De modo geral, as casas convergem na leitura de que janeiro de 2026 tende a ser um mês de transição: menos ruído político no curto prazo, juros como principal catalisador e uma seletividade maior na escolha das ações brasileiras.
Exterior ajuda, mas com menos convicção
No cenário internacional, dezembro rompeu parcialmente com o tradicional rali de fim de ano. Segundo o Banco do Brasil (BBAS3), os mercados financeiros globais mostraram um comportamento menos homogêneo, refletindo dúvidas sobre a sustentabilidade do ciclo de altas das big techs (maiores companhias de tecnologia dos Estados Unidos) em 2026. Ainda assim, o pano de fundo segue construtivo.
Atualmente, o mercado precifica dois cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) ao longo de 2026, sustentados por sinais de desaceleração inflacionária nos EUA. Um núcleo do Índice de Preços do Consumidor (CPI) abaixo do esperado em novembro e um Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre (3T25) acima das projeções reforçaram esse viés mais benigno.
Tal conjunto de fatores ajudou o S&P 500 a engatar a sequência mais longa de altas mensais desde 2018. Mesmo assim, o BB pondera que o próximo ano pode trazer episódios adicionais de correção, sobretudo à medida que o Fed se aproxima de uma transição de comando, com a saída de Jerome Powell prevista para maio de 2026.
Brasil sente mais o peso da política
Se o ambiente externo ofereceu algum suporte, o mesmo não pode ser dito do cenário doméstico. Em dezembro, o mercado brasileiro foi dominado pela incerteza eleitoral, com impactos diretos sobre preços de ativos, câmbio e juros.
Na leitura da Genial Investimentos, o anúncio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como pré-candidato à Presidência da República funcionou como um gatilho para a volatilidade. A reação negativa refletiu a percepção de menor competitividade nas eleições frente ao atual governo e, consequentemente, maior probabilidade de continuidade do modelo econômico vigente.
Esse movimento levou o Ibovespa a registrar a maior queda mensal desde 2021, acompanhada por forte saída de capital estrangeiro. A volatilidade também se espalhou pela curva de juros, enquanto o dólar foi pressionado pelas tradicionais remessas de lucros e dividendos de fim de ano.
O Banco Central (BC), por sua vez, manteve uma postura cautelosa. A Selic foi preservada em 15% ao ano e a comunicação sinalizou que março parece mais provável do que janeiro para o início do ciclo de cortes.
Para o BB, os efeitos defasados da política monetária ainda devem pesar sobre a atividade econômica até pelo menos o primeiro semestre de 2026, apesar de alguns alívios pontuais, como a definição da bandeira tarifária verde em janeiro.
Small caps voltam ao radar em meio à assimetria de preços
Apesar do ambiente carregado, as casas destacam que parte relevante dos riscos já está nos preços. A Genial observa que o mercado embute, nos níveis atuais de câmbio e juros longos, uma probabilidade significativa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que melhora a assimetria para o investidor disposto a assumir risco de forma seletiva.
Tecnicamente, os principais índices negociam entre a média dos últimos seis meses e o segundo desvio padrão, um nível que indica melhora na relação risco-retorno, embora ainda distante de um ponto considerado ideal. Nesse contexto, a recomendação varia conforme o perfil do investidor.
Para quem ainda não está posicionado, o momento exige cautela. Já para quem investe com horizonte de longo prazo, as small caps (ações de empresas com baixa capitalização) seguem aparecendo como uma das melhores fontes de assimetria, especialmente entre empresas com fundamentos sólidos e menor dependência do ciclo de crédito.
Carteiras mais defensivas ganham espaço em janeiro
Diante desse cenário, o Banco do Brasil optou por uma postura mais conservadora na Carteira Fundamentalista de janeiro. A instituição reduziu a exposição ao setor imobiliário, trocando Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3) por Tenda (TEND3) e diminuindo o peso do segmento de 20% para 10%.
Para completar a alocação, incluiu a SLC Agrícola (SLCE3), vista como menos volátil e beneficiada pelo atual patamar do câmbio.
BTG aposta em juros como motor do início do ano
Já o BTG Pactual (BPAC11) adota uma visão mais construtiva para o começo de 2026. A casa avalia que a flexibilização dos ciclos monetários, especialmente no Brasil, deve seguir como o principal catalisador do mercado, ao menos nos primeiros meses do ano.
Embora reconheça que a política pode gerar volatilidade ao longo de 2026, o banco argumenta que o curto prazo tende a ser mais tranquilo, em parte devido ao recesso do Congresso Nacional até fevereiro. Isso reduz o fluxo de notícias políticas e deixa a queda dos juros no centro das atenções.
Nesse contexto, o BTG ajustou levemente sua carteira 10SIM, buscando maior equilíbrio. A estratégia começa o ano com forte exposição a serviços básicos (utilities), que representam cerca de 20% do portfólio, com destaque para empresas de “long duration” (prazos mais longos para o investidor recuperar o investimento), como Equatorial (EQTL3), Copel (CPLE6) e Sabesp (SBSP3), além de geradoras e energia como Auren (AURE3) e Eneva (ENEV3).
O banco também mantém posições relevantes em companhias com geração de caixa concentrada no longo prazo, como Localiza (RENT3) e Rede D’Or (RDOR3), e segue confiante no setor de construção civil, que ganhou peso ao longo de 2025. Cyrela (CYRE3) aparece como a principal escolha, enquanto Tenda (TEND3) se destaca entre as small caps.
Financeiras, varejo e proteção cambial
O setor financeiro também ocupa papel central nas carteiras do BTG, com exposição elevada a Itaú (ITUB3; ITUB4) e Nubank (ROXO34). Para investidores mais sensíveis à queda dos juros, Bradesco (BBDC3; BBDC4), B3 (B3SA3) e Stone (STNE) aparecem como alternativas.
No varejo, embora a desaceleração econômica dificulte a seleção de ações, a casa destaca que cada corte de 100 pontos-base na Selic pode elevar os lucros do setor em cerca de 4%. Smartfit (SMFT3), Vivara (VIVA3) e Raia Drogasil (RADL3) lideram as preferências.
Já a exposição a exportadores, que foi reduzida ao longo de 2025, voltou a crescer diante da expectativa de maior volatilidade em 2026. A carteira passou a contar com Aura (AURA33) e Embraer (EMBR3), enquanto Petrobras (PETR3; PETR4) é vista como uma opção defensiva fora do portfólio principal, especialmente pelo dividend yield (rendimento de dividendos) atrativo em cenários de petróleo mais baixo.
Carteiras recomendadas para janeiro
Ágora Investimentos
A Ágora realizou uma mudança, retirando as ações ON da WEG (WEGE3) e incluindo as ações ON da Suzano (SUZB3).
| Ações |
| Allos (ALOS3) |
| Axia (AXIA6) |
| BTG Pactual (BPAC11) |
| Cyrela (CYRE3) |
| Itaú (ITUB4) |
| Petrobras (PETR4) |
| Sabesp (SBSP3) |
| Suzano (SUZB3) |
| Vale (VALE3) |
| Vibra Energia (VBBR3) |
Planner
A Planner retirou 6 empresas da carteira: Anima (ANIM3), Banco do Brasil (BBAS3), Copel (CPLE3), Irani Celulosa (RANI3), Porto (PSSA3) e Vale (VALE3). E incluiu: B3 (B3SA3), BB Seguridade (BBSE3), Direcional Engenharia (DIRR3), Engie Brasil Energia (EGIE3), Multiplan (MULT3) e Telefônica Brasil (VIVT3).
| Ações |
| Itaúsa (ITSA4) |
| Odontoprev (ODPV3) |
| Sabesp (SBSP3) |
| Totvs TOTS3 |
| B3 (B3SA3) |
| BB Seguridade (BBSE3) |
| Direcional (DIRR3) |
| Engie Brasil Energia (EGIE3) |
| Multiplan (MULT3) |
| Telefônica Brasil (VIVT3) |
Andbank
A carteira recomendada do Andbank de janeiro atingiu um potencial de valorização de 14,55%. Veja as ações selecionadas:
| Ações |
| Axia Energia (AXIA6) |
| BB Seguridade (BBSE3) |
| Bradesco (BBDC4) |
| Copel (CPLE3) |
| Embraer (EMBRJ3) |
| Itaú (ITUB4) |
| Itaúsa (ITSA4) |
| PetroRio (PRIO3) |
| Telefônica Brasil (VIVT3) |
| Vale (VALE3) |
Banco do Brasil
Para janeiro, o banco retirou as ações da Cury Construtora (CURY3) e Direcional Engenharia (DIRR3) e acrescentou os papéis da SLC Agrícola (SLCE3) e Construtora Tenda (TEND3).
| Ações |
| B3 (B3SA3) |
| Gerdau (GGBR4) |
| Isa Energia (ISAE4) |
| Itaú Unibanco (ITUB4) |
| Petrobras (PETR4) |
| Nubank (ROXO34) |
| SLC Agrícola (SLCE3) |
| Tenda (TEND3) |
| Vale (VALE3) |
| Vibra Energia (VBBR3) |
BTG Pactual
A casa optou por realizar três mudanças, retirando Smartfit (SMFT3), Copel (CPLE3) e Direcional (DIRR3) e acrescentando Raia (RADL3), Itaú (ITUB4) e Aura (AURA33).
| Ações |
| Nubank (ROXO34) |
| Itaú Unibanco (ITUB4) |
| Rede D’Or (RDOR3) |
| Embraer (EMBJ3) |
| Equatorial (EQTL3) |
| Localiza (RENT3) |
| Raia Drogasil (RADL3) |
| Eneva (ENEV3) |
| Aura (AURA33) |
| Cyrela (CYRE3) |
Empiricus Research
Em dezembro, a carteira recomendada da Empiricus teve uma performance de -3,2%m contra 3,2% do Ibovespa. Veja as ações selecionadas para janeiro:
| Ações |
| Porto (PSSA3) |
| Itaú (ITUB4) |
| Nubank (ROXO34) |
| Equatorial (EQTL3) |
| Multiplan (MULT3) |
| Localiza (RENT3) |
| Cosan (CSAN3) |
| Rede D’Or (RDOR3) |
| Prio (PRIO3) |
| Direcional (DIRR3) |
Genial
Em relação ao mês de dezembro, saíram as ações da Bradesco (BBDC4), BR Partners (BRBI11), Rede D’Or (RDOR3), Track&Field (TFCO4), Tim (TIMS3) e Vulcabras (VULC3). Com Inclusão das ações da Cogna (COGN3), CPFL Energia (CPFE3), Ecorodovias (ECOR3), Itaú Unibanco (ITUB3), Lavvi (LAVV3) e Recrusul (RCSL4).
| Ações |
| Cogna (COGN3) |
| CPFL Energia (CPFE3) |
| Ecorodovias (ECOR3) |
| Itaú Unibanco (ITUB3) |
| Lavvi (LAVV3) |
| Recrusul (RCSL4) |
| Axia Energia (AXIA3) |
| BTG Pactual (BPAC11) |
| Copasa (CSMG3) |
| Eneva (ENEV3) |