete e oito palavras, respectivamente.
Em outro estudo, realizado com 1,4 mil participantes em novembro de 2025, a empresa avaliou que o ato de guardar dinheiro está mais associado a planos e sonhos pessoais do que o universo de investimentos em si.
Entre os entrevistados, 38% afirmaram guardar recursos para comprar ou pagar um imóvel, 34% para adquirir ou quitar um carro, 27% para viagens de férias e 24% para abrir o próprio negócio.
Apesar disso, o levantamento mostra que dois terços das pessoas que dizem guardar dinheiro de forma recorrente ainda não utilizam produtos de investimento para rentabilizar o patrimônio. O dado contrasta com o fato de que 69% dos respondentes enxergam o cenário econômico atual como favorável à contratação de serviços financeiros.
Para Renata Blay, líder de Insights Estratégicos para Finanças no Google Brasil, o crescimento do setor em 2026 passa por aproximar o tema dos investimentos do dia a dia das pessoas, conectando aplicações financeiras a objetivos concretos, como a compra de um imóvel ou de um carro.
“Vejo uma oportunidade na forma como as empresas se comunicam, especialmente na linguagem usada para atrair pessoas que já guardam dinheiro, mas ainda não investem”, afirma Blay.
O Google pretende ampliar a produção de pesquisas sobre finanças e compartilhar os dados com empresas do setor. Esses estudos, no entanto, não têm como objetivo o desenvolvimento de novas ferramentas ou melhorias no Google Finance, área do buscador que reúne informações atualizadas sobre o mercado.
Barreiras que afastam brasileiros dos investimentos
A pesquisa também mapeou as principais barreiras que afastam os brasileiros dos investimentos. O receio de golpes influencia a decisão de 43% dos entrevistados, enquanto a dificuldade de entender os produtos prejudica 39%. A insegurança em relação aos retornos no longo prazo (38%) e a falta de orientação personalizada (37%) também aparecem como entraves relevantes.
Por fim, a complexidade da linguagem técnica segue como fator de exclusão: 30% dos participantes afirmam ter dificuldade para compreender as opções disponíveis no mercado.
Diante desse cenário, o Google avalia que o suporte educacional on-line se consolidou como um dos principais catalisadores do setor. Em 2025, o YouTube registrou crescimento de 26% nas visualizações de conteúdos sobre investimentos, reforçando seu papel como principal “sala de aula” para quem busca dicas de economia, organização financeira e desmistificação do mercado financeiro.