

Para quem vai viajar, se organizar financeiramente com antecedência é sempre a primeira orientação. Porém, a decisão de entrar em um avião e passar uma temporada fora do Brasil, principalmente nos Estados Unidos, pode acontecer de última hora. Dessa forma, especialistas entrevistados pelo E-Investidor deram dicas de como levar dólar.
Por conta das incertezas políticas e fiscais no País, em que o câmbio norte-americano frente o real apresenta uma forte volatilidade, a indicação de Rodrigo Alves, head de produtos da RJ Investimentos, é comprar dólar diariamente para encontrar oportunidades de preço baixo.
“Para quem programou a viagem há um tempo, o interessante também seria ter comprado ao longo dos meses ou das semanas”, diz o especialista. O objetivo de não adquirir a moeda de uma única vez é tentar amortizar ao máximo as oscilações da cotação. Um levantamento do Economatica apontou que a variação de novembro foi de 11,14%, enquanto de outubro foi de 5,38% e de setembro, 8,57%.
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Carla Argenta, economista-chefe da CM Capital, também sugere que seja feita a compra do papel moeda em pequenas quantidades. Mesmo que no curtíssimo prazo haja uma piora na relação entre real e dólar, “essa é sempre a melhor forma de proteger da variação”.
Já Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora, apesar de concordar com a compra de moedas, ele sugere que as pessoas fiquem atentas com as taxas de saque ou entrega do dinheiro (delivery), por exemplo. “Esses tributos podem afetar o preço e fazer com que a troca cambial fique mais cara”, diz.
Mesmo assim, o especialista prefere a compra do papel-moeda ao cartão de crédito, por exemplo. O principal motivo é o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Enquanto no papel a cobrança chega a 1,10%, na bandeira de cartão, seja débito ou crédito, vai a 6,38%.
Na teoria, se a taxa cambial se encontra em R$ 5,20 e o brasileiro quer comprar US$ 1 mil em papel-moeda, ele vai precisar desembolsar R$ 5,2 mil. Porém, na prática, como há a cobrança de imposto de 1,10%, pode colocar na conta mais R$ 57,20. Ou seja, no final, é preciso pagar R$ 5.257,20 para ter os mil em moedas norte-americanas. Vale lembrar que o IOF é cobrado em cima do valor total em reais, não em dólares.
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Já no cartão de crédito, o viajante terá de desembolsar o mesmo valor (de R$ 5,2 mil) caso queira ter US$ 1 mil na conta. Porém, como o imposto incide em 6,38%, o valor de R$ 5,2 mil passa a ser R$ 5.531,76.
É seguro levar dinheiro em espécie?
Apesar de comprar papel-moeda ser mais vantajoso que o cartão, o risco da criminalidade pesa na escolha. Dessa forma, os entrevistados deram outras duas opções que podem ser mais interessantes nesse ponto de vista. Uma delas consiste no cartão pré-pago, em que é possível colocar uma quantidade de dólar para ser usado no dia a dia até que o montante acabe e necessita de recarrega – semelhante a um chip de celular.
No entanto, o head da RJ Investimentos explicou que apesar do quesito segurança, o cartão pré-pago também tem uma alíquota de 6,38%. “Esse é um dos motivos pela opção ter caído em desuso com o passar dos anos”, afirma. Toda vez que o cartão recebe uma carga, é debitado o imposto do crédito. Além disso, há tarifas para saque em caixa eletrônico (US$ 2,50 por operação). Já o economista-chefe da Frente Corretora, destaca que o cartão não é aceito em todos os lugares, o que pode dificultar a viagem.
Outra opção está em abrir uma conta em bancos como a Nomad, para ter um cartão possível utilizar no exterior. A instituição financeira também oferece o cartão-digital, que serve para fazer compras no e-commerce. Porém, Velloni alerta para os riscos que dependem do tempo que o viajante tem até a data do embarque. “As pessoas ficarão dependentes da chegada do cartão em suas casas [e, caso não de tempo, terão que procurar outra saída]”. Isso porque, segundo a Nomad, para ter acesso ao produto online é preciso fornecer os dados do cartão físico.
Ou seja, se o físico não chegar, o virtual não tem como ser usado. Dessa forma, “a conta internacional é [mais] indicada para compras on-line e reserva de hotéis, por exemplo, [não para o dia a dia]”, diz o head da RJ Investimentos. No final, apesar das questões de segurança, ter dinheiro em mãos ainda é a melhor opção.
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