Dividendos ganham força com volatilidade na Bolsa; veja ações favoritas para março
Com fluxo estrangeiro de R$ 40 bilhões no ano e expectativa de cortes da Selic, bancos e corretoras reforçam empresas resilientes nas carteiras de proventos
Empresas com alto dividend yield e geração de caixa consistente voltam ao foco das carteiras recomendadas de dividendos em marços de 2026 em meio à expectativa de cortes da Selic e volatilidade externa. (Foto: Adobe Stock)
As carteiras recomendadas de dividendos voltam ao centro das atenções em março, em meio ao aumento da volatilidade do Ibovespa após o rali do começo do ano. Com cerca de R$ 40 bilhões de entrada de capital estrangeiro na Bolsa de Valores nos dois primeiros meses de 2026 e as tensões no Oriente Médio adicionando cautela aos mercados, bancos e corretoras reforçam a busca por empresas resilientes e com capacidade de remunerar o acionista de forma consistente.
Ainda que o múltiplo projetado do Ibovespa próximo de 10 vezes lucro (P/L) esteja em linha com a média histórica, analistas reconhecem que, após o rali recente, o mercado financeiro precisará de novos gatilhos para sustentar um re-rating (reprecificação). Nesse contexto, os dividendosfuncionam como “colchão” de retorno para o investidor.
Análise top down e foco em payout mínimo de 25%
Na Terra Investimentos, a construção da carteira parte de um debate macroeconômico estruturado. “A elaboração passa primeiramente por uma reunião com os analistas da Terra, que traça os cenários, os papéis sugeridos e a estratégia adotada”, afirma a corretora. A metodologia combina análise top down (definição de cenário macro, escolha de setores beneficiados e, só então, seleção das companhias) com eventuais avaliações bottom-up (quando projeções próprias e médias de mercado ajudam a refinar a escolha).
A casa destaca que as alterações ocorrem apenas uma vez por mês e que o portfólio é “apenas uma carteira de referência”. Os pesos são definidos mais pelo risco do que pelo retorno projetado, uma abordagem que privilegia consistência.
No recorte específico de dividendos, o critério são empresas com payout(porcentagem de lucro líquido distribuído aos acionistas) acima de 25%, múltiplos atrativos, crescimento via proventos e balanço sólido. “
“Preferencialmente, optamos por empresas com boa geração de caixa, elevada governança corporativa e alto dividend yield [rendimento de dividendos]”, reforça a Terra.
Eventos corporativos no radar e rotação tática
A Planner Corretora também reportou desempenho acima do Índice Dividendos no acumulado do ano, com alta de 11,9%. A estratégia combina previsibilidade de fluxo de proventoscom atenção a eventos societários.
Banco do Brasil (BBAS3) segue na carteira após a aprovação de juros sob capital próprio (JCP) antecipado referente ao 1T26. Já a Porto (PSSA3) permanece pelo histórico de payout próximo de 50% ao ano e expectativa de nova distribuição trimestral.
Por outro lado, nomes como BB Seguridade (BBSE3) e Cury (CURY3) foram retirados com a chegada do período ex-dividendos. A ISA Energia Brasil (ISAE4) também saiu após a terceira parcela de JCP.
Para o lugar, entram empresas com forte previsibilidade de proventos. A CPFL Energia (CPFE3), com payout de 55% e distribuição anual tradicional em abril, e a Telefônica Brasil (VIVT3), descrita como “uma das maiores pagadoras de proventos da B3“, são destaques. A tele já deliberou R$ 6,99 bilhões em remuneração para 2026, incluindo redução de capital.
A Vulcabras (VULC3) completa o grupo de inclusões, com expectativa de novo provento parcial no curto prazo.
Fluxo estrangeiro para a Bolsa não diz tudo
Na Empiricus Research, o foco recai sobre geração comprovada de caixa livre e dividendos sustentáveis capazes de proporcionar o efeito dos juros compostos no longo prazo. A carteira tem oito ativos com pesos iguais (12,5% cada) e dividend yield médio estimado em 6,2% para 2026.
A casa reconhece que o fluxo estrangeiro tem sido determinante para o desempenho do mercado financeiro, mas pondera que não é prudente depender exclusivamente desse vetor.
“Nossa sugestão é continuar com uma carteira equilibrada, com empresas que costumam mostrar solidez mesmo em ambientes adversos”, explica.
Para março, a saída de Direcional (DIRR3), após forte valorização, deu lugar à Cyrela (CYRE3), vista como mais sensível ao ciclo de queda de juros. A tese combina exposição ao início do afrouxamento monetário com proteção via fluxo de dividendos.
Geração via diversificação setorial
O BTG Pactual adota uma abordagem integrada entre as equipes de análise e estratégia, buscando “geração total de valor ao acionista com foco na distribuição de proventos”. A revisão é mensal e privilegia ativos de alta qualidade e resiliência.
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Entre os destaques está o Itaú Unibanco (ITUB4), tratado como top pick (preferida) entre os grandes bancos, mesmo negociando a múltiplos mais exigentes. Já a Petrobras (PETR4) permanece na carteira, embora o plano 2026-2030 tenha elevado o ceticismo de parte do mercado diante do aumento de capex (investimento) e maior dependência de compressão do risco-País.
No setor elétrico, a Equatorial Energia (EQTL3) aparece como forma de capturar taxas reais longas ainda elevadas, enquanto a Copel (CPLE6) é vista como beneficiária da nova política de dividendos pós-privatização.
A carteira também inclui nomes como Caixa Seguridade (CXSE3), com yield estimado em 8% para 2026, e Allos (ALOS3), que anunciou guidance (projeções) implicando yield de 11%.
As quatro abordagens revelam nuances importantes. A Terra privilegia disciplina metodológica e controle de risco; a Planner trabalha com gatilhos de proventos no curto prazo; a Empiricus enfatiza o poder do compounding (estratégia de reinvestir os rendimentos de um investimento para gerar novos retornos) e equilíbrio; e o BTG combina dividendos com tese macro e catalisadores estruturais.
Para o investidor, a escolha passa por três perguntas centrais:
Busca previsibilidade ou oportunidade tática?;
Prefere concentração em setores tradicionais pagadores ou diversificação temática (ouro, petróleo, privatizações)?;
Tolera maior volatilidade em troca de yields potencialmente mais altos?
Com a virada do ciclo da Selic, as carteiras de dividendos devem focar em estratégia de posicionamento. Se o fluxo estrangeiro continuar sustentando o mercado, os proventos funcionam como reforço; se houver volatilidade, ajudam a amortecer o impacto.
Carteiras recomendadas para março
Ágora Investimentos
Para o mês de março, a casa optou por não realizar nenhuma alteração na composição do portfólio.
Ações
Allos (ALOS3)
Caixa Seguridade (CXSE3)
Isa Energia (ISAE4)
Itaú (ITUB4)
TIM (TIMS3)
Terra Investimentos
Para março, a Terra retirou as ações da Caixa Seguridade (CXSE3) e as substituiu pelo ticker do BB Seguridade (BBSE3).
Ações
Itausa (ITSA4)
Bradespar (BRAP4)
Petrobras (PETR4)
BB Seguridade (BBSE3)
CMIG4 (Cemig)
Planner
A Planner retirou 3 empresas da carteira: BB Seguridade (BBSE3), Cury (CURY3) e Isa Energia Brasil (ISAE4). As incluídas foram: CPFL Energia (CPFE3), Telefônica Brasil (VIVT3) e Vulcabras (VULC3).
Ações
CPFL Energia (CPFE3)
Banco do Brasil (BBAS3)
Porto (PSSA3)
Telefônica Brasil (VIVT3)
Vulcabras (VULC3)
Andbank
A carteira recomendada do Andbank de março atingiu um potencial de valorização de 3,51%. Veja as ações selecionadas:
Ações
BB Seguridade (BBSE3)
Bradesco (BBDC4)
CPFL (CPFE3)
Copel (CPLE3)
Itaú (ITUB4)
Itaúsa (ITSA4)
Porto Seguro (PSSA3)
Telefônica Brasil (VIVT3)
Tim (TIMS3)
Vale (VALE3)
BTG Pactual
Para a carteira de março, o banco retirou a B3 (B3SA3) e Sanepar (SAPR11) para dar espaço para Aura (AURA33), Prio (PRIO3) e Odontoprev (ODPV3).
Ações
Itaú Unibanco (ITUB4)
Petrobras (PETR4)
Axia Energia (AXIA3)
Bradesco (BBDC4)
Aura (AURA33)
Caixa Seguridade (CXSE3)
Equatorial (EQTL3)
Copel (CPLE3)
Copasa (CSMG3)
Allos (ALOS3)
Prio (PRIO3)
Direcional (DIRR3)
Odontoprev (ODPV3)
Empiricus Research
Para este mês, a corretora retirou a Direcional (DIRR3) e acrescentou a Cyrela (CYRE3).