A Receita monitora informações de diferentes fontes, como bancos, corretoras, cartórios, administradoras de fundos, planos de previdência e fintechs. As empresas também enviam suas próprias declarações ao Fisco. É isso que permite a existência da declaração pré-preenchida, versão do documento que inicia com diversos campos já completos.
A maior fiscalização atinge todos os perfis de contribuintes. Para quem aplica em criptoativos, diversas corretoras estrangeiras já repassam dados ao Brasil ou estão sujeitas a acordos de cooperação. Regra que também vale para quem mantém empresa offshore (fora do País) ou trust (sociedade com jurisdição internacional para proteção e planejamento patrimonial) no exterior.
Quando se trata do Pix, não há uma tributação específica, como sugerem notícias falsas em circulação na internet, mas há uma maior fiscalização por parte da Receita. Em 2025, o Fisco colocou as fintechs sob as mesmas regras dos bancos tradicionais, com a Instrução Normativa nº 2.278/2025.
Agora as instituições são obrigadas a repassar informações de operações financeiras que superem R$ 2 mil por mês no caso da pessoa física e R$ 6 mil para pessoa jurídica. Esses dados são informados por meio de um documento chamado E-financeira.
Em sua coluna no Estadão, Maria Carolina Gontijo, a Duquesa de Tax, fez uma analogia com o monitoramento de ruas por câmeras de segurança: funciona como se a Receita passasse a vigiar uma nova via. “O monitoramento se torna cada vez mais inteligente e integrado. A Receita está fazendo o trabalho dela”, diz. “O que mudou não é taxar o Pix, é o cerco ficando mais fechado”, acrescenta.
Outro dado no radar do Fisco são os ganhos com bets. As casas autorizadas a operar no País pelo Ministério da Fazenda são obrigadas a informar à Receita os valores de prêmios distribuídos aos contribuintes. Essas empresas também tiveram que compartilhar com os seus clientes, até o dia 27 de fevereiro, o Comprovante de Resultados em Apostas em Loterias de Quota Fixa (ComprovaBet), que consolida as informações sobre os resultados do apostador em todas as marcas do agente operador.
As dicas para se preparar para o IR 2026
Como mostramos nesta matéria, a principal orientação dos especialistas para este momento é a organização. “Recomendo que o contribuinte já comece a separar informes de rendimentos, comprovantes de despesas médicas e educacionais, além de documentos de bens e direitos. A antecipação evita erros e reduz significativamente o risco de cair na malha fina”, afirma Mafrys Gomes, sócio do Grupo MCR Contabilidade e Auditoria.
O contribuinte deve ter em mente que a evolução patrimonial precisa ser coerente com os bens, dívidas e rendimentos declarados. Movimentações incompatíveis levantam suspeitas da Receita, especialmente nesse momento de maior sofisticação do cruzamento de dados dos Fisco.
Também vale tomar cuidado com os erros mais comuns no IR. De acordo com a Receita, em 2025, os problemas em despesas médicas foram o principal motivo de retenção, correspondendo a 32,6% do total.
Em seguida, apareceram os casos de omissão de rendimentos, que corresponderam a 30,8% das retenções, e as deduções – exceto despesas médicas –, que representaram 16% das retenções. Diferenças entre o valor informado pelo contribuinte no IR e o declarado pela fonte pagadora responderam por 15,1% dos casos. Os demais motivos somaram 5,5% das retenções em malha fina.