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Educação Financeira

IPCA: Como a inflação impacta o dia a dia e o seu bolso

Veja por que a inflação controlada e dentro da meta é benéfica para a economia e saiba em que ponto estamos agora

Bruno Andrade é repórter do E-Investidor
Por Bruno Andrade

09/10/2024 | 13:45 Atualização: 09/10/2024 | 13:45

Inflação medida pelo IPCA teve avanço de 0,44% em setembro (Foto: Nejron Photo em Adobe Stock)
Inflação medida pelo IPCA teve avanço de 0,44% em setembro (Foto: Nejron Photo em Adobe Stock)

A inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi de 0,44% em setembro, revelam dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (9). No ano, o IPCA acumula alta de 3,31% e, nos últimos 12 meses, de 4,42%, acima dos 4,24% observados nos 12 meses imediatamente anteriores.

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Para as pessoas, no dia a dia o maior peso foi o da conta luz. Ela disparou 5,36% em setembro com a vigência da bandeira tarifária vermelha patamar 1, que acrescenta R$ 4,46 a cada 100 kWh consumidos. Outro setor que teve uma alta expressiva de preços foi o de alimentos e bebidas, com avanço de 0,50%.

Nesse caso, o grande vilão foi o mamão, que avançou 10,34%. A alta de preços também atingiu a laranja-pera (10,02%), café moído (4,02%) e o contrafilé (3,79%). No lado das quedas, destacaram-se a cebola (-16,95%), o tomate (-6,58%) e a batata-inglesa (-6,56%).

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Segundo André Perfeito, o resultado da inflação do mês foi influenciado por questões climáticas: além da conta de luz, outros impactos foram sentidos no cotidiano. “Os alimentos pesaram, em especial carnes e alimentos in natura, que refletem as recentes queimadas e secas”, aponta.

A capital com a maior inflação no mês de setembro foi Goiânia (GO), onde os preços subiram 1,08%. A menor alta foi Aracaju (SE) com um crescimento de 0,07% dos preços em setembro de 2024. A inflação é um grande balizador da economia. Ela permite saber quão aquecida está a atividade econômica. Um IPCA controlado e dentro da meta é visto como algo saudável para uma economia em equilíbrio, pois ela está ativa e em crescimento e a alta de preços não atrapalha a população.

Como a inflação atrapalha a vida dos brasileiros?

No entanto, caso os preços disparem exorbitantemente, os brasileiros podem acabar consumindo menos. Ou seja, uma inflação controlada mostra que a economia está ativa, sem pesar sobre o bolso do consumidor.

Para evitar que a inflação dispare e incomode o bolso do consumidor, o Banco Central do Brasil precisa subir juros. Os juros em um patamar elevado retiram parte do dinheiro da economia. Essa quantia passa a ficar em títulos públicos ou na própria poupança, que passam a render mais com os juros elevados. As compras parceladas e os empréstimos também podem ficar mais caros, a depender de como estiver a Selic. Todos esses pontos ajudam a desacelerar a economia para reduzir a inflação.

A cada 45 dias, o Banco Central se reúne para decidir se vai ou não subir a taxa básica de juros da economia, a Selic. A depender de como estiver a inflação, dentro ou fora da meta, o Banco Central pode subir, descer ou manter os juros como estão. A meta de inflação para 2024 é de 3%, com uma tolerância até de 4,5%. Restando três meses para o fim do ano, o indicador está em 3,31%. E é nesse ponto que os analistas fazem suas estimativas.

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Segundo André Perfeito, o mais importante no dado para o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central são as medidas de núcleo e Serviços Subjacentes, que apresentaram queda expressiva na margem (saindo de 0,28% para 0,02%). “A queda em serviços pode ser localizada em poucos itens. Os demais núcleos não tiveram aceleração, o que pode auxiliar a perspectiva de altas de juros mais moderadas”, diz o analista.

Para onde vai a Selic?

Os analistas ouvidos pelo E-Investidor disseram que os dados do IPCA de hoje não mudam as estimativas de Selic. O consenso dos especialistas é de que a taxa básica de juros da economia deve encerrar 2024 cotada a 11,75% ao ano, ante os atuais 10,75%.

Ainda assim, Felipe Corleta, sócio da GTF Capital, entende que seria mais adequado manter o ritmo gradual de elevação dos juros, especialmente diante da queda das taxas nos países desenvolvidos. “Mas a maior probabilidade é de que a equipe de Roberto Campos Neto [o presidente do BC] siga a curva e encerre o ano com a Selic em 11,75%”, salienta o sócio da GTF Capital.

Corleta também tem um posicionamento um pouco mais diferenciado em relação aos demais analistas em relação ao fim do corte de juros. Para o especialista, a Selic deve encerrar o atual ciclo de  juros em até 12,50%, enquanto o restante do mercado estima o fim do ciclo em 12% na reunião de janeiro.

Ou seja, a inflação possui impacto direto e indiretos no dia a dia do brasileiro. O mais direto é a alta dos preços. Indiretamente, o IPCA acima do esperado pode causar uma alta de juros para o BC possa cumprir sua meta. Entretanto, se o Banco Central subir juros, isso pode ter um segundo impacto: o aumento da rentabilidade de títulos da renda fixa.

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Esse ponto passa a ser muito positivo para quem for investir. Para saber em quais títulos investir agora, veja esta reportagem. Por outro lado, para as pessoas que querem pegar empréstimos no banco, a alta dos juros é ruim, visto que o juro pago também tende a ficar mais elevado. No fim das contas, o ideal seria uma inflação controlada sem a necessidade da alta de juros – assim, o brasileiro poderia ter menos impactos negativos do IPCA no bolso e em sua rotina.

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