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Investimentos

Dólar a menos de R$ 5, no menor nível desde 2024: é hora de comprar? Veja como aproveitar

Cenário externo favorece recuo, mas eleições e risco Brasil podem pressionar o câmbio nos próximos meses

Por Daniel Rocha

14/04/2026 | 8:57 Atualização: 14/04/2026 | 20:56

Queda da moeda abre janela para diversificação no exterior (Dólar: Adobe Stock)
Queda da moeda abre janela para diversificação no exterior (Dólar: Adobe Stock)

O dólar alcançou o seu menor nível desde março de 2024 com os novos sinais de negociação dos Estados Unidos com o Irã antes do fim do cessar-fogo que expira na próxima semana. Na sessão de segunda-feira (13), a divisa americana fechou em queda de 0,29% sobre o real, cotada a R$ 4,9970. Nesta terça (14) voltou a encerrar o pregão abaixo desse patamar: em baixa de 0,06%, a R$ 4,9938 – novamente no menor valor de fechamento desde 27 de março de 2024. O recuo refletiu as declarações do presidente americano Donald Trump sobre o interesse de Teerã em fechar um acordo com a Casa Branca para pôr um fim na Guerra no Oriente Médio.

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O dólar já acumula desvalorização de 3,57% em abril, após alta de 0,87% em março. No ano, as perdas são de 9,02%.

A queda na cotação, embora ainda reflita um cenário incerto, abre espaço para os brasileiros ampliarem sua exposição ao dólar a um preço mais acessível em comparação aos últimos meses. Esse movimento ganha mais relevância diante da relação risco e retorno que os ativos dolarizados podem oferecer ao portfólio.

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Os títulos soberanos dos Estados Unidos, por exemplo, continuam oferecendo aos investidores retornos acima de 3% em dólar. Segundo especialistas, a rentabilidade, aliada à segurança da economia americana, atua como proteção ao chamado “risco Brasil”, que pode voltar a pressionar o câmbio nos próximos meses com a proximidade das eleições presidenciais.

Além disso, os efeitos da guerra ajudaram o dólar a se manter abaixo das projeções do mercado para o curto prazo. Segundo dados do Boletim Focus, os bancos e corretoras estimam um câmbio de R$ 5,37 até o fim do ano.

“Comprar abaixo do que o mercado projeta para o fechamento do ano pode representar um ponto de entrada interessante. Além disso, manter parte do portfólio em outras moedas segue como uma estratégia relevante de diversificação”, diz Alexandre Cavalcanti, diretor de tesouraria do Andbank.

Ainda assim, os especialistas ressaltam que tentar acertar o melhor momento para investir em dólar não costuma ser a estratégia mais eficaz. O mais recomendado, segundo eles, é manter aportes graduais (mensal, trimestral ou semestral) para minimizar os impactos da volatilidade do câmbio e equilibrar a exposição do portfólio a uma moeda forte.

“Olhando para o histórico, este seria um momento favorável. Mas o foco deve ser em manter uma parcela no exterior e enviar recursos de forma recorrente, independentemente da cotação do dólar”, afirma Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

Queda do dólar vai continuar?

O fortalecimento do real frente ao dólar não é um evento recente nem tampouco causado por fatores exclusivamente domésticos. Por isso, especialistas avaliam que a atual cotação não deve se sustentar no curto prazo. No primeiro trimestre, como mostramos nesta reportagem, a moeda brasileira subiu 4,5% contra a divisa americana. Esse foi o melhor desempenho entre 10 moedas emergentes, segundo dados levantados pela MAPFRE Investimentos.

O porquê desse movimento está na posição do mercado brasileiro no novo contexto macroeconômico, marcado por incertezas geopolíticas, especialmente com a chegada de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. Logo no início do seu mandato, o republicano anunciou um amplo pacote de tarifas de importação que atingiu mais de 90 países. A medida elevou a incerteza sobre o comércio global e desencadeou disputas da Casa Branca com diversos parceiros comerciais, como o Brasil.

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Em 2026, novos riscos geopolíticos entraram no radar do mercado. Além da guerra contra o Irã, tropas americanas capturaram o ditador Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, sob a justificativa de que o líder venezuelano teria conspirado para o narcoterrorismo.

Nesse meio tempo, o republicano voltou a defender publicamente a compra da Groenlândia ao classificá-la como prioridade para a segurança nacional dos EUA e até cogitou usar a força militar para anexar o território.

A sucessão desses eventos, aliada à imprevisibilidade dos seus desfechos, desencadeou um movimento de rotação de portfólio, com os investidores reduzindo suas alocações nos Estados Unidos e redirecionando para mercados emergentes, como o Brasil. Em 2026, os estrangeiros aportaram R$ 65,3 bilhões na Bolsa brasileira, até o momento, segundo dados mais recentes da B3.

O fluxo trouxe reflexos imediatos para a Bolsa brasileira. De janeiro até hoje, o Ibovespa acumula alta de 23% e está cada vez mais próximo de alcançar o patamar inédito dos 200 mil pontos. Apesar da demonstração de força do mercado brasileiro, a avaliação de especialistas é de cautela quanto à duração desse cenário: com a proximidade das eleições, os riscos fiscais devem voltar a atormentar o mercado e mudar a direção dos ativos.

“Ainda não estamos vendo as eleições afetando o mercado por conta do fluxo estrangeiro para a renda fixa e o Ibovespa, mas é de se esperar que elas comecem a ditar os preços no segundo semestre do ano”, diz o especialista da Nomad.

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