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Investimentos

Dólar atinge R$ 4,80. Veja como montar uma carteira defensiva

Em 17 dias moeda americana saiu do patamar dos R$ 5, caiu aos R$ 4,70, mas voltou a subir

Por Daniel Reis

02/06/2022 | 10:00 Atualização: 02/06/2022 | 10:04

Investidor acompanhou o dólar sair do patamar dos R$ 5 para atingir R$ 4,70 no começo da semana. Foto: Shutterstock/Reprodução
Investidor acompanhou o dólar sair do patamar dos R$ 5 para atingir R$ 4,70 no começo da semana. Foto: Shutterstock/Reprodução

Nas últimas semanas, o investidor acompanhou o dólar sair do patamar dos R$ 5, flertar com os R$ 4,70 e voltar a subir aos R$ 4,80 na quarta-feira (1). Como toda movimentação no câmbio, as altas e baixas da moeda americana frente ao real impactam nos investimentos e, nesse cenário de volatilidade, é necessário adotar algumas estratégias para proteger o patrimônio.

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A aversão ao risco valorizou a moeda americana no mundo inteiro durante o mês de abril e maio. No último dia 12, o índice DXY, que mede as variações do dólar frente a outras moedas fortes, atingiu o seu valor máximo dos últimos 20 anos, pressionado pelo aperto das políticas monetárias nos Estados Unidos.

Por outro lado, de acordo com Marcelo Oliveira, CFA e fundador da Quantzed, o fluxo de capital estrangeiro para o Brasil ajudou na valorização recente do real. Segundo ele, investidores que haviam saído do País diante da aversão ao risco voltaram a investir por aqui, especialmente na renda fixa. “Hoje em dia o Brasil está muito atrativo para atrair recursos de capital de curto prazo por causa do diferencial de juros. Os investidores estrangeiros também querem surfar a onda da renda fixa”, diz Oliveira.

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Para o sócio da Nexgen Capital, Felipe Izac, as últimas quedas podem ser observada como uma oportunidade para dolarizar o patrimônio. Segundo ele, a recomendação é sempre ter um percentual do portfólio em moeda forte, seja em ativos do mercado americano, via fundos de investimentos ou BDRs.

Desde o último dia 9, quando o dólar chegou ao seu valor máximo em real no mês, fechando em R$ 5,16, a moeda já caiu 7,3%. A recente depreciação acontece paralelamente à alta das commodities. No mesmo período, o petróleo avançou 9,7%, o minério de ferro e a soja avançaram 4,6% e 5,7%, respectivamente, e o milho subiu 7%. A valorização das commodities fez muitos investidores migrarem as suas aplicações para os países emergentes, o que apreciou a moeda brasileira.

Essa alta da moeda brasileira, no entanto, poderia ser maior. Nos últimos dias a moeda americana voltou a se valorizar frente ao real. Apenas no pregão da última quarta-feira (1), o dólar subiu 1,08%.

O sócio-gestor da Octante, Laszio Lueska, entende que a melhor forma de se proteger nesse cenário de vai e vem do câmbio é a diversificação do portfólio de investimentos.

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Segundo ele, o investidor deve optar por se expor tanto ao mercado local quanto ao externo. “É importante ter sempre renda-fixa local e exterior; ações locais e no exterior; um pouco de moedas fortes; e uma certa exposição à commodities”, avalia Lueska.

Como se posicionar no mercado de ações?

No caso da Bolsa, normalmente, as empresas ligadas a commodities são as que saem prejudicadas com a desvalorização da moeda americana. No entanto, como o setor está em alta, não tem sentido essa depreciação.

Matheus Jaconeli, analista de investimentos da Nova Futura Investimentos, explica que as exportadoras têm suas receitas em dólares e, por isso, costumam ter prejuízos com o dólar em queda. Ele cita algumas dessas empresas, como a Klabin e Suzano, do setor de papel e celulose; JBS, do setor de proteínas; e SLC Agrícola, que produz e exporta algodão, soja e milho.

“Outro fator importante para o amortecimento da queda das empresas de papel e celulose é a restrição de oferta por parte de países como Espanha, Rússia, Finlândia e Canadá em meio a um momento de reabertura na China dando oportunidades para as brasileiras. Principalmente a Suzano, que tem maior participação no exterior”, diz Jaconeli.

Por outro lado, empresas que importam matéria-prima em dólar e as que têm dívidas em dólar, como o caso da companhia aérea Azul, se beneficiam muito com a depreciação da moeda americana frente ao real.

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Além dessas, as companhias de setores cíclicos, como as ligadas ao consumo cíclico, supermercados e até empresas de aviação também são beneficiadas.

“Contudo, outras variáveis devem ser levadas em conta como é o caso da dos riscos políticos e fiscais internos que podem afetar a inflação e expectativas dos investidores, fazendo que busquem setores mais seguros devem ser levadas em consideração”, afirma o analista da Nova Futura.

Para onde o dólar vai?

Os analistas divergem sobre o futuro do câmbio. Por um lado, Felipe Izac entende que a alta das commodities deve levar a uma valorização de moedas de países emergentes, incluindo o real. “Estamos em um cenário de alta a inflação e das commodities metálicas, agrícolas e de combustíveis. Países que tem as suas economias ligadas a exportação desses produtos tendem a ter uma valorização da sua moeda”, diz o sócio da Nexgen Capital.

Mas há alguns fatores que podem contribuir para que o dólar saia desse patamar, como a possibilidade de risco fiscal, observa Jaconeli. Para ele, o País observa uma pressão relacionada à sensibilidade das contas públicas, no caso de estados, com teto do ICMS e possíveis interferências governamentais em companhias públicas ao passo em que as eleições se aproximam.

Ele também cita o risco político e eleição de um candidato contra as privatizações e que defenda aumento dos gastos públicos, possivelmente retirando o Teto de Gastos. “Vejo que o dólar pode voltar a subir ao passo em que o pleito se avizinha”, afirma Jaconeli.

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Mauro Morelli, estrategista-chefe da Davos Investimentos, também acredita que a valorização do real não deve continuar por muito tempo. Segundo ele, o processo eleitoral tem trazido muita volatilidade ao câmbio no País.

“É uma oportunidade para os investidores que desejam ter ativos em dólar antecipar a compra do dólar, aproveitando os preços”, recomenda Morelli.

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