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Gestora que apontou fraude no IRB diz que cotistas de FIIs correm risco

Em relatório, Squadra diz que fundos usam manobra para inflar preços dos ativos

Gestora que apontou fraude no IRB diz que cotistas de FIIs correm risco
FII TRXF11. (Foto: Envato Elements)
  • Em fevereiro de 2020, a gestora Squadra lançou um relatório em que anunciava a posição vendida nos papéis do IRB, maior ressegurador do Brasil, por entender que faltava transparência nos números divulgados em balanço
  • Agora, em nova carta semestral, a Squadra questiona práticas contábeis utilizadas por alguns fundos imobiliários (FIIs)
  • Segundo a gestora, “ao longo da história”, diversos fundos optaram por pagar dividendos acima da geração de caixa dos negócios investidos pela aplicação - padrão de comportamento que não se sustenta no longo prazo

Em carta semestral divulgada no sábado (19), a gestora Squadra questionou práticas contábeis utilizadas por alguns fundos imobiliários (FIIs). Segundo a gestora, “ao longo da história”, diversos fundos optaram por pagar dividendos acima da geração de caixa dos negócios investidos pela aplicação.

Desta forma, com um “dividend yield” maior — mesmo que ao custo do caixa –, esses produtos conseguem inflar o preço dos ativos listados por atrair mais investidores, interessados em dividendos. Para sustentar a prática, os FIIs realizam repetidas emissões primárias.

“Como esse padrão de comportamento não se sustenta no longo prazo, há chance não desprezível de surpresas negativas para cotistas de alguns desses fundos, que, nos últimos anos, cresceram de forma importante no portfólio de pessoas físicas brasileiras”, afirma a Squadra.

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Vale lembrar que em fevereiro de 2020, a Squadra lançou um relatório em que anunciava a posição vendida nos papéis do IRB, maior ressegurador do Brasil, por entender que faltava transparência nos números divulgados em balanço pela empresa. Cerca de cinco meses depois, a fraude foi confirmada

Varejo no foco

No documento, a gestora também chama a atenção para a prática recorrente de empresas listadas “embelezarem” seus balanços de fechamento de trimestre para camuflar distorções negativas. O setor de varejo está entre os focos de preocupação da Squadra em relação a este tipo de ação.

“No Brasil, as fotos dos ativos e passivos de algumas varejistas no encerramento de trimestre diferem bastante do que seria a realidade de sucessivos balanços diários”, diz a Squadra. “Algumas companhias têm recorrido a gestões de curto prazo no intuito de apresentar caixas mais robustos e menores alavancagens em relação à sua realidade patrimonial cotidiana. Nas vésperas da divulgação de resultados, optam por negociar prazos e postergar pagamentos, além de ampliar operações de risco sacado e de antecipações de recebíveis.”

Além disso, a gestora afirma encontrar empresas de varejo com centenas de lojas e centros de distribuição que, ao reportarem índices de alavancagem, excluem as despesas com aluguéis no resultado. “Contabilidade é a linguagem do mundo de negócios. Tratá-la bem e adotar métricas gerenciais que façam sentido é fundamental para o sucesso de longo prazo de uma companhia. Mensurações sem lógica econômica tendem a acarretar capítulos sucessivos de destruição de capital”, ressalta a gestora.

Dentro do varejo, um grande exemplo de boa gestão seria o Mercado Livre, que mostra transparência nos resultados e gestão eficiente.

Posições relevantes

No meio das 22 páginas da carta, a Squadra listou também as posições relevantes da gestora, em que houve crescimento do valor intrínseco. As empresas citadas são:

  • Equatorial Energia: a gestora cita a aquisição da distribuidora de energia de Goiás (CELG-D). Para a Squadra, as indicações iniciais são de que a companhia deve conseguir replicar na adquirida o histórico de turnaround e geração de valor;
  • Mercado Livre: empresa, segundo a Squadra, tem testemunhado o encolhimento brutal de um de seus principais concorrentes após a revelação de uma fraude importante de player do setor. Ou seja, do caso Americanas;
  • PRIO: campos na costa brasileira superaram a expectativa inicial da Squadra em relação a volume de produção de petróleo;
  • XP: a gestora ressalta que a instituição financeira usou parte do excesso de capital e dos lucros correntes para recomprar quase 6% das suas ações a preços bastante inferiores ao seu valor intrínseco;
  • Rumo: para a Squadra, o recorde histórico da safra de grãos tem possibilitado à empresa materializar seu “pricing power” como solução logística mais competitiva para o agronegócio do Centro-Oeste brasileiro;
  • Grupo Mateus: a empresa segue o audacioso plano de expansão pelo Nordeste do país, ao mesmo tempo que alcançou ganhos sólidos na gestão de capital de giro;
  • Ultrapar: para a gestora, a empresa vem apresentando melhoras sequenciais de rentabilidade em diversas linhas de negócio, após uma ampla reestruturação de seu conselho de administração e diretoria.

 

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