

(Aramis Merki II) – A indústria de fundos de investimento registrou captação líquida acumulada de R$ 46,1 bilhões no primeiro trimestre deste ano, uma queda de 56,9% em comparação com o mesmo período de 2021. Dos últimos cinco anos, o início de 2022 só não foi pior do que os três primeiros meses de 2020.
Os dados foram divulgados no balanço elaborado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) nesta manhã.
Dentre as classes de fundos, os de renda fixa foram responsáveis, de longe, pelo resultado positivo, com R$ 109 bilhões de captação. Os fundos multimercados e de ações foram os com pior desempenho, com resgates líquidos de R$ 41 bilhões e R$ 31,9 bilhões, respectivamente. Os multimercados tiveram captação líquida negativa pela primeira vez nos últimos cinco anos. Já os fundos de ações tiveram saída em 2021, que se repetiu neste início de ano.
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A Anbima apresentou em relatório a relação das altas da Selic com a captação da renda fixa. Nos últimos 13 meses, a classe acumula R$ 285,4 bilhões captados. “Quanto maior a taxa de juros, maior tende ser a atratividade desse tipo de fundo. Com a expectativa de aumento, tivemos captação bastante forte”, disse Pedro Rudge, diretor da Anbima.
Olhando para o segmento de investidor, apenas o poder público (R$ +57,4 bilhões) e os investidores não residentes (R$ +1,5 bilhão) apresentaram captação líquida positiva. Os institucionais tiveram resgate líquido de R$ 10,6 bilhões, com concentração nas classes de ações e multimercados.
Aumento de contas, fundos e gestores
O número de contas que investem em fundos de investimento chegou em 31.474.194 no final de fevereiro. Em relação a um ano antes, houve aumento de 17,4%. Quanto às classes, o maior aumento foi de contas em fundos de índice (ETFs, na sigla em inglês), de 123,6%. Os Fundos de Investimento em Participações (FIP) avançaram 100,5% e os Fundos de Investimento Imobiliários (FII), 44,4%. Este último é o que tem mais cadastros, em números absolutos: 6.679.650.
Já o número de fundos saltou 15,8%, para 26.943 produtos, e o de gestores alcançou 842, alta de 16,6%. Rudge destaca que o aumento desses números é reflexo da tecnologia, que facilita a entrada dos participantes. “A indústria tem sido muito dinâmica para oferecer alternativas de acordo com o apetite e demanda dos investidores. Aconteceu isso com fundos internacionais, por exemplo, com uma variedade de gestores e aplicações iniciais baixas”, comenta.
Ativos digitais
A associação apresentou pela primeira vez dados sobre fundos que aplicam diretamente em ativos digitais. O total de produtos que se encaixam na categoria chegou a 30 em fevereiro, ante apenas 10 em dezembro de 2020. O patrimônio líquido total alcançou R$ 4,8 bilhões, ante R$ 600 milhões 13 meses antes.
Houve uma desvalorização no PL em relação a dezembro de 2021, explicada pela queda dos preços de ativos como bitcoin e ethereum, explica Rudge. “Temos estudado e tentando entender a relevância desses fundos. A ideia é que quanto mais segurança, transparência e robustez, melhor será para os cotistas e para a indústria“, diz.
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A entidade atualmente rastreia todos os produtos que investem nos ativos digitais, e estima que no futuro terá uma classe para este tipo de investimento.