MGLU3 R$ 38,00 +1,39% ITUB4 R$ 21,51 +0,51% DÓLAR R$ 5,26 +1,27% GGBR4 R$ 9,76 +1,99% IBOVESPA 70.966,70 pts -2,81% PETR4 R$ 14,40 +0,70% BBDC4 R$ 19,90 -4,19% ABEV3 R$ 11,67 -0,17% VALE3 R$ 43,54 +0,39%
MGLU3 R$ 38,00 +1,39% ITUB4 R$ 21,51 +0,51% DÓLAR R$ 5,26 +1,27% GGBR4 R$ 9,76 +1,99% IBOVESPA 70.966,70 pts -2,81% PETR4 R$ 14,40 +0,70% BBDC4 R$ 19,90 -4,19% ABEV3 R$ 11,67 -0,17% VALE3 R$ 43,54 +0,39%
Investimentos

As ações para ficar de olho com a queda da Bolsa

Analistas apontam os setores mais resistentes à crise

Mulher observa oscilação das ações da B3, em São Paulo. Foto: Amanda Perobelli/Reuters
  • Apesar dos seis circuit breakers em oito pregões, analistas veem oportunidades em alguns setores
  • Energia, concessão, distribuição de combustíveis e telecomunicações tendem a sofrer menos na crise
  • A relação entre o preço e o lucro da ação, um indicador importante, pode ajudar o investidor neste momento
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(Pedro Hallack, E-Investidor)Índice que reúne as principais ações negociadas na Bolsa de Valores brasileira, o Ibovespa passa por um momento delicado com a crise do coronavírus derrubando as projeções econômicas e a guerra do petróleo entre Rússia e Arábia Saudita. A sucessão de más notícias fez o indicador acumular queda de 42% em 2020, após subir 31,58% em 2019 e atingir o recorde de 119,5 mil pontos em janeiro.

Apesar do pânico imperar no mercado, obrigando a Bolsa a acionar o circuit breaker seis vezes em oito sessões, ainda existem boas oportunidades de compra, como ações descontadas e com bom potencial de valorização no médio e longo prazos.

Banco do Brasil é apontado como opção de compra interessante por analistas
Banco do Brasil é apontado como opção de compra interessante por analistas (Paulo Whitaker/ Reuters)

O analista da Guide Investimentos Luis Sales vê um cenário interessante para as blue chips (maiores empresas da B3), que têm balanços robustos e caixa para enfrentar um cenário de desaceleração econômica. Petrobrás, Vale, Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Ambev, Magazine Luiza, Natura, Cosan, JBS e Suzano são citadas como boas opções para o investidor. A casa projeta a recuperação do Ibovespa a 107 mil pontos até o fim do ano.

Vale destacar que alguns números importantes indicam quando os papéis estão descontados. A relação entre preço e lucro (P/L) do Banco do Brasil está em 4 vezes, bem abaixo da média histórica dos bancos de 9 vezes, por exemplo. No último balanço da Petrobrás, o valor patrimonial por ação foi de R$ 22,93, enquanto o papel está cotado a R$ 12,00. “Em uma empresa desse tamanho, o preço deveria ser pelo menos igual”, diz Sales.

A Guide, inclusive, já trabalha com preço alvo para cinco ações:

Vale – Preço alvo: R$ 52,00 – Preço atual: R$ 35,19 – Potencial de valorização: 47,77%

Petrobrás – Preço alvo: R$ 24,00 – Preço atual: R$ 12,00 – Potencial de valorização: 100%

Banco do Brasil – Preço alvo: R$ 38,00 – Preço atual: R$ 24,60 – Potencial de valorização: 54,47%

Itaú Unibanco – Preço alvo: R$ 30,00 – Preço atual: R$ 22,05 – Potencial de valorização: 36,05%

B3 – Preço alvo: R$ 40,00 – Preço atual: R$ 32,44 – Potencial de valorização: 23,30% 

Os setores mais resistentes

No longo prazo, o analista também vê com bons olhos os setores de varejo, transportes, saúde e commodities – este beneficiado pela alta de 25,28% do dólar em 2020, favorável a frigoríficos e exportadores de celulose, por exemplo. 

Por outro lado, o analista Ricardo França, da Ágora Investimentos, recomenda olhar os papéis de setores que tendem a sofrer menos com a retração da atividade econômica, como energia, concessão, distribuição de combustíveis e telecomunicações. 

“Empresas desses segmentos têm maior previsibilidade de receita e são menos afetadas pelos ciclos da economia”, diz o analista Ricardo França, da Ágora. “No setor elétrico, mesmo se houver queda no consumo, os resultados não são afetados no curto prazo porque as transmissoras ganham pela disponibilidade da linha.”

Os analistas também recomendam que o investidor diversifique a carteira de ações para não deixar o investimento exposto aos riscos de apenas um setor.

Na Toro Investimentos, o foco está em empresas mais ligadas à economia doméstica, sem muita exposição ao mercado externo. Chefe de análises da corretora, Rafael Panonko vê os papéis de Magazine Luiza, Via Varejo, Lojas Renner, Ambev (varejo), Taesa, Equatorial Energia, Transmissão Paulista (energia), Itaú Unibanco, Bradesco e Banco do Brasil (bancos) bastante atrativos.

Outra empresa que merece destaque, segundo o analista, é a Yduqs (antiga Estácio). “Como a queda foi exagerada, essas empresas não vão sofrer tanto com o cancelamento das aulas”, diz. “A maioria dos pais não deixa de pagar as escolas, uma vez que as aulas serão repostas eventualmente”. As ações da companhia, que subiram 104,6% em 2019, acumulam baixa de 52,84% no ano.

A Petrobrás também é vista por Panonko como uma das “pechinchas” da Bolsa. Apesar de o preço do petróleo ter despencado para menos de US$ 30,00 por barril, com a expectativa de recessão na economia global e a disputa entre Rússia e Arábia Saudita, o especialista lembra que o preço atual da ação está no mesmo patamar do auge da Lava Jato. Para o analista, a melhora na gestão da empresa, o recuo no custo de exploração do petróleo, a diminuição do endividamento e a volta dos lucros são fatores que dão confiança aos investidores da petroleira.

Compras devem ser feitas aos poucos

Na opinião dos analistas consultados pelo E-Investidor, a expectativa de retomada até o fim do ano não pode eliminar a cautela. Como o cenário atual é de incerteza, o mercado acionário deve acompanhar o avanço global do coronavírus e continuar oscilando nos próximos meses. Para quem está começando na renda variável, a recomendação é olhar por aplicações pontuais e aumento gradual da exposição à Bolsa, sem colocar todo patrimônio em ações logo de cara.

Nesse cenário, os analistas também reiteram a importância de o investidor ter uma carteira diversificada, com ativos de renda fixa e fundos multimercado para se proteger do risco. “Essa crise mostrou que ter um planejamento financeiro sólido é fundamental”, diz França. “É preciso respeitar os próprios limites de tolerância ao risco e não embarcar na onda do mercado cegamente.”

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