Segundo Guilherme Almeida, head de renda fixa da Suno Research, o ponto chave é compreender que não existe “o melhor CDB de todos”, mas sim o produto mais compatível com as necessidades e os anseios do investidor de forma individual.
Há, por exemplo, a pessoa com predileção por um CDB de curto prazo, com taxa prefixada, que já sabe exatamente o recurso que irá precisar para cumprir uma meta daqui a um ano. Do outro lado, há quem deseja manter o poder de compra por prazo mais longo e pode optar por um CDB atrelado ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Na análise de CDBs, Almeida prefere instituições com balanços sólidos, estabilidade nos resultados e baixo índice de inadimplência. Ele destaca o Índice de Basileia (IB) como um indicador importante. Quanto mais alto for esse índice, maior será a capacidade da instituição para absorver perdas.
O Banco Central determina que, para ser considerado saudável, um banco deve ter um Índice de Basileia de pelo menos 10,5%. O head de renda fixa da Suno Research seleciona instituições com IB acima do mínimo regulatório.
Entre os bancos de médio porte, Almeida gosta dos CDBs do Daycoval e do Sofisa, em termos de rentabilidade e qualidade dos resultados. Ele também cita instituições listadas na Bolsa de Valores, com estrutura conhecida: Banco ABC e Banco Pine. “De forma geral, existem muitas opções. O grande ponto é avaliar a qualidade do emissor”, diz.
Fernando Siqueira, head de research da Eleven Financial, pontua que os CDBs de menor risco são aqueles emitidos por grandes bancos, como Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Santander. “A taxa de rentabilidade é indicada caso a caso, conforme o cliente, e pode mudar de um dia para o outro”, afirma.
Entre os bancos de menor porte, a Eleven têm preferência pelas seguintes instituições: BBM, Banco Pine, Paraná Banco, Banco Triângulo, Sofisa, BR Partners, Banco Industrial do Brasil, BMG, Agibank, Banco ABC e Inter.
Na lista de Gabriel Nakaya, research de crédito e renda fixa na Nord Investimentos, o Inter também está presente. Ele destaca como pontos positivos da instituição o crescimento da base de clientes e da carteira de crédito, além do aumento de margem financeira e lucro. Confira aqui os resultados do banco no quarto trimestre de 2025.
Nakaya também gosta do CDB do Daycoval. Ele ressalta o modelo de negócios estruturado do banco e a composição da carteira de crédito, com foco em empresas de pequeno e médio porte. Outros pontos positivos, segundo o analista, são a inadimplência controlada e o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE), que encerrou 2025 em 23,7%.
O que analisar na instituição emissora?
Na hora de analisar os resultados do banco emissor, o especialista da Nord chama atenção para a dinâmica de crescimento da carteira de crédito. “Crescimento muito acelerado pode indicar uma flexibilização nos critérios de concessão e, consequentemente, culminar em deterioração na qualidade do portfólio”, destaca.
A composição desse portfólio, em termos de segmentação de clientes, também é importante. Nakaya explica que, se a carteira de crédito do banco for composta majoritariamente por empresas, o risco de inadimplência tende a ser menor. Já carteiras mais concentradas em pessoa física costumam apresentar maior risco.
Outro indicador que ele observa é a chamada Provisão para Perdedores Duvidosos (PDD), que representa uma reserva de dinheiro feita pela empresa para cobrir contas inadimplentes.
Rentabilidade menor a caminho
Almeida, da Suno, avalia que a emissão de títulos com taxas muito elevadas e fora da curva se tornará cada vez mais incomum. A partir de 1º de junho de 2026, passam a valer novas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que devem impactar instituições com perfil de risco elevado.
Uma das medidas envolve a chamada Contribuição Adicional (CA). Hoje, essa taxa extra só é paga quando a parcela de captação garantida pelo FGC ultrapassa 75% do total captado por uma instituição. Com a nova regra, o gatilho será acionado mais cedo, a partir de 60%. A alíquota também foi dobrada, de 0,01% para 0,02%
Além disso, instituições que tiverem captações garantidas pelo fundo superiores a dez vezes o patrimônio líquido ajustado deverão aplicar o excedente em títulos públicos.
Segundo Almeida, as rentabilidades prometidas pelos CDBs devem convergir para uma faixa menor, de 110% do CDI. “Isso não significa que deixaremos de ver CDBs pagando 120% ou 130% do CDI. Esses casos ainda podem aparecer, ligados a ações promocionais ou a estruturas com maior nível de risco. Mas isso custará mais caro para as instituições”, diz.
Em março, o FGC informou que os bancos integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN) farão um aporte extra estimado em R$ 32,5 bilhões ao fundo. O valor corresponde ao equivalente a 60 meses de contribuições.
Almeida explica que, como os grandes bancos concentram a maior parte dos depósitos do País, acabam arcando com a maior parcela dessa conta. “Embora o impacto no lucro dessas instituições seja marginal, isso reduz a margem para que ofereçam taxas mais agressivas em seus próprios CDBs. A tendência é que mantenham remunerações próximas de 100% do CDI”, afirma.