Ibovespa hoje operou em queda, em linha com o desempenho de Nova York. (Imagem: Adobe Stock)
O Ibovespa hoje caiu 2,64%, aos 181.463,84 pontos, a segunda maior perda percentual diária do índice no ano, menor apenas que a baixa de 3,28% registrada na terça-feira (3). Apenas sete ações encerraram em alta. O pregão operou sob influência do aumento das tensões no Oriente Médio. Investidores acompanharam ainda uma agenda carregada de indicadores. Entre os destaques desta quinta-feira (5) esteve a divulgação da taxa de desemprego de janeiro pela pesquisa nacional por amostra de domicílios (Pnad Contínua).
Na agenda econômica doméstica, o Tesouro vendeu todas as 450 mil Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F) ofertadas em leilão realizado nesta quinta-feira. Foram colocados três vencimentos. O volume financeiro somou R$ 388 milhões. O Tesouro também vendeu todas as 450 mil Letras do Tesouro Nacional (LTN) ofertadas em leilão. Foram colocados três vencimentos. O volume financeiro somou R$ 349 milhões.
Ainda na agenda, após o fechamento do mercado, a Petrobras apresenta seu balanço do quarto trimestre de 2025.
No exterior, os pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos permaneceram inalterados, ante número anterior revisado, na semana encerrada em 28 de fevereiro, em 213 mil, informou hoje o Departamento do Trabalho. Analistas ouvidos pela FactSet esperavam alta a 215 mil. O total de pedidos da semana anterior foi revisado de 212 mil para 213 mil.
A guerra no Oriente Médio seguiu dominando as atenções dos mercados. O Irã lançou nesta quinta-feira (5) uma nova onda de ataques contra Israel e bases militares dos Estados Unidos, no sexto dia do conflito.
Israel, por sua vez, anunciou uma ofensiva de “larga escala” contra Teerã e a continuidade dos bombardeios contra posições do Hezbollah no Líbano.
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Em meio à escalada militar, o Irã afirmou que o Estreito de Ormuz (rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial) está fechado “apenas a navios dos EUA, de Israel, da Europa e de outros aliados ocidentais”. A notícia manteve os mercados em estado de alerta, ainda que os preços do petróleo tenham desacelerado levemente após o anúncio.
Segundo Nikos Tzabouras, analista sênior da plataforma de negociação financeira Tradu.com, o conflito pode provocar cortes prolongados na oferta global.
“Os EUA sinalizaram uma campanha de quatro a cinco semanas, o Irã busca regionalizar o conflito e o crucial ponto de passagem do Estreito de Ormuz está efetivamente fechado”, afirma.
Na avaliação do especialista, esse cenário pode reverter a dinâmica recente de oferta e demanda e levar o petróleo novamente ao patamar de US$ 100 por barril.
Mercado hoje: veja os destaques desta quinta-feira (5)
Petróleo volta a subir
Após fecharem praticamente estáveis na sessão anterior, os contratos do petróleo voltaram a disparar.
Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para abril fechou em alta de 8,50% a US$ 81,01 o barril. Já o Brent para maio encerrou em valorização de 4,93% a US$ 85,41 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).
Bolsas globais: NY recua, Europa cai e Ásia se recupera
As bolsas de Nova York fecharam em queda, após o desempenho positivo de Wall Street na sessão anterior, refletindo a cautela dos investidores diante das incertezas geopolíticas. O Dow Jones cedeu 1,61%, o S&P 500 recuou 0,56% e o Nasdaq registrou baixa de 0,26% no mercado.
Na Europa, as bolsas fecharam majoritariamente em queda. Em Londres, o FTSE 100 encerrou em baixa de 1,45%, a 10.413,94 pontos. Em Frankfurt, o DAX caiu 1,78%, a 23.774,09 pontos. Em Paris, o CAC 40 perdeu 1,49%, a 8.045,80 pontos. Em Milão, o FTSE MIB recuou 1,61%, a 44.608,55 pontos. Em Madri, o Ibex 35 caiu 1,43%, a 17.237,00 pontos. Em Lisboa, exceção no dia, o PSI 20 avançou 0,01%, a 8.932,42 pontos.
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Na Ásia, os mercados seguiram o caminho oposto e encerraram majoritariamente em alta, impulsionados por compras de oportunidade após a forte volatilidade recente. O destaque ficou com a Coreia do Sul: em Seul, o índice Kospi saltou 9,63%, na maior alta desde 2008, após o tombo recorde da véspera.
O Nikkei subiu 1,90% em Tóquio, enquanto o Hang Seng avançou 0,28% em Hong Kong e o Taiex ganhou 2,57% em Taiwan. Na China, o ShanghaiComposto subiu 0,64% e o Shenzhen Composto avançou 1,17%.
O movimento foi apoiado pela meta oficial de crescimento da China para este ano, entre 4,5% e 5% do produto interno bruto (PIB) a mais baixa desde os anos 1990.
Juros e dólar sobem com busca por proteção
Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) avançaram pela quarta sessão consecutiva, refletindo a cautela global diante do conflito no Oriente Médio.
O rendimento da T-note de dois anos subiu para 3,578%, enquanto o da T-note de dez anos avançou para 4,132%. Já o rendimento do T-bond de 30 anos teve alta a 4,745%.
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O dólartambém voltou a se fortalecer frente a outras moedas importantes. O euro caiu a US$ 1,1608, a libra recuou US$ 1,3359, enquanto o dólar subiu a 157,54 ienes.
O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas relevantes, avançou 0,55%, a 99,317 pontos.