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Investimentos

Dólar cai quase 15% em 2025: ainda vale dolarizar a carteira? Descubra formas simples de ter renda passiva mensal e trimestral

Janela de diversificação internacional surgiu, dizem especialistas. Veja o que observar

Por Katherine Rivas
Editado por Geovana Pagel

06/10/2025 | 5:30 Atualização: 03/10/2025 | 21:58

(Imagem: marketlan em Adobe Stock)
(Imagem: marketlan em Adobe Stock)

Apesar das variações, o dólar segue em queda nas últimas semanas e meses. Dados da Elos Ayta Consultoria mostram que, no acumulado de 2025 até 30 de setembro, o dólar Ptax recuou 14,11%, encerrando setembro com baixa de 1,99%.

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Dolarizar a carteira como proteção sempre foi uma máxima de especialistas, já que o Brasil enfrenta forte volatilidade que corrói a rentabilidade de ativos. Mas quando o dólar está em baixa, vale apostar na dolarização do patrimônio?

Para Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, dolarizar deve ser uma estratégia estrutural. Com as quedas recentes, surgiu uma janela interessante para intensificar esse movimento. Para quem busca dividendos dolarizados, o cenário é ainda mais favorável pelo perfil menos volátil destes ativos, em comparação a teses de crescimento.

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“Essa estratégia de renda dolarizada pode ser atingida por meio de companhias boas pagadoras, ETFs de renda variável e renda fixa, ou até bonds (títulos do governo americano) com pagamento de cupons periódicos”, diz Zogbi. Ela recomenda ainda o reinvestimento dos proventos para otimizar retornos.

Na visão de Tatiana Berenguer, fundadora da TB Advisory, o melhor momento para comprar dólar foi “ontem”, pois não há como prever a valorização ou desvalorização no curto prazo. “Desde que o real foi lançado já perdeu mais de 80% de seu valor em relação ao dólar. A janela atual é bastante favorável para dolarizar, pois o real se valorizou consideravelmente, mas o investidor brasileiro costuma deixar passar essas boas oportunidades”, comenta.

Outros especialistas destacam que a dolarização tende a ganhar relevância diante da mudança de hábitos de consumo. “Segundo pesquisas da FGV, a cesta média do consumidor brasileiro já é 20% atrelada a produtos dolarizados. Portanto, o investidor médio que não quer perder poder de compra seguindo a inflação já deveria ter pelo menos 20% do seu patrimônio em dólar ou atrelado à moeda americana”, defende Flávio Vegas, especialista da Global X.

Para dolarizar e ainda ganhar dividendos, existem diversas alternativas: investir diretamente no exterior ou via produtos listados no Brasil que acompanham essa variação. Nesta reportagem, reunimos algumas delas.

Existe um ‘dividend yield’ ideal?

No Brasil, um dividend yield (retorno em dividendos) de 6% é considerado mínimo, enquanto alguns exigem 8% para compensar a inflação. Nos EUA, o patamar é menor.

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A média de DY do Ibovespa é de 6%, já no índice S&P 500 o yield médio fica entre 1,5% e 2%, segundo Fernando Forshaid, assessor de investimentos da AVIN.

Forshaid explica que, nos EUA, dividendos são menores porque empresas priorizam reinvestimento e recompra de ações, que aumentam o lucro por ação e valorizam o papel, além de serem fiscalmente mais eficientes que dividendos, que sofrem 30% de tributação na fonte.

Zogbi aconselha usar os Fed Funds (atualmente em 4,25% a 4,5%) como parâmetro, lembrando que dividendos dolarizados priorizam solidez e geração previsível de renda, não apenas dividend yield alto.

Gabriel Duarte, analista da Ticker Research, aponta que setores como utilities, REITs e energia rendem dividend yield entre 3% e 5%; ações aristocratas, 2% a 4%; ETFs de proventos elevados, 3% a 4,5%.

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“Um dividend yield adequado nos EUA gira entre 2% e 5%, dependendo do setor e perfil. Se for muito acima de 6% pode indicar risco ou payout (parcela do lucro destinada a proventos) insustentável, diferente do Brasil, onde yields altos são comuns”, defende Duarte.

Essa lógica não vale para ETFs que usam opções para elevar o dividend yield de forma sintética.

ETFs americanos

Uma das alternativas mais tradicionais para obter renda recorrente em dólar é investir em ETFs, que oferecem uma cesta de ativos e geralmente replicam um índice. Nos EUA, há ETFs com pagamentos mensais e trimestrais, com dividend yields entre 2% e 12%, sendo os mais elevados os que misturam estratégias com opções. Veja abaixo:

 

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Especialistas sugerem optar por ETFs de várias classes de ativos, como ações, REITs (fundos imobiliários americanos) e títulos corporativos, misturando estabilidade e rendimento. É importante verificar o histórico de 5 anos do ETF, consistência de pagamento, crescimento dos dividendos, taxas e liquidez.

Além das estratégias tradicionais, outra alternativa é buscar ETFs que usam opções para elevar o dividend yield sem aumentar o risco.

ETFs brasileiros

Para quem não quer abrir conta em corretora internacional, é possível investir nos mesmos ETFs americanos via BDRs de ETFs, que são recibos desses ativos. Além da tributação de 30%, geralmente há taxas de 3% a 5%, reduzindo o recebimento final do dividendo a 60% até 70%.

Desde 2023, a bolsa brasileira permite a listagem de ETFs que pagam dividendos. Alguns da gestora Buena Vista oferecem exposição a ativos internacionais e estratégias dolarizadas, usando opções que elevam o dividend yield entre 10,8% e 28% ao ano – bem acima da média brasileira de 6%. A maioria entrega mais de 1% ao mês, com teses como as 500 maiores empresas dos EUA, mercado imobiliário americano, ouro, tecnologia, small caps e bitcoin.

Um dos favoritos dos analistas é o QQQI11. Marco Saravalle, estrategista-chefe da MSX Invest, explica que replica um índice da Nasdaq, focado em empresas de tecnologia como Apple, Microsoft e Nvidia, com dividendos mensais de 1,2%. “Temos preferido a exposição via bolsa brasileira, o ETF é super líquido, bem negociado e com taxas baixas, o que o torna acessível diante desse forte retorno adicional”, diz Saravalle.

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Outro citado é o SPYI11, que também usa opções e investe nas 500 maiores empresas dos EUA, com dividend yield mensal de 1%. Como são ETFs listados no Brasil, a tributação sobre os dividendos é de apenas 15%. Veja abaixo:

Ações americanas (stocks) e REITs


Para quem prefere investir diretamente, sem gestora ou replicar índices, é possível comprar ações (stocks) americanas ou REITs (empresas de real estate, semelhantes a fundos imobiliários).

Ailton Marcolino, especialista da Barsi Investimentos, cita ações com dividendos crescentes ano a ano, como Johnson & Johnson (JNJ) com dividendos crescentes há mais de 60 anos; Verizon (VZ), 19 anos; Coca-Cola (KO), 63 anos; e a petroleira Exxon Mobil (XOM), 42 anos, líder do setor energético.

Também está a Microsoft (MSFT), que apesar de yield médio em 5 anos de 0,83%, se encaixa nos padrões americanos por ter dividendos crescentes há 14 anos e liderança em cloud computing e IA. “Muitas vezes, em desempenho anualizado, a Microsoft entrega retornos de 40% somada a valorização, fazendo diferença expressiva no aumento de patrimônio”, justifica Marcolino.

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Matheus de Lima, especialista em renda variável da AVIN, cita U.S. Bancorp (USB), “ideal para quem busca solidez financeira e dividendos consistentes mesmo em cenários instáveis”, e a PepsiCo (PEP),  gigante global de consumo defensivo, com marcas fortes e histórico sólido. “perfeita para quem privilegia previsibilidade de renda e valorização contínua”.

Há ainda a opção de dolarizar a carteira em ações sem sair do Brasil, como explicaremos nesta outra reportagem.

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