Um estudo feito pela plataforma de descontos CupomValido.com.br, com dados das plataformas Statista e SEMRush, mostra que o Brasil é o terceiro país do mundo que mais pesquisa por Black Friday. O interesse dos brasileiros pelo famoso dia de descontos, criado inicialmente nos Estados Unidos mas popularizado em vários países, é três vezes acima da média mundial.
A pesquisa mostra ainda que, em 2021, a data comercial movimentou mais de R$ 4,2 bilhões, com o valor médio de cada pedido se aproximando de R$ 750. Se imaginarmos que a Black Friday está marcada para a sexta-feira (25), um dia após o jogo de estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo, um dos eventos preferidos no “País do futebol”, dá para se ter uma ideia de que o fim do ano promete emoção – além de novos gastos.
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Mas vai ser preciso cuidado na hora de aproveitar todos esses eventos sem comprometer o bolso e as finanças em 2023, principalmente na reta final de um ano marcado pela inflação e juros em alta.
“Querer aproveitar todas essas oportunidades sem se endividar e sem comprometer o orçamento do ano que vem pode ser uma expectativa tão difícil de se concretizar quanto a de comer tudo o que quiser nas festas de final de ano sem comprometer a calça jeans”, compara Carol Stange, educadora de finanças pessoais.
Na visão da especialista, o momento vai exigir equilíbrio dos consumidores. Principalmente daqueles que acabaram no vermelho em 2022. “Se estamos falando de alguém que acumulou dívidas no ano, talvez seja a hora de equilibrar as receitas e despesas para entrar em 2023 de forma mais tranquila”, diz.
Para não deixar a emoção dos eventos tomar conta das finanças pessoais, o E-Investidor conversou com alguns especialistas para reunir dicas de educação financeira que podem ajudar a passar pelo período sem sufoco.
O 13º como aliado
Trabalhadores com carteira assinada recebem neste final do ano o 13º salário. Pago em duas parcelas, a primeira parte do dinheiro deve cair na conta até o dia 30 de novembro, enquanto a segunda pode ser paga até o dia 20 de dezembro. Um valor importante que pode, e deve, ser aliado das contas. Aqui, contamos mais como aproveitar o 13º para investir.
Para Lai Santiago, educadora financeira da fintech Open Co, o 13º pode ajudar o consumidor a aproveitar todos os eventos do fim do ano. Mas, antes de tudo, é preciso arrumar a casa. “Antes de tudo, quite as suas dívidas e contas em atraso com esses valores”, diz.
A dica da educadora é tentar negociar descontos, seja diretamente com os credores ou em feirões do Serasa destinados a limpar o nome. Depois disso, é hora de separar uma parte para pagar as contas que surgem no início do ano, como IPVA e IPTU. “Aproveite também para fazer uma revisão geral do orçamento e avaliar o que pode ser cortado, tipo a plataforma de streaming em que você não vê nada”, orienta.
A partir daí, avalie se a sua reserva de emergência precisa de uma recomposição. Com tudo nos eixos, é hora de aproveitar. “Vá comprar presente, viajar, curtir o final de ano e a copa. Só não deixe o espírito do ‘eu mereço’ aparecer antes de resolver os outros pontos”, pontua Santiago.
Escolha suas prioridades
Com tantos eventos no radar, é preciso escolher aquilo que será prioridade – do seu tempo e do seu dinheiro. Vai assistir aos jogos da Copa? Escolha alguns para acompanhar de casa. Precisa comprar alguma coisa? Aproveite a Black Friday para aquilo que é mais urgente, o superficial pode ser adiado.
Mas, para quem não quer abrir mão de nenhum evento, uma outra dica é estabelecer limites de gastos para cada um. “Assistir aos jogos da Copa em um bar com amigos ou com a turma em casa, cada um levando suas bebidas? Comprar roupas novas para o Réveillon ou customizar uma que você já tenha?”, orienta Adriana de Arruda, planejadora financeira pela Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar).
Para organizar as finanças nesse período, a planejadora defende que é importante não endividar para consumir, ou seja, não usar cheque especial e nem fazer empréstimos apenas para aproveitar essas datas.
Planeje com antecedência
Para quem já está de olho nas férias de fim de ano, é melhor correr contra o relógio. Nesses casos, planejar a viagem e os gastos com antecedência é a melhor opção. “Tudo que sai de uma rotina precisa ser muito bem programado”, diz Eduardo Reis Filho, educador financeiro e especialista de investimentos da Ágora Investimentos. Contamos nesta reportagem quanto custa passar o fim de ano nos três melhores resorts do Brasil.
O especialista aconselha reservar recursos de acordo com a quantidade de dias destinados à viagem, levando em conta gastos com alimentação, hospedagens, passagens e passeios. Bem como uma reserva para pequenas emergências, como um pneu furado, um pedágio não conhecido, qualquer outro imprevisto ou até mesmo souvenirs. “O importante é determinar valores máximos de gastos para não cometer exageros”, destaca.