

O Banco de Brasília (BRB), controlado pelo governo do Distrito Federal, confirmou na última sexta-feira (28) a compra do Banco Master, em uma operação estimada em R$ 2 bilhões, segundo apurou o Broadcast. No acordo assinado, o BRB leva 58% do capital da instituição financeira de Daniel Vorcaro.
A operação foi aprovada por unanimidade pelo conselho do BRB, mas ainda precisa do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central (BC). O BC informou que ainda aguarda o pedido oficial feito pelo banco e que, depois disso, será feita uma análise técnica sobre a compra, que precisará ser autorizada ou não. Veja os detalhesna cobertura do Estadão.
O banco público pretende comprar 49% das ações ordinárias do Master, com direito a voto, e 100% das ações preferenciais. O preço vai equivaler a 75% do patrimônio líquido do Master na data de fechamento.
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O objetivo, de acordo com o BRB, é formar um novo conglomerado prudencial, controlado pelo banco estatal. Os dois bancos continuarão operando separados, mas a marca será apenas a do BRB, que terá direito a voto afirmativo em determinadas matérias.
Zeca Berardo, sócio do Berardo Lilla Advogados, especialista em direito concorrencial, comenta que será interessante monitorar como o Cade vai analisar a concorrência dentro do setor financeiro, que atualmente conta não só com bancos tradicionais, como também com fintechs e instituições de pagamento. “Sobre a chance de aprovação, acho que seria muito estranho se o Cade bloqueasse a operação, muito embora o caso vá merecer uma análise um pouco mais detalhada”, diz.
Como ficam os CDBs do Master?
Analistas comentam que, com a aquisição pelo BRB, os investidores de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Master podem se beneficiar de um maior nível de segurança.
Para quem já investe ou está considerando investir nos produtos, vale reforçar alguns pontos. O primeiro é que os papéis continuam cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) até o limite de R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira, o que oferece uma proteção em caso de eventos extremos.
“Segundo, a aquisição tende a melhorar o perfil de risco da instituição, o que é positivo para os investidores — embora, em um primeiro momento, o mercado ainda possa precificar incertezas naturais de transições desse porte”, avalia Gianluca Di Mattina especialista em investimentos da Hike Capital.
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A especialista recomenda que os investidores continuem observando a evolução da operação e a possível aprovação pelo Banco Central e pelo Cade. De forma geral, no entanto, o cenário aponta para um movimento de profissionalização e estabilização da operação do Master.
A análise é de que o foco do BRB em consolidar o conglomerado e fortalecer a governança pode trazer mais segurança para o investidor de renda fixa no médio prazo. Justamente por isso, é possível que no futuro os CDBs da instituição deixem de pagar prêmios tão altos, caso o risco percebido diminua.
Andressa Bergamo, especialista em investimentos e sócia-fundadora da AVG Capital, concorda que a aquisição não deve representar riscos imediatos para os investidores que possuem CDBs do Banco Master.
“Depois de algumas notícias ruins do Banco Master no passado, entendo que a aquisição vai deixar muitos investidores até mais tranquilos nesse momento”, comenta. Nesta reportagem, o E-Investidor mostrou quais fatores geravam insegurança em relação aos produtos financeiros do Master.
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Bergamo faz, no entanto, um alerta. “Com a aquisição, o FGC cobrirá apenas R$ 250 mil pela instituição – portanto, o investidor deve somar o que ele tinha de CDB em Banco Master e BRB.”
Para Guilherme Almeida, head de renda fixa da Suno Research, o BRB tem uma governança corporativa robusta e alinhada às melhores práticas do mercado. “Isso para quem tem um CDB do Master é positivo, porque agora existe um conglomerado mais robusto. É bem provável que, para que essa operação seja executada, a instituição vá precisar mexer em muitos pontos que hoje denotam um certo receio por parte do investidor, como o próprio fato relevante”, diz.
O especialista entende que o Banco Master vai ter de fazer algumas alterações na sua estrutura de governança corporativa e reavaliar as suas estratégias. “Algumas serão descontinuadas, outras terão continuidade e serão alinhadas ao próprio estilo de atuação do BRB”, diz.
Almeida recomenda, no entanto, prudência por parte dos investidores, para entender, de fato, como essas mudanças, propostas ou condicionadas, serão endereçadas. “De uma forma geral, no entanto, a gente avalia como um movimento positivo para os investidores.”
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Do ponto de vista prático, Marcelo Moraes, professor de Direito Empresarial da Uniarnaldo Centro Universitário, de Belo Horizonte, afirma que os clientes do Banco Master deverão ter seus ativos financeiros transferidos para depósito no BRB e serão concedidos acessos por meio da plataforma do banco público. “Será uma alteração na utilização, caso os clientes queiram operar com o BRB. Como se trata de instituição financeira sólida, creio que não haverá problemas”, avalia.