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Investimentos

“Calcanhar de Aquiles do BC é política fiscal expansionista do governo”, diz economista

Marianna Costa avalia que compromisso fiscal será decisivo para o humor do mercado nas eleições de 2026

Por Beatriz Rocha

05/01/2026 | 3:00 Atualização: 05/01/2026 | 17:54

Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset. Foto: Divulgação/Mirae Asset
Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset. Foto: Divulgação/Mirae Asset

O ano de 2026 promete ser agitado para os investidores, com uma combinação de fatores decisivos no radar: eleições no Brasil, o início esperado do ciclo de cortes da Selic e a troca no comando do Federal Reserve (Fed). Para Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset, o período deve ser marcado por juros mais baixos no mundo.

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Segundo a economista, um corte da Selic em janeiro ainda é possível no Brasil, mas o cenário mais provável aponta para março. Ela acredita que a diferença entre uma decisão e outra está no grau de cautela do Banco Central. “Mantidas as condições atuais e com os dados dentro do esperado, março tende a ser o momento escolhido. Para que o corte ocorra já em janeiro, seriam necessárias surpresas positivas, especialmente na inflação, no câmbio ou na atividade econômica”, diz Costa.

Ela avalia ainda que a Selic deve terminar 2026 num patamar ainda restritivo, em torno de 12,5% ao ano. Já para 2027, o cenário depende do resultado das próximas eleições presidenciais e das propostas dos candidatos para a política fiscal.

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Nos Estados Unidos, Costa projeta mais um corte de juros em 2026, mas avalia que ele não deve ocorrer em janeiro. A expectativa é que o Fed aguarde novos dados, já que os indicadores do fim de 2025 ficaram distorcidos pela paralisação do governo americano.

E-Investidor – O cenário atual permite cortes mais rápidos da Selic em 2026 ou exige maior cautela do Banco Central?

Marianna Costa – Na economia, já se observamos os efeitos da Selic em 15% na desaceleração da atividade, mas o contraponto é o mercado de trabalho, que ainda está apertado. Há sinal de desaceleração na parte da população ocupada, mas as taxas de desemprego permanecem perto das mínimas. A inflação segue desacelerando, mas continua em patamar alto, com núcleos ainda pressionados, especialmente nos serviços subjacentes.

O “calcanhar de Aquiles” para o Banco Central cortar juros é uma política monetária atuando num ambiente de política físcal mais expansionista. Nesse contexto, o consumo das famílias até desacelera, mas em ritmo mais lento do que seria esperado diante de uma política monetária tão restritiva.

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Como o cenário eleitoral pode mexer com a economia no próximo ano e com os investidores?

A eleição traz um fator de incerteza, em função dos planos dos candidatos para a política fiscal a partir de 2027. Se ela seguir expansionista, continuaremos tendo uma política monetária mais restritiva. Ao olhar para a curva de juros, a parte curta da curva tende a cair, já precificando o início de corte da Selic. Mas a parte longa pode seguir pressionada a depender dos sinais que teremos da política fiscal de 2027 para frente. Hoje, as NTN-Bs (Tesouro IPCA+) oferecem prêmios elevados, refletindo as incertezas para os próximos anos. Mantendo esse nível de remuneração, a trajetória da dívida pública tende a se deteriorar gradualmente.

Quais sinalizações dos candidatos na eleição podem agradar o mercado financeiro?

Sinalizações que reforcem a credibilidade de uma política fiscal mais responsável tendem a ser bem recebidas pelo mercado. Será fundamental olhar para o endividamento no médio e longo prazo, de forma a recolocar o Brasil em uma trajetória sustentável da dívida. Isso passa por uma política fiscal mais enxuta, com a discussão sobre corte de gastos no centro do debate.

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Quais principais fatores econômicos globais devem ficar no radar dos investidores agora?

O ano de 2026 será marcado por menos taxas de juros no mundo como um todo. A inflação também deve mostrar alguma desaceleração, mas trata-se de uma inflação ainda “grudenta”, que perde força de forma gradual, enquanto mantém características persistentes.

Nos EUA, dois eventos serão importantes: a troca de presidência do Fed e as eleições midterms, que renovam cadeiras na Câmara dos Deputados e em parte do Senado americano. A parte curta da curva de juros tende a cair, refletindo a percepção de um Fed mais suscetível a pressões políticas. Já a parte longa da curva pode reagir aos resultados eleitorais, conforme a vitória ou não de candidatos republicanos.

Após a queda do dólar frente ao real em 2025, o que o investidor pode esperar para o câmbio em 2026?

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À medida que os juros recuam nos EUA, o dólar tende a perder valor. Já observamos esse movimento em 2025 e ele deve prevalecer em 2026, sendo um pano de fundo importante para o comportamento do real, ainda que com uma força menor. O câmbio também deve reagir ao cenário eleitoral. Com a proximidade de outubro, o real passará a refletir de forma mais direta o debate fiscal. O fim do ano representa uma grande incógnita, pois dependerá de quem vencer as eleições e do planejamento fiscal do próximo governo.

As tarifas de Donald Trump dominaram o debate do mercado no início do ano, mas perderam tração ao longo dos meses. Esse tema já foi superado?

Os efeitos das tarifas acabaram sendo bem menores do que o inicialmente esperado, tanto sobre a inflação quanto sobre a atividade econômica. No início, a postura dos EUA foi mais truculenta, com a perspectiva de tarifas muito mais elevadas, o que desenhava um cenário adverso. Com o avanço das negociações com diferentes países, as alíquotas foram reduzidas, suavizando os impactos.

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