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Educação Financeira

Endividamento das famílias cresce em ano eleitoral; veja como organizar o orçamento

Juros altos e ano eleitoral pressionam o orçamento. Confira 10 dicas para organizar as finanças

Por Leo Guimarães

17/01/2026 | 5:30 Atualização: 16/01/2026 | 12:27

Aumento do endividamento das famílias acontece num contexto crescimento tímido da economia e juros altos. Foto: AdobeStock
Aumento do endividamento das famílias acontece num contexto crescimento tímido da economia e juros altos. Foto: AdobeStock

Em anos eleitorais, políticas de estímulo ao consumo ganham força e o efeito colateral costuma aparecer no bolso das pessoas. O endividamento das famílias avança com crédito mais fácil e juros elevados, pressionando o orçamento doméstico. Ainda assim, especialistas apontam medidas simples para reorganizar as finanças.

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“O que funciona é você saber o seu custo de vida e isso pode ser feito numa folha de papel, tudo registrado visualmente numa página só”, ensina a planejadora financeira da Alocc, Mariana Garcia.

Neste papel, o consumidor vai registar suas despesas básicas, conhecidas como custo fixo, com linhas para despesas como aluguel, escola, plano de saúde e as outras despesas imprescindíveis.

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Os custos variáveis também precisam ser estimados, como gastos com lazer, comida, lanches, transporte, cartão de crédito.

Na busca pelo voto, setores como habitação e varejo são beneficiados por políticas de estímulo através do crédito, que termina ficando mais caro pela maior inadimplência, ampliando as dívidas das famílias brasileiras em 2026.

Famílias estão mais endividadas

No ano passado, foi registrado um aumento superior a 10% no número de pessoas de pessoas com “nome sujo”. É um contingente de 73,5 milhões de pessoas que deixaram de pagar alguma dívida, o equivalente a 44% da população adulta, segundo a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

Ao registrar suas despesas, lembra Mariana, o consumidor pode fazer a comparação com seu rendimento mensal e, a partir daí, fazer ajustes. Cortar aquela academia que deixou de ir e passar a frequentar o parque ou a academia do condomínio podem começar a ajudar.

Até mesmo serviço de streaming que não se assiste mais pode entrar na tesoura para adaptar as despesas ao orçamento.

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A planejadora financeira comenta que só assim, conhecendo o seu custo de vida, é possível prever o quanto será necessário para manter o mesmo nível de vida também no futuro.

“O brasileiro é imediatista, não pensa no amanhã. Muitas pessoas acreditam que o INSS vai suprir seu custo de vida
se for receber. Então, é preciso pensar na aposentadoria privada e só se faz isso com os seus próprios recursos.”

Os profissionais reconhecem que é difícil cortar gastos, mas se não for dessa forma, a outra maneira é aumentando a renda. Trabalhos extras, vender férias estão entre as soluções.

“Pense em como monetizar um hobby ou conhecimento, ou invista em qualificação para aumentar seu salário atual. Depender só de uma única fonte pagadora é ruim”, resume Jeff Patzlaff, planejador financeiro CFP.

O aumento do endividamento das famílias acontece num contexto de economia crescendo pouco, na faixa de 1% este ano, na visão de consenso de mercado, e com juros altos, acima de dois dígitos, por volta de 12,5% até o final do ano, segundo projeções do mercado.

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“As famílias têm que ficar atentas a isso, não se pode soltar a mão e manter o controle de gastos. Caso haja choques, com repercussão na inflação, a tendência é o Banco Central apertar”, comenta Otávio Araújo, consultor sênior da corretora Zero Markets Brasil.

Ano de muitos feriados e Copa: estímulos ao  consumo

Josias Bento, especialista em investimentos e sócio da GT Capital, defende que independente de qualquer situação financeira, o brasileiro deve adotar um posicionamento conservador em 2026.

“Será um ano com muitos feriados durante a semana, a tendência é gastar mais em viagens, por isso busque ter o orçamento mais próximo da realidade. Outro fator é que teremos Copa do Mundo e também será um período com menos dias de trabalho ativo. Será um ano de mostrar a produtividade para fazer mais dinheiro em menos tempo e gastar com parcimônia”, diz.

No ano de 2026, dos dez feriados nacionais, sem contar pontos facultativos, nove irão cair durante a semana podendo se transformar em feriadões, emendando com o final de semana. Confira:

Data Feriado  Dia da Semana
01/01/2026 Confraternização Universal Quinta-feira
03/04/2026 Sexta-feira Santa (Paixão de Cristo) Sexta-feira
21/04/2026 Tiradentes Terça-feira
01/05/2026 Dia do Trabalho Sexta-feira
07/09/2026 Independência do Brasil Segunda-feira
12/10/2026 Nossa Senhora Aparecida Segunda-feira
02/11/2026 Finados Segunda-feira
15/11/2026 Proclamação da República Domingo
20/11/2026 Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra Sexta-feira
25/12/2026 Natal Sexta-feira

Diante de tantas distrações, Araújo recomenda que, em caso de descontrole, as maiores contas, e aquelas que têm os juros mais altos, devem ser priorizadas e, se possível, antecipar pagamentos.

Num cenário de juros altos, esse cuidado é muito positivo para o orçamento familiar. “Os bancos conseguem negociar descontos das dívidas, dar alguma bonificação por causa desse pagamento antecipado”, justifica. A taxa média anual do crédito no Brasil, segundo o  Banco Central, estava em 59,4% para as pessoas físicas em novembro de 2025, último dado disponível.

Depois do controle, a reserva de emergência

Ele salienta que montar uma reserva de emergência é o último passo para sanear as contas, porque não adianta pensar em poupança antes de quitar todas as dívidas. “O dinheiro que a pessoa paga de juros sempre será maior em relação daquele que se recebe.”

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Para quem consegue pensar em reserva de emergência, Mariana tem uma sugestão que pode soar radical para muita gente. Ela defende uma reserva de liquidez equivalente a três anos de renda da pessoa. “A gente entende que isso pode ser muito elevado para a maioria das famílias, mas o importante é começar, com pouco, chega a uma reserva de seis meses”, diz.

Na visão dela, três anos é ideal porque a pessoa cria um colchão de liquidez, com dinheiro guardado em CDI e fundos líquidos, o que é importante. “Três anos são, historicamente, um tempo de uma crise, de mercado, sanitária, pessoal. A pessoa pode perder o emprego, ficar doente, precisar de uma cirurgia”, comenta.

Outros profissionais defendem um horizonte mais curto para as emergências “Para quem atua com carteira assinada em torno de 6 meses já ajuda bastante e para quem atua como autônomo ou PJ o ideal é de 8 a 12 meses”, diz Bento, da GT Capital.

Nessa modalidade, com a Selic em dois dígitos, ele recomenda aplicações no Tesouro Selic e fundos de investimentos de renda fixa. “Podendo fazer um escalonamento nessa classe com fundos de liquidez diária e outros até D+6. Se o investidor for um pouco mais agressivo pode escolher fundos de renda fixa mais voltados para o crédito privado, que entregam uma rentabilidade maior, porém tem uma maior volatilidade.”

Pontos de atenção para manter as contas em dia

Independentemente do tamanho possível para essa reserva de emergência, o importante é manter uma rotina de revisão e controle de gastos e automatizar contas e investimentos, deixando uma margem também para bonificação pessoal imediata, como a “cervejinha com os amigos”.

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E um ponto de atenção é evitar os maus hábitos, como compras por impulso em promoções como as tradicionais queimas de estoque de janeiro, por exemplo. “A pessoa que está meio apertada também deve evitar estímulos, como tirar os aplicativos de lojas do celular”, comenta Araújo.

Ele lembra que é preciso ficar atento ao estímulo de crédito fácil das plataformas financeiras, que disponibilizam empréstimos a um clique de distância do cliente. “Essa facilidade de pegar crédito compromete muito a renda das famílias”, observa.

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